Legislação

Saiba como declarar investimentos do Tesouro Direto no Imposto de Renda 2026

Entenda como declarar seus investimentos em títulos públicos e evite cair na malha fina da Receita Federal
Saiba como declarar investimentos do Tesouro Direto no Imposto de Renda 2026
Crédito: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Com quase 3,5 milhões de investidores com títulos do Tesouro Direto, segundo dados da B3, a declaração desses investimentos à Receita Federal ainda gera dúvidas entre os contribuintes. De acordo com a B3, o processo pode ser mais simples do que parece, uma vez que os ativos têm o imposto retido na fonte, no momento do resgate, sem necessidade de pagamento posterior pelo investidor.

“É importante ter em mente que o imposto de renda de títulos do Tesouro já é retido na fonte, desta forma, o investidor não precisará pagar tributos novamente. Isso facilita bastante o processo e diminui os erros cometidos”, orienta o superintendente jurídico da B3, Filipe de Deus. Em relação à alíquota, a seguinte tabela regressiva da renda fixa é utilizada, o que reduz o imposto conforme o prazo da aplicação:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

Também pode haver cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), caso o resgate ocorra em até 30 dias após a aplicação. A alíquota, por sua vez, também é regressiva, podendo chegar a 96% do rendimento no primeiro dia e caindo para 0% no 30º dia. De olho na proximidade do término do prazo para entrega da declaração este ano, que vai até o dia 29 de maio, a Bolsa de Valores criou um passo a passo para auxiliar o contribuinte.

Confira o passo a passo para declarar títulos em carteira

Com o Informe de Rendimentos em mãos, documento que é disponibilizado pelo banco ou pela corretora por meio da qual o investimento foi realizado, o investidor deve seguir os seguintes passos:

  1. Acessar o programa do Imposto de Renda Pessoa Física 2026, pelo aplicativo Meu Imposto de Renda ou pelo portal e-CAC;
  2. Acesse a ficha “Bens e Direitos” e clique em “Novo”;
  3. No campo Grupo, selecione “04 – Aplicações e Investimentos”;
  4. Em Código, escolha “02 – Títulos públicos e privados sujeitos à tributação”;
  5. Informe o titular, o país (105 – Brasil) e o CNPJ da instituição financeira custodiante dos títulos (emissora do informe de rendimento);
  6. No campo Discriminação, descreva o título e a corretora ou banco;
  7. Preencha os valores da aplicação em 31/12/2024 e 31/12/2025, conforme o informe de rendimentos.

Como declarar títulos do Tesouro Direto vencidos ou vendidos?

Neste caso, o informe irá indicar a redução do saldo ou o valor zerado em 31 de dezembro de 2025. Se o título foi adquirido, vendido ou venceu integralmente ao longo de 2025, ele não precisa constar na ficha “Bens e Direitos”. O investidor, por sua vez, deve declarar apenas os rendimentos líquidos. Quanto aos títulos públicos vendidos com lucro, o imposto já foi retido na fonte, restando apenas declarar os rendimentos recebidos na ficha “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”, conforme abaixo:

  • Código 06 – Rendimentos de aplicações financeiras;
  • Informe o CNPJ da fonte pagadora (banco ou corretora);
  • Preencha o valor líquido recebido no ano, conforme o informe de rendimentos.

Como declarar pagamentos de juros semestrais?

Em casos como do Tesouro IPCA+ com juros semestrais e outros semelhantes, o procedimento é o mesmo: informar os rendimentos na ficha “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”, código 06, usando os dados do informe de rendimentos.

Principais erros ao declarar Tesouro Direto

Apesar da simplicidade do processo, os equívocos ainda são frequentes e podem levar o contribuinte à malha fina:

  • Declarar o título pelo valor de mercado, em vez do custo de aquisição;
  • Omitir rendimentos recebidos ao longo do ano;
  • Não dar baixa após venda ou vencimento;
  • Informar bens ou rendimentos em fichas incorretas.

“Por isso, utilizar exclusivamente as informações do informe de rendimentos é a melhor forma de evitar problemas”, conclui Filipe de Deus. Colaborador

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