Negócios

Jovens entre 16 e 24 anos têm menos satisfação com a vida, aponta pesquisa

Especialista defende que dados reforçam a necessidade de um esforço coletivo envolvendo famílias, escolas, empresas e políticas públicas
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Jovens entre 16 e 24 anos têm menos satisfação com a vida, aponta pesquisa
Foto: Reprodução Adobe Stock

Jovens brasileiros entre 16 e 24 anos apresentam os piores indicadores de bem-estar quando comparados às demais faixas etárias é o que mostra o “Mapa da Felicidade Real dos Brasileiros”, levantamento conduzido pela pesquisadora em ciência da felicidade, Renata Rivetti, em parceria com o Instituto Ideia.

Esse público, conforme a pesquisa, é menos satisfeito com a própria vida e relata ter menos pessoas com quem contar, demonstrando também uma relação significativamente mais negativa com o trabalho. Ao mesmo tempo, são também os que mais sofrem com a comparação social nas redes sociais.

“A juventude deveria representar energia, construção de projetos e descoberta de possibilidades. Quando justamente esse grupo relata níveis menores de satisfação com a vida, menos apoio e maior sofrimento cotidiano, estamos diante de um sinal importante sobre a forma como nossa sociedade está funcionando”, observa Renata Rivetti.

Impactos

Na avaliação da especialista, esse é um debate que ultrapassa a esfera individual. “Esses jovens serão os profissionais, líderes, empreendedores, pais, mães e cidadãos que vão construir o Brasil nas próximas décadas. Muitos deles já participam das decisões políticas do País por meio do voto. Quando uma geração inteira relata menos felicidade, menos conexão humana e mais sofrimento no trabalho, a discussão deixa de ser apenas sobre saúde mental. Passa a ser sobre desenvolvimento social, econômico e sobre o futuro que estamos construindo”, alerta.

Um dos dados mais contundentes da pesquisa está na relação dos jovens com a vida profissional. Quase metade (46,7%) afirma que o trabalho os deixa mais infelizes, percentual mais que o dobro da média das demais faixas etárias (20,5%). Trata-se de uma das diferenças mais expressivas identificadas pelo estudo.

Renata Rivetti
Renata Rivetti destaca que o trabalho continua sendo uma dimensão central da vida, mas deixou de ser apenas uma fonte de renda, já que os jovens buscam propósito | Foto: Divulgação Renata Rivetti

Para Renata Rivetti, o dado mostra uma transformação importante na maneira como as novas gerações enxergam o trabalho. “O trabalho continua sendo uma dimensão central da vida, mas deixou de ser apenas uma fonte de renda. Os jovens buscam propósito, desenvolvimento, pertencimento e saúde mental. Quando essas necessidades não são atendidas, o impacto emocional aparece muito cedo na trajetória profissional”, observa.

Outro resultado robusto mostra o peso das redes sociais na percepção de bem-estar. Mais de 77% dos jovens afirmam já ter comparado sua vida com a de outras pessoas nas redes sociais, enquanto 71,1% dizem já ter ficado tristes após consumir esse tipo de conteúdo. Ambos os indicadores são significativamente superiores aos observados entre pessoas acima de 25 anos. Além disso, 63,4% reconhecem sentir-se dependentes de redes e telas.

“Vivemos uma geração permanentemente exposta a padrões de sucesso, beleza, consumo e felicidade. O cérebro humano não foi preparado para se comparar centenas de vezes por dia. Isso afeta autoestima, sensação de pertencimento e percepção de valor pessoal”, analisa.

Embora os jovens mantenham níveis de esperança semelhantes aos das demais gerações, o presente é marcado por maior sofrimento emocional. Para a especialista, os dados reforçam a necessidade de um esforço coletivo envolvendo famílias, escolas, empresas e políticas públicas. “Cuidar do bem-estar dos jovens não é proteger uma geração. É investir na capacidade que ela terá de inovar, colaborar, liderar e construir relações mais saudáveis no futuro. Uma sociedade emocionalmente esgotada dificilmente conseguirá construir um País mais sustentável e humano”, frisa.

O estudo, conduzido sob a metodologia da ciência da felicidade, ouviu 1,5 mil brasileiros de todas as regiões do País entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, com nível de confiança de 95%, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e 10 recortes demográficos e sociocultural, incluindo gênero, raça, geração, classe social, região e orientação sexual.

Sobre o autor

Diário do Comércio

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas