Shopping centers se reinventam e seguem fundamentais para o varejo após 60 anos
A tradução é simples e direta: centros de compras. Muito mais do que isso, os shopping centers comemoram 60 anos no Brasil remodelados, diversos e fundamentais para o varejo e a economia do País.
De 1966, quando foi inaugurado o Shopping Iguatemi São Paulo, na capital paulista, aos dias de hoje, os shopping centers agregaram serviços, se tornaram palco de shows e atividades artísticas, remodelaram a arquitetura, passaram a ser amigos dos animais de estimação, estabeleceram uma convivência diária com a comunidade do entorno, alguns, verdadeiros hubs de negócios e se tornaram espaços seguros e cômodos de convivência e soluções de problemas da vida cotidiana para famílias e amigos.
De acordo com a diretora de Planejamento Estratégico e Operações da Associação Brasileira dos Shopping Centers (Abrasce), Gabriella Philippsen J de Oliveira, de símbolos de modernidade com ambientes planejados, climatizados e seguros em um cenário de urbanização acelerada, na década de 1960, os shoppings, hoje, integram a paisagem com naturalidade. Com o tempo, as compras perderam o status de protagonistas e, assim, o mix se transformou acompanhando as demandas de consumo que já não exigia apenas produtos, mas serviços variados além da alimentação distribuída em praças.
“No início o foco era essencialmente compras. Hoje temos um consumidor muito mais decidido e com o ritmo de vida acelerado. O shopping se transformou em hub de soluções para resolver a vida. Isso dita o ritmo do varejo olhando para o futuro. O consumidor quer que a demanda de vida seja atendida de forma plena. Hoje somos um ambiente democrático, com entretenimento e serviços variados para todas as idades”, afirma Gabriella de Oliveira.
Dados da Abrasce revelam que o Brasil conta com 658 shopping centers em operação distribuídos em 253 cidades, movimentando mais de R$ 200 bilhões por ano. O setor segue ampliando sua importância econômica e social, funcionando como um dos principais motores do varejo nacional, como comprovam os principais indicadores:

Outro destaque é a valorização imobiliária: imóveis localizados em um raio de até dois quilômetros de um shopping apresentam valorização média de 26% após a inauguração do empreendimento.
“Os shopping centers sempre foram muito ágeis ao olhar para as tendências. Na atualidade, não tem como não olhar para inteligência artificial (IA), a tecnologia e a personalização.
O comércio on-line é algo que veio para complementar a jornada de consumo. É o ‘figital’, com jornadas entrelaçadas, que une o físico e o digital. Em 2018, o consumidor ficava, em média, 1 hora e vinte minutos dentro do shopping por visita; hoje, são 3h20min, demonstrando como os empreendimentos são ambientes de convivência e conveniência”, pontua.
Expansão, inovação e novos hábitos de consumo
Ao longo dos anos, os shopping centers ajudaram a redesenhar cidades inteiras. Eles influenciaram o crescimento imobiliário, abriram novas centralidades urbanas, estimularam a valorização de bairros, interiorizaram marcas nacionais e levaram infraestrutura a regiões que ainda careciam de equipamentos de lazer e serviços.
Em muitas cidades, foram responsáveis pela chegada da primeira sala de cinema, da primeira escada rolante, das primeiras grandes operações gastronômicas e até mesmo de novos hábitos sociais.
“A economia brasileira cresce pelo interior, então, existe um caminho pela força e pela potência das cidades, muitas delas ainda com seu primeiro shopping. Observamos isso de forma muito latente, mesmo nas metrópoles, nos grandes centros urbanos. Existe um cuidado do setor em responder a esse consumidor que não está no centro”.
Com o passar do tempo, as grandes lojas de departamento perderam relevância e, no lugar delas, surgiram redes especializadas. Depois vieram as megalivrarias, que tiveram um boom e declinaram. Em seguida, chegaram as semiâncoras e, com a abertura dos mercados nos anos 1990, a entrada de marcas internacionais, crescimento e qualificação da gastronomia e fortalecimento do entretenimento com a chegada das multissalas de cinema. Essa história resume o dinamismo e a adaptabilidade dos malls.
Uma pesquisa da Abrasce sobre quiosques, por exemplo, mostra que o setor reúne mais de 16 mil equipamentos, crescimento de 1,1% em relação ao ano anterior. A média nacional é de 24 quiosques por shopping. A categoria Alimentação e Bebidas representa 33% do total de quiosques, seguida por Entretenimento (10%) e Conveniência/Serviços (8%). Juntas, essas categorias respondem por mais da metade das operações.
Dupla perfeita: franchising e shopping centers
Uma relação simbiótica acontece entre os shoppings e o franchising brasileiro. Segundo a diretora de Expansão da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Renata Rouchou, essa é uma relação estrutural. Das 50 marcas mais presentes nos shopping centers brasileiros, 36 são franquias.
“O franchising leva capacidade de gestão e de investimento para dentro dos shoppings. Isso fez com que o franchising crescesse aliado ao desenvolvimento do varejo. Um estudo da Abrasce, de 2024, mostra que em 10 anos, o número de marcas franqueadas cresceu 35% dentro dos malls”, explica Renata Rouchou.

