Fim da escala 6×1 preocupa setor joalheiro mineiro por impacto nos custos
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e garante dois dias de folga semanais aos trabalhadores, mediante redução da jornada máxima de 44 para 40 horas sem alteração salarial, pode gerar impactos econômicos e sociais negativos em Minas Gerais.
Segundo o Sindicato das Indústrias de Joalherias, Ourivesarias, Lapidações e Obras de Pedras Preciosas, Relojoarias, Folheados de Metais Preciosos e Bijuterias no Estado de Minas Gerais (Sindijoias Ajomig), a mudança pode provocar substituição de mão de obra, aumento de custos e pressão inflacionária, reduzindo o poder de compra do consumidor.
O presidente do Sindijoias Ajomig, Murilo Graciano, defende que a negociação coletiva seja priorizada, permitindo soluções adaptadas às particularidades de cada setor.
Segundo ele, o objetivo da proposta, de ampliar o bem-estar e o tempo de convivência familiar dos trabalhadores, pode não ser alcançado no contexto brasileiro.
“Na nossa leitura, o fim da escala 6×1 pode ser prejudicial para o País, tanto do ponto de vista econômico quanto social. O cerne dessa proposta, que seria ampliar o bem-estar e o tempo do trabalhador com a família, pode não ser alcançado diante da realidade brasileira”, afirmou.
Do ponto de vista econômico, o Sindijoias Ajomig avalia que o fim da escala 6×1 pode elevar os custos dos produtos, pressionar a inflação e reduzir o poder de compra dos trabalhadores.
“O fim da escala pode aumentar a inflação e reduzir o poder de compra dos trabalhadores. Essa situação poderia, inclusive, levar parte deles a buscar complementação de renda, comprometendo o tempo de lazer e o convívio familiar.”
Outra preocupação apontada pelo sindicato é a possibilidade de demissões. Segundo Graciano, caso a mudança seja aprovada, empresas poderão buscar novas contratações com salários proporcionais à jornada reduzida.
Segundo ele, a medida poderia levar à substituição de parte dos trabalhadores atuais e impactar negativamente a produtividade.
“O fim da escala 6×1 pode reduzir a produtividade em um cenário de escassez de mão de obra, especialmente qualificada, já que seria necessário contratar profissionais ainda inexperientes. Essa medida poderia agravar ainda mais esse quadro.”
Diante desses possíveis impactos, o Sindijoias Ajomig defende o fortalecimento das negociações coletivas, por permitirem acordos ajustados às características de cada setor.
O sindicato representa 160 empresas que atuam na indústria e no varejo.
“Enxergamos nas negociações coletivas o melhor caminho, porque elas permitem considerar as especificidades de cada indústria e segmento. As convenções coletivas aproximam empregados e empregadores e permitem discutir interesses, responsabilidades, direitos e deveres de ambas as partes.”
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