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Metade das empresas não investiram na saúde mental dos funcionários durante a pandemia

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Depressão - Crédito: Divulgação/Vittude
Depressão - Crédito: Divulgação/Vittude

O impacto da crise de saúde pública não foi grave apenas na economia, segundo estudo inédito realizado pela Vittude, empresa referência em psicologia on-line e saúde emocional corporativa. Realizada em parceria com a Opinion Box, empresa de pesquisa de mercado, o levantamento “Saúde Mental em Foco” apresenta um panorama sobre a saúde mental dos trabalhadores brasileiros durante o período de pandemia de Covid-19. O estudo ouviu 2.007 trabalhadores de todas as regiões do Brasil, a partir dos 16 anos de idade, durante os dias 14 e 19 de outubro.

Para 41% dos entrevistados, a principal sensação nos últimos meses é o “medo intenso de que alguém próximo ficasse doente ou morresse”. 33% apresentaram insônia e a mesma quantidade de pessoas sofreu crises de ansiedade após o início da pandemia.

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Uma pesquisa da consultoria Willis Towers Watson, dos Estados Unidos, constatou que 3 em cada 10 trabalhadores no mundo todo sofrem com depressão, burnout e ansiedade em níveis severos. A realidade no Brasil não parece estar longe da média mundial.

Com a drástica mudança de rotina dos brasileiros, a saúde mental passou a se mostrar um ponto de atenção para os trabalhadores. Quase metade dos entrevistados afirma que deixou de fazer aquilo que lhes dava prazer, como atividades físicas ou de lazer. Para 33%, houve sobrecarregamento com o acúmulo de funções e 24% tiveram dificuldade de manter a rotina da casa funcionando.

Aproveitando o tempo e afastando informações negativas – Embora o momento seja desafiador, há quem tenha aproveitado o período a mais em casa, por conta da quarentena e isolamento social, para fazer bom uso do tempo extra. Um quarto dos entrevistados conta que passaram a se alimentar melhor desde o início do ano, e 23% sentiram que tinham mais tempo para cuidar de si. Outros 22% aproveitaram melhor o tempo com os filhos ou filhas e 18% se dedicaram a aprender uma nova atividade ou hobby.

Dentre as novas práticas adotadas para cuidar da saúde mental, uma chama atenção: 35% dos trabalhadores entrevistados diz que se afastaram de notícias ou quaisquer informações que pudessem lhes fazer mal. Ainda, 42% dos entrevistados acredita que as redes sociais contribuem diretamente para quadros de ansiedade.

A importância de cuidar da saúde mental também virou assunto nos últimos meses. Para os entrevistados, o tema passou a ter a relevância que lhe é devida após o início da pandemia. 62% das pessoas passaram a entender mais a importância de cuidar da saúde mental durante este período. Para 57% dos entrevistados, a sensação é de que serão pessoas melhores do que eram antes deste acontecimento histórico.

Trabalho e produtividade – Participaram do estudo profissionais de diversos segmentos, desde funcionários de multinacionais até pequenos negócios e serviços públicos, do comércio e até profissionais da área da saúde que trabalham na linha de frente do combate à pandemia.

Dos participantes, 32% ainda está de home office em tempo integral, e apenas 12% esteve em home office e já voltou para o modelo de trabalho presencial. O perfil de cada profissional também se mostrou bastante acentuado nos últimos meses, com as mudanças provocadas pela pandemia. Enquanto 29% sente que a produtividade piorou, 26% se sente mais produtivo atualmente.

Quanto à concentração e criatividade, as respostas também são diversas: 32% sentem que a concentração e o foco pioraram e 22% sentem que perderam a criatividade. Por outro lado, 25% viram o foco e a concentração melhorarem e 29% se sentiram mais criativos. 

Preocupação das empresas – Agora, mais do que nunca, é papel das empresas oferecer aos funcionários um ambiente seguro, colocando a saúde mental dos funcionários como prioridade. Entre os profissionais entrevistados, 47% acreditam que suas empresas estão preocupadas ou muito preocupadas com a saúde mental dos trabalhadores. A realidade é diferente para 25%, que sentem que suas empresas não estão preocupadas com o tema.

Sobre o comprometimento das companhias com a saúde de seus colaboradores, há várias iniciativas que foram adotadas nos últimos meses. Entre os principais procedimentos estão informativos trazendo cuidados com a saúde mental (23% das empresas), equipe psicológica ou de saúde (18% das empresas) e encontros presenciais ou virtuais sobre o assunto (17%). Apenas 11% das empresas oferecem terapia pelo plano de saúde. O dado preocupante, entretanto, é que quase metade (47%) das empresas não adotaram nenhum procedimento sobre saúde mental para seus funcionários.

Tratar de saúde mental ainda é um tabu, especialmente se levamos o assunto para o ambiente corporativo. E a prova disso são os dados da pesquisa: 50% dos entrevistados se sentem à vontade para conversar com um psiquiatra, ou psicólogo. Mas, se este mesmo profissional for indicado pela empresa, a porcentagem cai para 36%.

A porcentagem de funcionários que se sente à vontade para conversar com seus líderes é ainda menor: 33% se sentem confortáveis para conversar com seu líder direto, e apenas 28% quando a conversa é com o RH da empresa.

Números

  • 47% das empresas brasileiras não adotaram nenhum procedimento sobre saúde mental para seus funcionários;
  • 33% dos entrevistados pela pesquisa apresentaram insônia, e 33% tiveram crises de ansiedade após o início da pandemia;
  • 25% dos participantes do estudo sentem que suas empresas não estão preocupadas com o tema;
  • Apenas 11% das empresas oferecem terapia pelo plano de saúde;
  • Apenas 28% dos entrevistados afirmam se sentir confortável em conversar com o RH de sua empresa.
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