Grupo aposta em memória e urbanismo para transformar Juiz de Fora
Três décadas atuando em obras industriais em todo o País moldaram a visão do empresário e engenheiro Rodrigo Mendonça, que, agora, direciona sua energia e investimentos para projetos na cidade onde nasceu, Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. A primeira iniciativa veio em 2014, com a fundação da loteadora Estrela Urbanidade. Hoje, ele contribui para a consolidação das novas formas de viver e experimentar as cidades por meio do Grupo Humanidade.
A trajetória do empresário e seu grupo em Juiz de Fora contrariam o que era senso comum na cidade: que aqueles que conquistavam sucesso saíam da região para nunca mais voltar. Decidido a contrariar esse padrão, iniciou sua atuação no desenvolvimento urbano com o Estrela Sul, bairro planejado que se consolidou como uma das áreas mais valorizadas da cidade. A experiência foi a base para a fundação da Estrela Urbanidade, com foco na criação de bairros planejados de alto padrão. O Estrela Alta, seu primeiro projeto, foi lançado em 2018. Desde então, foram mais cinco empreendimentos, incorporando praças, clubes, jardins e áreas de convivência para estimular o uso coletivo, indo além do modelo tradicional de loteamento. Ao longo de oito anos, a empresa alcançou uma média de R$ 60 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) por empreendimento.
“Juiz de Fora nunca foi só o lugar onde eu nasci, é uma cidade que eu escolhi cuidar. Sempre me incomodou ver tanta gente boa indo embora, como se a conquista do sucesso significasse sair daqui”, diz o empresário. “Quando decidi voltar, minha ideia era servir o mundo servindo Juiz de Fora. O negócio nasce desse compromisso de construir algo que melhore a vida de quem está aqui, e o que sustenta tudo isso é o quanto eu acredito nessa cidade.”

Os próximos passos da Estrela Urbanidade incluem a expansão regional, com projetos em desenvolvimento em cidades como Alfenas, São João del-Rei e Ubá, em Minas Gerais, e Rio das Ostras, no Rio de Janeiro.
Memória e acolhimento
O Grupo Humanidade voltou sua atenção também para a forma como as pessoas exploram um lado tão fundamental quanto esquecido de sua relação com a cidade: a memória e o luto. Em 2025, o Grupo assumiu a gestão do Parque da Saudade, área originalmente doada à Santa Casa em 1953, que reúne cerca de 18 mil jazigos padronizados. Desde então, foi colocado em prática um processo de reestruturação que inclui a construção de 10 mil novos jazigos ao longo de 30 anos, além da ampliação dos serviços oferecidos.
A proposta envolve desde novas modalidades de aquisição, como jazigos temporários e reservas de uso, até a implantação de um crematório, columbários para armazenamento permanente de urnas cinerárias e jardins memoriais, incluindo iniciativas voltadas às famílias com animais de estimação.
“Assumir a gestão do maior cemitério da cidade e da Zona da Mata mineira é uma forma de reorganizar a experiência em torno da perda, oferecendo suporte mais estruturado às famílias e ressignificando o papel desse tipo de espaço na cidade”, diz Rodrigo Mendonça.
Para o futuro do Parque da Saudade, a estratégia envolve a ampliação dos jazigos e a criação de novas modalidades de aquisição. Entre elas, opções temporárias com uso por três anos e um modelo inédito de reserva de jazigo perpétuo, voltado a um público mais jovem e a investidores.
Passeio Jotaefe e projeto esportivo reforçam expansão
O Passeio Jotaefe é outra iniciativa do Grupo Humanidade, concebida como resposta à demanda por espaços que incentivem permanência e circulação na cidade. O projeto está localizado em uma das regiões com o metro quadrado mais valorizado de Juiz de Fora e já conta com praticamente todos os espaços comerciais locados.
Em fase final de desenvolvimento, com inauguração prevista para o fim do ano, o espaço reúne seis praças internas, múltiplos acessos e uma combinação de atividades voltadas ao lazer, gastronomia e serviços.
“A ideia é criar um ambiente que faça parte da rotina das pessoas, como um shopping a céu aberto, retomando a lógica de encontro em áreas tradicionais da cidade, como a rua Halfeld, um dos principais centros comerciais de Juiz de Fora”, diz ele.
Esporte como motor de transformação
O Grupo Humanidade também desenvolve atividades que ultrapassam o terreno dos negócios, em linha com o propósito de seu fundador. Criado em 2024, o projeto Jotaefe Basquete atende cerca de 300 crianças e adolescentes com aulas gratuitas do esporte.
As atividades acontecem em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora, em vários núcleos distribuídos por regiões periféricas da cidade. O projeto tem seis equipes de base federadas e é filiado ao Comitê Brasileiro de Clubes, tendo se tornado a maior iniciativa de basquete do interior de Minas.
A iniciativa também promove competições, como a Copa Jotaefe de basquete feminino, e eventos que aproximam as famílias, como festivais de mini basquete realizados ao longo do ano. O investimento previsto do grupo no projeto é de R$ 1,2 milhão em 2026.
Apesar de suas diferentes frentes de atuação, o Grupo Humanidade segue uma visão clara sobre a cidade e o papel das pessoas na construção de seus espaços. A expansão tampouco é um objetivo a ser alcançado de forma acelerada; a prioridade é a proximidade e o entendimento de cada contexto local.
“Expandir, para mim, não é só levar um modelo de negócio para outro lugar e escalar, buscando apenas extrair valor. É entender como as pessoas vivem, o que move a paixão pela cidade e, a partir disso, construir algo único para aquela comunidade”, afirma o fundador do Grupo Humanidade, Rodrigo Mendonça.
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