Empresa mineira deixa mercado de tecnologia para investir em cafés especiais
O mercado brasileiro de serviços de tecnologia passa por um movimento de consolidação, impulsionado pela busca por escala, ampliação de portfólio e ganhos de competitividade. Nesse cenário, empresas tradicionais têm optado por vender operações ou carteiras de clientes para grupos maiores, enquanto redirecionam investimentos para áreas consideradas mais estratégicas ou alinhadas ao perfil de seus controladores.
É nesse contexto que a Minascopy, criada há 42 anos, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), empresa especializada na venda e locação de equipamentos de impressão, reprografia, digitalização e gestão de documentos, deixa o mercado de outsourcing em tecnologia com a venda da sua carteira de clientes para a catarinense Selbetti e se volta para o café no Vale do Jequitinhonha.
De acordo com o sócio da Minascopy, Daílton Ribeiro, a empresa é financeiramente saudável e o acordo foi orientado pela vontade dos sócios da companhia de se dedicarem a novos negócios. Em todo o Brasil, a Minascopy atende mais de 2 mil clientes que geram um faturamento anual de R$ 30 milhões.
“Houve uma venda de carteira de clientes e a Minascopy atua na aproximação, consolidação e crescimento da carteira em prol da Selbetti, não mais competindo com ela. Não nos desfizemos do CNPJ da Minascopy, vamos continuar em outros setores, especialmente a cafeicultura, que é uma paixão de família e já é um negócio”, explica Ribeiro.

O valor da transação não foi divulgado, e boa parte dos colaboradores da empresa mineira será mantida pela Selbetti. Para os atuais clientes da Minascopy, não haverá mudanças na operação. Todos os contratos passam a ser integralmente assumidos pela Selbetti, incluindo os serviços de suporte técnico.
A partir de agora, os sócios da Minascopy se voltam especialmente para a cafeicultura na região da Chapada Mineira, na Fazenda Sagarana, em Diamantina (Vale do Jequitinhonha). A produção de cafés especiais foi iniciada pelo pai do empresário.
Reconhecida pela certificação Rainforest Alliance, a fazenda produz cafés especiais de alta pontuação (de 80 a 84 pontos), a 900 metros de altitude, que se destacam por notas de chocolate, doçura natural e corpo. A produção de grãos 100% arábica dá origem ao café Dupan.
“Nesse mercado tecnológico ou você está alinhado com a última novidade ou é engolido. A Selbetti é muito agressiva e percebemos que a venda da carteira seria o melhor caminho. Fizemos uma opção mais clara pela cafeicultura. O café é uma paixão do meu pai, que começou a plantar no Vale do Jequitinhonha em 1977. Desde que a cafeicultura se instalou no Vale, houve uma mudança muito grande. A cafeicultura é uma espécie de cultura que precisa de muita gente, gera muitos empregos e distribui desenvolvimento econômico”, completa o cafeicultor.
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