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Novo Normal: Mercado fitness se reinventa na pandemia

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Ter o corpo são é o caminho para uma “mente quieta e o coração tranquilo” em meio ao caos da pandemia | Crédito: Divulgação/Beagarra

A preocupação com a saúde e o bem-estar no mundo e no Brasil vinha, nas últimas décadas, movimentando um mercado de proporções gigantescas e em franca expansão. A Covid-19 tornou tudo mais urgente. Mais do que moda ou uma preocupação de uma parcela da população bem informada e com recursos financeiros, ser fitness se tornou uma estratégia para combater a doença.

Para se ter uma ideia do que está acontecendo, as vendas do segmento de alimentos saudáveis, que engloba produtos sem açúcar, glúten ou conservantes, atingiram a marca de R$ 100 bilhões em 2020, segundo a consultoria Euromonitor International.

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Ao mesmo tempo, esse mercado esbarra nas imprecisões do próprio conceito e nos preços. O empobrecimento geral da população pode ser uma barreira para o crescimento do consumo de determinadas categorias de produtos e serviços. Além disso, uma comunicação ainda voltada para a alta performance e estética, em um momento de catástrofe humana, pode soar inconveniente.

No novo normal do mercado fitness, saudabilidade é palavra de ordem. Ter o corpo são é o caminho para uma “mente quieta e o coração tranquilo”, além de garantir maior imunidade. Então a hora é de garantir a segurança sanitária e oferecer alternativas que leve o público à saúde plena.

Academias se reposicionam como templos fitness

Símbolo máximo da cultura fitness, as academias de ginástica formam um dos segmentos que mais sofreu com as políticas de isolamento social. Caracterizadas pelas aglomerações de alunos, ainda lutam para entrar na lista de serviços essenciais em muitas cidades, inclusive Belo Horizonte.

Em um mercado onde as maiores redes não chegam a centena de unidades, muitas sucumbiram. Estima-se que cerca de 5% das academias brasileiras tenham fechado ou serão fechadas até o fim de 2021. De acordo com o consultor no mercado de academias, Luís Amoroso, ao fim do processo, com players mais fortes, o Brasil pode vir a atrair investimentos estrangeiros no segmento.

“A crise é sempre mais difícil para os pequenos e menos estruturados. Inevitavelmente já acontece uma concentração de mercado com muitas compras e fusões, além do simples fechamento de unidades. Para quem fica, é preciso rever custos e aprimorar a oferta. Acompanho casos de academias que cresceram durante a pandemia porque conseguiram fazer isso. A concentração e consequente estruturação do mercado vai fazer com que as redes cresçam e passem a atrair investidores estrangeiros. O Brasil é um mercado interessante, mas a ausência de redes realmente nacionais inibe o interesse internacional. Ninguém virá aqui para começar do zero, abrir uma ou duas unidades. Eles querem comprar estruturas já prontas”, explica Amoroso.

Amoroso: é preciso rever custos | Crédito: Divulgação

É justamente com o objetivo de se tornar uma rede nacional que a gaúcha Engenharia do Corpo foca seus esforços. A rede, que tinha 25 unidades em março de 2020, tem agora 77 academias em operação e 230 contratos assinados. A meta para 2022 é “colar” na atual marca líder.

De acordo com o CEO da Engenharia do Corpo, Alexandre Zanella, em Minas Gerais a primeira será aberta em Uberlândia (Triângulo) nos próximos dias. Montes Claros (Norte de Minas) já tem negociações avançadas. A expectativa é de que a Capital receba dez unidades. No modelo de negócios proposto, a empresa é sócia em 50% de todas as unidades. Cidades com mais de 120 mil habitantes estão aptas a receber unidades de grande porte, e acima de 60 mil, de pequeno porte.

“A doença fez com que as pessoas vissem a importância de ter uma saúde melhor. A academia não cuida só da parte estética. Buscamos investidores com capacidade maior, para colocar mais unidades ao mesmo tempo. Isso fortalece o nosso marketing. O investimento pode ser em cotas, a partir de R$ 120 mil. Para uma operação completa, R$ 800 mil”, afirma Zanella.

Zanella: rede fará expansão em MG | Crédito: Divulgação

Corporativo

“As empresas também estão cada vez mais preocupadas com a saúde física e mental das equipes”. Quem faz a constatação no dia a dia do seu negócio é o diretor regional do Gympass, Cristian Kim. Originalmente, a empresa que contratava o Gympass passava a oferecer aos seus colaboradores uma série de academias conveniadas onde eles podiam escolher o serviço mais conveniente às suas necessidades. O fechamento das academias ao longo de 2020 fez com que o Gympass se voltasse para novas verticais.

“Tivemos que nos adaptar. Éramos uma solução física. O cliente tinha um app e escolhia a academia. Com o lockdown, o único serviço que a gente provia estava proibido. Em 15 dias, lançamos produtos virtuais. O primeiro foi focado em saúde e bem-estar. Vimos que não havia barreiras para trazermos aplicativos que trabalham vários aspectos da saúde. Já são mais de 40. Depois criamos uma conexão para ajudar nossos parceiros-academias que estavam perdendo alunos. Eles começaram a produzir aulas on-line e a gente começou a disponibilizar esse conteúdo na nossa plataforma. Hoje são mais de mil aulas diárias. E, por fim, trouxemos os personal trainers para dentro da plataforma”, resume Kim.

