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Sigma Lithium divulga monitoramento ambiental e reforça plano de expansão em Minas

94 das 95 campanhas de medição diurna e noturna ficaram plenamente dentro dos padrões
Sigma Lithium divulga monitoramento ambiental e reforça plano de expansão em Minas
Levantamento feito por especialistas terceirizados mostra que a empresa está operando até 560% abaixo dos limites legais de poeira | Foto: Divulgação Sigma Lithium

A Sigma Lithium divulgou o monitoramento ambiental coletado por especialistas terceirizados em quatro comunidades vizinhas à sua mina em Grota do Cirilo, no Vale do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.

Entre junho de 2025 e maio de 2026, os níveis de poeira medidos nas comunidades ficaram 560% abaixo do limite estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para partículas totais em suspensão. Para partículas finas, as mais prejudiciais à saúde, com diâmetro inferior a 10 e 2,5 micrômetros, a margem foi de 350%.

No monitoramento acústico, 94 das 95 campanhas de medição diurna e noturna ficaram plenamente dentro dos padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Quanto às vibrações, os registros sísmicos mal apareceram na escala do equipamento, números que poucos projetos de mineração no mundo conseguiriam apresentar.

A empresa ressalta que todos os dados foram produzidos por terceiros e não pela própria Sigma Lithium. Essa escolha metodológica transforma o monitoramento em evidência técnica de peso perante reguladores, investidores e o próprio Judiciário e demonstra a confiança da companhia em seus próprios resultados.

“Os dados fornecem evidências transparentes e objetivas de nossa dedicação à gestão ambiental e refutam diretamente alegações em contrário”, afirmou a vice-presidente de relações com investidores e global banking da companhia, Anna Hartley. A divulgação ocorre enquanto a empresa enfrenta alegações em tribunal local, atualmente em fase de recurso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), e a resposta da Sigma não veio por meio de advogados, mas de dados.

Expansão

A solidez ambiental chega em momento estratégico, conforme a empresa. A Sigma já anunciou a construção de uma segunda planta industrial em Grota do Cirilo, o que dobraria sua capacidade atual de 270 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio por ano, equivalente a cerca de 38 mil a 40 mil toneladas de carbonato de lítio equivalente (LCE). A empresa planeja colocar a segunda planta em operação até o início de 2027. Com um histórico ambiental desta consistência, as condições para avançar no licenciamento dessa expansão se tornam consideravelmente mais sólidas, conforme a empresa.

O mercado, por sua vez, caminha a favor, segundo a Sigma. Depois de enfrentar excesso de oferta desde meados de 2022 e preços pressionados em 2025, o lítio começa a mostrar sinais claros de recuperação, com projeções de déficit global entre 22 mil e 80 mil toneladas métricas de LCE em 2026, revertendo o superávit de 61 mil toneladas do ano anterior. A demanda global pelo mineral deve crescer entre 17% e 30% neste ano. Para uma empresa listada simultaneamente na Nasdaq, na TSX-V canadense e na B3 brasileira, a janela se abre num momento em que a Sigma apresenta exatamente o perfil que o mercado busca: operação sustentável, em expansão e com as contas em ordem.

Os números financeiros reforçam essa leitura. A Sigma registrou fluxo de caixa operacional de US$ 31 milhões no quarto trimestre de 2025, com margem operacional de 47%, e encerrou o ano com dívida total de US$ 141 milhões, 35% menor do que em 2024, fruto de disciplina financeira deliberada. A empresa ainda abriu uma nova frente de receita com o processamento de finos de lítio, gerando o que a própria companhia denomina um “prêmio de sustentabilidade”, inovação que ajudou a compensar a queda de 24% na produção de concentrado premium, que totalizou 183 mil toneladas no ano fiscal de 2025.

O impacto social das operações reforça ainda mais o argumento. A mina sustenta aproximadamente 19 mil empregos e beneficia cerca de 80 mil pessoas no Vale do Jequitinhonha, historicamente uma das regiões com menor índice de desenvolvimento humano do País. Há mais de dois anos sem nenhum acidente com afastamento registrado nas instalações. A planta Greentech opera com empilhamento a seco de rejeitos, reutilização integral da água do processo, zero uso de produtos químicos tóxicos e energia 100% renovável, um conjunto de práticas que coloca a Sigma entre as operações de mineração mais sustentáveis do mundo e facilita o acesso a compradores europeus e asiáticos com critérios ESG cada vez mais exigentes.

O desfecho do recurso no TJMG, o cronograma de licenciamento da segunda planta e a trajetória dos preços do lítio são os fatores que os analistas devem acompanhar nos próximos trimestres, conforme a empresa. A companhia já projeta entradas de caixa de US$ 96 milhões no segundo trimestre de 2026, incluindo US$ 83 milhões de dois acordos de fornecimento recentemente assinados.

Eventos em Minas colocam sustentabilidade e gestão de pessoas no centro da mineração

Minas Gerais, maior polo minerador do Brasil, concentra em junho dois eventos que colocam em pauta temas centrais para o futuro do setor: sustentabilidade, descarbonização e gestão estratégica de pessoas.

No dia 10 deste mês, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) sedia o Conexão Verde BDMG Descarboniza, evento que reúne empresas e especialistas em torno de soluções sustentáveis aplicadas aos negócios. O encontro acontece das 14h às 17h na sede do banco, na rua Bernardo Guimarães, 1.600, no bairro Lourdes, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

O evento conta com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Agência de Promoção de Investimento do Estado de Minas Gerais (InvestMinas) e do governo de Minas Gerais. As inscrições podem ser feitas pelo site do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Uma semana depois, no dia 17 de junho, é a vez da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), na rua dos Timbiras, 1.514, também na região Centro-Sul de Belo Horizonte, receber o seminário Gestão Estratégica de Pessoas na Mineração, promovido pela Aurion Business Connection. O evento ocupa o dia inteiro, das 8h às 18h, e propõe um debate aprofundado sobre os desafios humanos e organizacionais de um setor em transformação acelerada.

A agenda do seminário parte de um diagnóstico urgente: a mineração mineira emprega cerca de 74 mil trabalhadores diretos, aproximadamente 30% de todos os postos formais do setor no Brasil, movimenta cadeias produtivas complexas e deve receber R$ 68,4 bilhões em investimentos até 2029, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Ao mesmo tempo, as exigências sobre segurança operacional, ESG e inovação tecnológica crescem em ritmo que nem sempre é acompanhado pelas práticas de gestão de pessoas.

Entre as questões que devem pautar o debate estão: se os aprimoramentos tecnológicos têm de fato aumentado a produtividade da cadeia produtiva; se os investimentos em gestão de pessoas têm sido suficientes para aproveitar o potencial dessas novas tecnologias; e como as demandas de compliance ESG têm impactado o planejamento estratégico das empresas do setor.

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