Economia

Crédito vira fôlego para comércio da Zona da Mata após tragédia das chuvas

Financiamentos cresceram 415% na região e ajudam empresários a recompor estoques, manter capital de giro e preservar empregos após temporais de fevereiro
Crédito vira fôlego para comércio da Zona da Mata após tragédia das chuvas
Foto: Márcio Pinheiro/MIDR

Passados quase três meses da tragédia causada pelas chuvas em municípios da Zona da Mata de Minas Gerais, o comércio de cidades importantes da região segue tentando se restabelecer. Para isso, o apoio de linhas de crédito tem sido crucial.

Proprietário de uma loja de utilidades e materiais de construção no bairro Mariano Procópio, em Juiz de Fora – um dos locais mais atingidos pela catástrofe – o empresário Leandro Alves, de 43 anos, afirma ter contratado R$ 20 mil em março com o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). A quantia foi destinada à reposição do estoque e reconstrução de móveis afetados pelas enchentes.

“Meu prejuízo maior, porém, foi em relação à queda das vendas causada pela interdição das ruas. Não chegava mercadoria. Os clientes não podiam comprar”, conta.

Segundo Alves, por duas semanas, ele registrou queda vertiginosa no faturamento, sem nenhuma efetivação de venda. “A gente estima uma perda total, entre vendas e prejuízo material, de cerca de R$ 35 mil”, diz.

O empresário afirma que o crédito foi usado para manter o capital de giro da empresa, pagar boletos, fornecedores, aluguel e despesas físicas, até que o negócio, com três anos de mercado, pudesse respirar.

ACEJF atua como ponte para acesso ao crédito empresarial

Segundo o presidente da Associação Comercial de Juiz de Fora (ACEJF), Aloisio Vasconcelos, as linhas de crédito do BDMG têm sido ofertadas em um bom momento, principalmente porque os empresários estavam com dificuldade de cumprir compromissos básicos, como a folha de pagamento dos colaboradores.

“Os empréstimos se acentuaram entre o final do mês de março e início de abril. O BDMG tem sido bastante ágil para liberar os recursos”, conta, acrescentando que a grande maioria dos contratos é na faixa de R$ 100 mil a R$ 200 mil. “A iniciativa tem priorizado micro e pequenas empresas”, completa.

Vasconcelos também revela que a própria ACEJF tornou-se um agente de crédito da instituição financeira na cidade. “A taxa de juros, de menos de 1%, tem atraído bastante interesse da classe empresarial”, diz.

O dirigente informa ainda que os financiamentos têm sido efetuados para os mais diversos setores do comércio e contribuído ostensivamente para a classe empresarial se recompor após o cenário de calamidade registrado em fevereiro.

“A economia da cidade já está reagindo bem. A maior dificuldade que temos, hoje, no meio empresarial, é o transporte de mercadorias. Isso porque algumas regiões, onde houve desabamento, vão levar até seis anos para serem recompostas. Isso traz um transtorno tremendo para o trânsito”, destaca.

Financiamentos crescem mais de 400% na Zona da Mata após temporais

Segundo o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), os empresários e prefeituras da Zona da Mata acessaram, entre janeiro e abril deste ano, R$ 71,3 milhões em financiamentos. O valor representa uma alta de 415% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O balanço inclui os números da linha emergencial “BDMG Solidário”, que concentrou na região metade de todas as contratações ofertadas a micro e pequenos empresários impactados pelas fortes chuvas de 2026 e localizados em cidades que decretaram emergência ou calamidade pública.

O BDMG também informa que Juiz de Fora foi a cidade com o maior número de contratações na linha BDMG Solidário, com quase 140 micro e pequenas empresas da cidade financiadas, seguida pelo município de Ubá, também fortemente impactado pelos temporais.

O presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto, destaca que a resposta do banco foi decisiva para que muitos empreendedores mantivessem seus negócios e os empregos gerados.

“A pedido do governo de Minas, o BDMG ativou um crédito emergencial para apoiar o recomeço de centenas de empresários. Com esse recurso, com taxas reduzidas, abaixo da Selic, eles puderam repor estoques perdidos, reformar as lojas afetadas pelas águas da chuva, compensar perdas do caixa, e realizar outras ações de acordo com as demandas desse momento tão delicado”, afirma.

Número de atendidos aumenta 160% na região

Além do aumento na liberação de financiamentos pelo BDMG, o número de clientes atendidos na Zona da Mata também cresceu nos quatro primeiros meses de 2026. Foram 400 empreendedores e municípios atendidos pelas diversas linhas de crédito, alta de 160% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Considerando apenas a cidade de Juiz de Fora, o salto na liberação de financiamentos foi de 580%, principalmente entre os pequenos empresários em função da linha BDMG Solidário.

A reportagem do Diário do Comércio procurou a Associação Comercial, Industrial e Serviços de Ubá (Aciubá) para apurar como a cidade tem se recuperado após a tragédia climática registrada em fevereiro. No entanto, até a publicação desta reportagem, a entidade não havia se manifestado. O espaço segue aberto.

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