E, assim, as negociações passaram a ser muito mais estruturadas, acontecendo, muitas vezes, entre as administradoras de shopping centers e franqueadoras e não entre as unidades dos malls e franqueados. Das franquias associadas à ABF, 27% das unidades estão em shoppings. Do total, estima-se que o índice alcance 32%.
“Esse movimento traz uma oportunidade para as franquias. Ainda existem muitas oportunidades para crescer, especialmente nos bairros das grandes cidades e no interior. Essa sinergia pode ser mais provocada, promovendo-se mais encontros de investidores com marcas franqueadoras”, analisa a diretora de Expansão da ABF.
Mantendo o foco no futuro, os malls buscam na Ásia, especialmente na China, as tendências para construir o futuro agora.
“O brasileiro é resiliente, então o shopping é como o brasileiro. Focado em se adequar às necessidades e desejos do consumidor. A China tem uma cultura muito diferente da nossa e o que percebi numa visita recente é que podemos extrair de lá a tecnologia aplicável para facilitar a operação. A automatização vai contribuir com a decisão de negócios, mas não substituirá o humano”, avalia a diretora da Abrasce.
Os shopping centers se consolidam como hubs urbanos multifuncionais, conectando moradia, trabalho, serviços, lazer e mobilidade em um mesmo ecossistema. Sustentabilidade, regeneração urbana, eficiência energética e impacto social deixam de ser diferenciais para se tornarem premissas da operação.
“Hoje é uma arquitetura muito mais voltada para fora, iluminação natural, varanda, valorização do verde. Então, você não está dentro de uma caixa, muito pelo contrário, está em algo em que, realmente, se sente abraçado, e isso tudo oferece conforto para passar as três horas resolvendo tudo que quer da melhor forma possível”, completa.
Minas consolida seu protagonismo no setor
A primeira inauguração de um shopping center em Minas Gerais aconteceu em 1979. O BH Shopping, na região Centro-Sul, foi também o primeiro empreendimento da Multiplan. Hoje, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o Estado abriga 51 shopping centers em operação (com duas inaugurações já realizadas esse ano), que somam 1.305.969 m² de Área Bruta Locável (ABL). O Estado deve encerrar 2026 com 52 empreendimentos, reforçando o potencial de crescimento do setor.
Para a diretora de Planejamento Estratégico e Operações da Associação Brasileira dos Shopping Centers (Abrasce), Gabriella Philippsen J de Oliveira, Minas Gerais, em terceiro lugar no ranking de unidades, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro, é fundamental para a expansão dos malls pelo Brasil.

