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Feedback ou humilhação? Saiba quando a cobrança ultrapassa o limite

Cobranças públicas e ironias prejudicam o clima organizacional e ganham ainda mais relevância com a inclusão dos riscos psicossociais na NR-1
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Feedback ou humilhação? Saiba quando a cobrança ultrapassa o limite
Foto: Reprodução Adobe Stock

O feedback é uma das principais ferramentas de desenvolvimento profissional. No entanto, quando feito por meio de cobranças públicas, ironias, comparações ou constrangimentos, pode gerar o efeito contrário: desmotivação, insegurança e queda de desempenho.

O tema ganha relevância em um momento em que a saúde mental passou a integrar a gestão de riscos nas empresas. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), as organizações precisam identificar e gerenciar fatores psicossociais que possam afetar o bem-estar dos trabalhadores, incluindo práticas de liderança e comunicação.

Para a psicóloga, doutora em Administração e especialista em Gestão de Saúde Corporativa, Renata Livramento, existe uma diferença clara entre um feedback firme e uma postura tóxica.

Feedback é uma conversa voltada ao desenvolvimento. Humilhação acontece quando a forma ou a intenção colocam o colaborador em situação de constrangimento, medo ou inferioridade. Nesse momento, o aprendizado dá lugar ao sofrimento.”
Segundo a especialista, repreender funcionários diante dos colegas, recorrer ao sarcasmo ou expor erros publicamente cria um ambiente de insegurança psicológica.

“Quando as pessoas têm medo de errar ou de serem expostas, deixam de propor ideias, escondem dificuldades e participam menos. A empresa perde criatividade, confiança e capacidade de inovação.”

Os impactos também aparecem nos indicadores do negócio. Ambientes marcados por lideranças tóxicas tendem a registrar maior rotatividade, aumento do absenteísmo, queda do engajamento e mais afastamentos por questões relacionadas à saúde mental.
Renata Livramento ressalta que liderar não significa evitar conversas difíceis, mas conduzi-las com respeito, objetividade e foco na solução.

Renata Livramento
Renata Livramento: liderar não significa evitar conversas difíceis, mas conduzi-las com respeito e foco | Foto: Arquivo pessoal

“O colaborador precisa entender o que pode melhorar sem sentir que sua dignidade está sendo julgada. O feedback deve orientar o desenvolvimento, nunca provocar medo ou vergonha.”

Para reduzir esse tipo de problema, a especialista defende investimentos na formação de líderes, com foco em inteligência emocional, comunicação assertiva, escuta ativa e gestão de conflitos.

Na avaliação de Renata Livramento, empresas que transformam o feedback em uma ferramenta de desenvolvimento fortalecem as equipes, melhoram o clima organizacional e constroem relações baseadas em confiança, respeito e resultados sustentáveis. %

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