Embalagem feita em Minas se decompõe em 75 dias e conquista grandes indústrias de alimentos
Produzidas em Camanducaia, no Sul de Minas, as embalagens compostáveis feitas com fibra de celulose pela Melhoramentos estão sendo usadas em linhas de grandes marcas, como a Sadia, e distribuídas para negócios mineiros que buscam uma alternativa sustentável ao isopor. A fábrica, que tem capacidade de manufaturar 80 milhões de unidades por ano e que foi inaugurada há um ano com investimentos de R$ 40 milhões, é a primeira do Brasil a produzir em escala industrial o recipiente sustentável, que se decompõe em 75 dias contra 100 anos do plástico comum.
A Biona, como é chamada a embalagem, estreou na indústria alimentícia em parceria com a São Salvador Alimentos (SSA), com a linha “Sabor de Copa”, da marca SuperFrango. Em seguida, no ramo de pratos prontos congelados, a marca Sadia (da MBRF), também passou a utilizar as bandejas compostáveis para a linha de lasanhas 350 gramas. Resistente à água, ao óleo e à gordura, a Biona é capaz de suportar variações severas de temperatura (de -40°C a 220°C) e pode ser usada em freezer, forno convencional, micro-ondas e airfryer.
Além dos congelados, a fábrica tem certificação e preparação para produzir recipientes que guardem Frutas, Legumes e Verduras (FLV) e outros alimentos, como macarrão instantâneo, que pode ser aquecido diretamente no produto. Apesar disso, a empresa, no momento, investe no ramo de carnes e congelados. “Ainda não há uma data de lançamento e isso ainda está em discussões comerciais. A gente foca nesse segmento de alimentos para resolver uma dor desse mercado, que são as embalagens sustentáveis com custo competitivo e alta performance”, diz a diretora executiva de gestão e novos negócios da Melhoramentos, Carolina Alcoforado.

O produto está disponível para venda no varejo mineiro por meio de distribuidores, que apresentam o item para restaurantes e cozinhas regionais, além de indústrias do setor. Para ampliar a divulgação da Biona, a Melhoramentos tem participado de feiras, como o Fispal Tecnologia, em São Paulo, no mês passado, considerado o maior evento de tecnologia para a indústria de alimentos e bebidas da América do Sul.
Outro empenho é o patrocínio do festival Gastronomia nas Montanhas, em Monte Verde, no Sul de Minas. “Essa ação é muito especial para a gente porque é a nossa região, é o nosso local de atuação. A gente sente muito essa força, esse apoio da comunidade local e dos negócios locais com a Biona”, diz Carolina Alcoforado.
Competitividade contra o isopor

De acordo com a gestora, o projeto demonstrou a capacidade que o produto tem para substituir o plástico de uso único em operação de “alto volume e elevada exigência técnica”, com diversas vantagens. “A gente foca em soluções que tragam algum ganho de performance para a indústria. Quando você tem uma bandeja como a Biona, que pode transitar no forno, no microondas, muitas vezes você não consegue um só material que faça tudo isso e, no caso da Biona, você consegue”, afirma Carolina Alcoforado.
“Quando a gente compara a Biona com o isopor, que é muito barato e não tem restrição regulatória, sim, a Biona é mais cara. Porém, a gente tem conseguido atingir preços bastante competitivos, que batem muito próximo ou dentro do target de custo para soluções que são implantadas atualmente. A gente é competitivo com soluções de mais alta performance, que é o nicho desenhado para a Bioma”, completa.
Ouça a rádio de Minas