“Minas reúne mercados extremamente consolidados e que são polos muito representativos do ponto de vista regional. Então, são pontos que olhamos com muita atenção e cuidado, porque são capazes de absorver grandes projetos. Temos comprovado isso por meio das inaugurações, por exemplo. No início de 2026, nós anunciamos 11 inaugurações, sendo três delas em Minas: Lavras (Sul de Minas), Uberlândia (Triângulo Mineiro) e na Capital”.
Quase cinco décadas depois, seguem exercendo um papel que vai muito além das compras na Capital. O BH Shopping e o Shopping Cidade (Hipercentro), por exemplo, são espaços que ajudaram a transformar regiões, impulsionar investimentos, gerar empregos e acompanhar as mudanças no comportamento dos consumidores.
Inaugurado em 1979, o BH Shopping nasceu quando a região Sul de Belo Horizonte ainda passava por um processo de expansão urbana. A aposta, considerada ousada para a época, acabou se tornando um dos motores do desenvolvimento do vetor Sul da cidade.

“O BH Shopping não apenas acompanhou o crescimento de Belo Horizonte, como ajudou a impulsionar esse desenvolvimento e se tornou parte da história e da memória afetiva de diferentes gerações”, afirma a superintendente do empreendimento, Simone Fiorello.
Hoje, o shopping reúne cerca de 460 lojas distribuídas em mais de 49 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), recebe aproximadamente 900 mil visitantes por mês e só em 2025, movimentou R$ 1,93 bilhão em vendas. Recentemente, o empreendimento concluiu uma expansão de cerca de R$ 30 milhões, que trouxe novas marcas nacionais e internacionais ao seu mix.
Segundo Simone Fiorello, a relevância econômica do BH Shopping vai além do varejo. “O empreendimento foi um dos grandes impulsionadores do desenvolvimento do vetor Sul de Belo Horizonte. Ao longo das décadas, acompanhamos a transformação do entorno em um dos principais polos residenciais, comerciais e empresariais da Capital. Esse movimento gerou valorização imobiliária, investimentos em infraestrutura, mobilidade e atraiu novos empreendimentos para a região”, destaca.
Ela acrescenta que o shopping também exerce papel estratégico para a economia mineira. “O BH Shopping é hoje um dos principais polos de varejo de Minas Gerais. Além de gerar receita, promove milhares de empregos diretos e indiretos, impulsiona o turismo e fortalece diversos segmentos da economia”, comenta.
No coração da Capital, conveniência e experiência caminham juntas
Se o BH Shopping ajudou a consolidar o crescimento da região Sul, o Shopping Cidade encontrou seu diferencial no coração da Capital. Inaugurado em 1991, o empreendimento nasceu com a proposta de oferecer praticidade e fácil acesso aos consumidores e, ao longo dos anos, ampliou esse conceito ao investir em serviços, lazer e entretenimento.
Com mais de 180 operações, cerca de 22 mil metros quadrados de ABL e taxa de ocupação superior a 99%, o shopping recebe, em média, entre 50 mil e 55 mil pessoas por dia. Para a superintendente Janaina Lima, o empreendimento soube se adaptar às transformações do comércio e do comportamento dos consumidores.

