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Argentina aprova reforma para facilitar mineração em regiões glaciais

Medida busca atrair US$165 bilhões em investimentos até 2035, mas ambientalistas alertam para riscos hídricos
Argentina aprova reforma para facilitar mineração em regiões glaciais
Vista da geleira Perito Moreno perto da cidade de El Calafate, na Argentina 21 de abril de 2025| Foto: REUTERS/Bernat Parera

Os parlamentares da Argentina aprovaram nesta quinta-feira (9) uma reforma apoiada pelo governo que visa promover o investimento em mineração nas regiões glaciais do país, uma medida que, segundo ambientalistas e cientistas, enfraqueceria as proteções e ameaçaria os recursos hídricos.

A Câmara dos Deputados aprovou a reforma por 137 votos a 111, com 3 abstenções. A lei entrará em vigor assim que for publicada no diário oficial.

Promovida pelo governo do presidente Javier Milei, a reforma gerou polêmica por permitir que as províncias estabeleçam seus próprios padrões de proteção para geleiras e periglaciais. Essa mudança, segundo os críticos, poderia minar as salvaguardas das formações de gelo de alta altitude que servem como reservas importantes de água doce.

Espera-se que a medida gere US$ 165 bilhões em exportações até 2035 e crie milhares de empregos, disse o ministro da Economia, Luis Caputo, no X. “Algumas províncias mudarão para sempre”, afirmou.

Os parlamentares da oposição acusaram as autoridades de censura, dizendo que apenas 0,3% das mais de 100.000 pessoas que se inscreveram para falar contra a medida em audiências públicas puderam se manifestar.

Desde 2010, a legislação proíbe a mineração e a atividade industrial nessas áreas e estabelece padrões mínimos para proteger as reservas de água.

Os governadores das principais províncias e empresas de mineração dizem que a reforma esclarece as regras para investimentos e pode posicionar a Argentina como um importante fornecedor de cobre e lítio para a transição energética.

Cientistas do país afirmam que a reforma é motivada por interesses econômicos e políticos, enquanto grupos ambientalistas argumentam que ela favorece projetos de mineração em larga escala em detrimento das proteções ambientais.

“As tentativas de interferência de organizações estrangeiras fracassaram, e os ambientalistas determinados a bloquear o progresso da República Argentina foram derrotados mais uma vez”, disse Milei em um comunicado saudando a aprovação da reforma.

A Universidade de Buenos Aires manifestou preocupação com a reforma em fevereiro, pedindo “critérios científicos unificados, apoiados por conhecimentos técnicos”.

Conteúdo distribuído por Reuters

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