Ferreira: acerta quem se esforça | Crédito: Gláucia Rodrigues

Para o analista do Sebrae Minas, Victor Mota Ferreira, acerta quem se esforça para entender medos e anseios do consumidor e sabe se comunicar melhor, deixando claro o seu alinhamento com o propósito exigido pelo público.

“O apelo da saudabilidade é muito grande. Estudos têm mostrado que a atividade física aumenta a imunidade. A cadeia do fitness tem que entender essas orientações para se comunicar, fidelizando e atraindo um novo público. A pandemia retraiu a demanda e as pessoas vão voltar com força. A questão é mostrar que o ambiente é seguro e as atitudes responsáveis”, pontua Ferreira.

Alimentação saudável ganha mercado

Laticínios Camponesa apostou no lançamento leites especiais | Crédito: Divulgação/Camponesa Embaré

O mundo fitness tem dois pilares insubstituíveis: os exercícios físicos e a alimentação. Alimentos equilibrados e menos processados são apontados como fonte de saúde e durante a pandemia ganharam ainda mais adeptos. Um exemplo é o consumo de orgânicos, que cresceu 30% nas vendas em 2020, movimentando R$ 5,8 bilhões, segundo levantamento da Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis). Esse mercado, porém, ainda esbarra em um grande obstáculo: os preços.

E foi justamente nesse ponto que a marca de laticínios Camponesa – pertencente à Embaré Alimentos, se propôs a atuar. De acordo com a gerente de marketing da Embaré, Adriana D’Assunção Antunes, a pandemia fortaleceu a tendência de saudabilidade, puxando a necessidade desse tipo de produto. Ao longo de 2020, a empresa lançou uma série de leites especiais, culminando com Leite Vitaminas C+D, que auxilia no sistema imunológico e que protege o corpo contra infecções, vírus e bactérias.

“Começamos em 2019 um projeto de expansão de mercado. As pesquisas mostravam que as pessoas estavam atentas à alimentação, e, com a pandemia, estão ainda mais exigentes e informadas. Criamos novas soluções e produtos para alcançar esse público. Desenvolvemos, no fim do ano passado, uma linha de leites especiais, como o leite enriquecido com cálcio; o ‘Origens’, envasado em até 24 horas, sem estabilizantes e o leite voltado para a imunidade, com vitaminas C e D. Agora estamos lançando o ‘Proteína’, com 14 gramas de proteína, desnatado e zero lactose. O posicionamento da Camponesa sempre foi garantir qualidade com preços acessíveis. Sempre fazemos revisão de custos para tornar isso possível. Esse processo todo começa junto com o produtor rural, com quem temos um trabalho muito importante de desenvolvimento”, explica Adriana Antunes.

Letícia Fiorini defende veganismo | Crédito: Divulgação

Ao mesmo tempo, no comando solitário da sua cozinha em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a chef especializada em gastronomia vegana, Letícia Fiorini, se esforça para atender todos os pedidos e planeja a abertura de um ponto físico na cidade assim que a pandemia deixar. A divulgação e as vendas são feitas pelo instagram @fiorinicozinha.

“Embora não seja classificada como fitness, a alimentação vegana é naturalmente mais saudável. Precisei de coragem porque as pessoas não conhecem tanto. Sempre tenho que explicar um pouco mais. As pessoas têm procurado, principalmente, pela questão das alergias e intolerâncias. A minha proposta é poder dar opções para o cliente, que tenham sabor e beleza pagando um preço acessível. Já atendi pedidos de gente de fora de Minas Gerais que estava hospedada perto do Aeroporto, em Confins, e me achou pela internet. Tenho clientes que estão comigo desde o primeiro dia. Fico muito feliz quando a pessoa volta para comprar mais uma vez. Sinal que minha missão foi cumprida”, afirma Letícia Fiorini.

Diversificação

Se atender a tempo e hora às necessidades dos clientes é palavra de ordem, a rede Kiwi Superfoods foi atrás da solução, lançando um biomercado que deverá funcionar em sinergia com o restaurante. De acordo com o CEO da Kiwi, Dimitri Oliveira, a ideia surgiu a partir do fechamento dos restaurantes como medida de combate à Covid-19 em todo o Brasil. A sede da empresa fica na maior fazenda urbana da América Latina, a BeGreen (na região Leste da Capital) e é lá a primeira unidade do biomercado.

Oliveira, da Kiwi Superfoods, aposta em novos modelos de negócios | Crédito: Divulgação

“Os restaurantes estão fechados, mas os mercados têm permissão para abrir. Remodelamos o negócio para aproveitar esta oportunidade. Começamos um estudo profundo. Trouxemos especialistas em supermercados para ajudar. A meta para esse ano é consolidar o modelo restaurante +biomercado como nosso principal produto. Será, ainda, uma expansão bem comedida, com investimento a partir de R$ 600 mil. A pandemia derrubou o mito do líder que não pode errar, que tem resposta e sucesso pra tudo. Essa é uma oportunidade para mostrar que somos falhos, mas que soluções existem e que vamos tentar até o fim”, completa Oliveira.

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