“O Shopping Cidade proporcionou facilidade de acesso para quem precisava resolver a vida no Centro. Hoje, mais do que nunca, nosso diferencial é oferecer serviços, lazer e conveniência. O cliente quer resolver tudo em um só lugar”, afirma.
Segundo ela, o crescimento do comércio eletrônico não reduziu a importância dos shoppings, mas mudou sua função. “O on-line não é um concorrente. É um complemento da loja física. O que percebemos foi uma redução no fluxo, mas um aumento no tempo de permanência e no valor gasto pelos consumidores. As pessoas vêm mais direcionadas e buscam experiências”, diz.
Além do comércio, o Shopping Cidade investe na revitalização do empreendimento e acompanha a transformação da região central de Belo Horizonte, marcada pela chegada de novos empreendimentos residenciais e projetos de retrofit.
“Queremos continuar sendo esse oásis no Centro da cidade. Estamos conectados com o movimento de revitalização da região e preparados para atender uma população cada vez maior, oferecendo serviços, gastronomia, lazer e entretenimento”, ressalta a superintendente.
Para ela, os shopping centers continuam desempenhando uma função importante na dinâmica urbana. “Somos uma cidade dentro da cidade. Geramos empregos, movimentamos negócios, prestamos serviços essenciais e criamos espaços de convivência que permanecem relevantes mesmo com todas as mudanças no varejo”, finaliza.
O Shopping Cidade ilustra bem as conclusões da mais recente edição do estudo “O Comportamento dos Frequentadores de Shopping Centers” da Abrasce que investigou a fundo as dinâmicas sociais e os hábitos de consumo dentro dos complexos, trazendo recortes inéditos sobre a Capital mineira:
Perfil do frequentador: O público de BH é marcadamente composto por jovens adultos e classes populares. Na distribuição da amostra local, 28% dos frequentadores têm entre 25 e 34 anos e 12% entre 18 e 24 anos. Na divisão por poder aquisitivo, 40% pertencem à classe C1 e 36% à classe C2.
Lazer coletivo e socialização com amigos: Belo Horizonte desponta como uma das capitais mais sociáveis no ecossistema dos shoppings. 66% dos belo-horizontinos vão acompanhados de familiares e 20% levam crianças. O grande diferencial está na amizade: 35% costumam ir com amigos, registrando a maior taxa de companhia de amizades entre as capitais do Sudeste avaliadas. Além disso, 12% costumam ir com colegas de trabalho.
Fidelidade distribuída: O consumidor de BH não se prende a um único local. Apenas 30% visitam um único shopping regular, enquanto 38% variam entre 2 estabelecimentos e 22% frequentam 3 shoppings diferentes de forma contínua.
Lavras inaugura uma nova etapa do desenvolvimento regional
Polo educacional e de tecnologia, Lavras, no Sul de Minas, acaba de ganhar seu primeiro shopping center, uma das três inaugurações previstas para Minas Gerais em 2026. De acordo com o gerente de Marketing do Shopping Cidade da Serra, Marcos Venicio, o investimento de R$ 125 milhões (incluindo o que foi investido pelos lojistas), deu origem a um empreendimento capaz de abrigar 126 operações, sendo 100 já em funcionamento e gerar mais de mil empregos diretos.
“O Shopping Cidade da Serra nasceu da união de empreendedores locais que entenderam que Lavras, com pouco mais de 110 mil habitantes, oferecia condições para receber um empreendimento de grande porte como o Cidade da Serra. Além da cidade, recebemos visitantes de outros 20 municípios da região, com uma população total de 320 mil habitantes”, explica Venicio.

Inaugurado em abril, o Shopping Cidade da Serra, com 16,8 mil metros quadrados de ABL e 99 operações, ajudou a levar operações inéditas para a cidade como McDonald’s, Drogaria Sidney Oliveira, além da Riachuelo, com inauguração marcada para agosto.
Fruto da parceria entre a ABX Gestão, sediada em Juiz de Fora (Zona da Mata) e Pemi Construtora, sediada em Lavras e outros investidores locais, o Cidade da Serra está localizado no entroncamento da BR 265, o shopping center tem localização privilegiada e ajuda a desenvolver a região que tem recebido investimentos públicos e privados.
“Estamos em uma região em pleno desenvolvimento, que vem recebendo empreendimentos como o Hotel Ibis e prédios públicos. o Shopping Cidade da Serra vem somar, abrindo postos de trabalho e ajudando a qualificar a mão de obra local. Agora estamos focados em consolidar o mall e participar ativamente da vida da comunidade”, completa o gerente de Marketing do Shopping Cidade da Serra.

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