Paisagismo rompe fronteiras entre arquitetura e natureza na CASACOR Minas
Na CASACOR Minas 2026, a fronteira entre arquitetura e paisagem se torna menos evidente. Mais do que acrescentar verde aos ambientes, o paisagismo participa da construção dos espaços: interfere na escala, desenha percursos, produz sombra, filtra a luz, modifica temperaturas e cria lugares de permanência.
Em uma edição realizada em um edifício histórico e orientada pelo tema “Mente e Coração”, essa relação ganha ainda mais significado. Se a arquitetura estabelece volumes, limites e materialidades, a paisagem acrescenta uma dimensão viva e mutável. Os trabalhos de Kat Rodrigues, Flávia D’Urso e Nãna Guimarães exploram essa integração a partir de diferentes perspectivas.
Arquitetura para permanecer
No Raízes da Terra, projeto da arquiteta Cynthia Silva e da paisagista Kat Rodrigues integrado ao deck e ao pergolado da Madeiraria, a solidez da madeira encontra a organicidade da vegetação. Pensado como resposta à velocidade da vida contemporânea, o jardim convida à desaceleração e à permanência.

“A mente se aquieta diante da precisão construtiva e da solidez da madeira, enquanto o coração é acolhido pela suavidade, pela textura e pela respiração da natureza”, explica Kat Rodrigues.

A curadoria botânica reúne espécies de presença escultórica e folhagens que ajudam a definir proporções, suavizar limites e aproximar a estrutura construída da escala humana. “A vegetação não é um mero adereço, mas a alma viva do ambiente”, afirma a paisagista, que celebra sua sexta participação na mostra.
Imperfeito intencional
No Jardim Entretempos, Flávia D’Urso incorpora outra matéria ao projeto: o tempo. O jardim é compreendido como organismo vivo, sujeito ao crescimento, à sazonalidade e às transformações naturais.
Dessa premissa surge o conceito do “imperfeito intencional”. Embora exista precisão nas escolhas, a intenção é criar uma paisagem espontânea, como se aquele jardim tivesse se desenvolvido ali naturalmente.

Um percurso sinuoso de lajões e seixos faz com que o espaço seja descoberto gradualmente. Em alguns pontos, a vegetação se adensa e envolve; em outros, abre-se para áreas de permanência. Árvores, arbustos, herbáceas, forrações, aromáticas, frutíferas e espécies floríferas completam uma composição diversa e estratificada.
Jardins despertam sentidos e criam espaços de afeto
Participante da CASACOR Minas desde 2013, Nãna Guimarães assina três propostas nesta edição: Jardim Bem-Estar, Jardim Cores de Agnes e Jardim do Rivo Bar. Se o primeiro convida à introspecção, os demais privilegiam o encontro.
“O Jardim Bem-Estar é um refúgio, quase um abraço biofílico, pensado para desacelerar. Já o Jardim Cores de Agnes é alegria, encontro”, explica. Para ela, o afeto conecta essas diferentes experiências.

No Jardim Bem-Estar, que envolve a Cabana Wellness, de Fabíola Constantino, lavanda, alecrim, spatifilus e espécies movimentadas pelo vento estimulam diferentes sentidos. “A arquitetura cria a forma, mas é a planta que cria a atmosfera”, sintetiza Nãna Guimarães.

Mais do que contemplado, o jardim foi pensado para ser tocado, cheirado e ouvido. Uma ideia que ajuda a resumir o paisagismo apresentado nesta edição: a natureza não aparece como cenário da arquitetura, mas como parte fundamental da maneira como ela é percebida e vivida.

A CASACOR Minas Gerais é realizada pela Multicult, e conta com o patrocínio master da Deca. Os fornecedores oficiais desta edição são: Coral Tintas, ArcelorMittal. Entre os patrocínios locais, estão: PUC Minas, Brastemp, OOH Brasil e Philco. A energia oficial é fornecida pela Click Livre. A 31ª CASACOR Minas ainda conta com os apoios do Sebrae, CAU/MG e Portinari. Fornecedores oficiais: Divinal, Detronic e Interlight.

CASACOR Minas Gerais
Data: Até 6 de outubro
Local: PUC Minas Lourdes – Rua da Bahia, 2020 – Belo Horizonte
Ingressos na bilheteria da mostra ou pelo site da CASACOR
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