Solução Móveis investe R$ 60 milhões em nova fábrica em Caratinga e vai triplicar produção

Solução Móveis investe R$ 60 milhões em nova fábrica em Caratinga, com automação industrial, ampliação da produção e diversificação de produtos
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Solução Móveis investe R$ 60 milhões em nova fábrica em Caratinga e vai triplicar produção
Parte do aporte, R$ 30 milhões, foi viabilizado pelo BDMG, o restante é de recursos próprios | Foto: Divulgação Solução Móveis

A indústria moveleira Solução Móveis está investindo R$ 60 milhões em uma nova unidade industrial em Caratinga, na região do Vale do Rio Doce. Além de triplicar a capacidade instalada, a ideia é também diversificar a atuação no mercado. Com a modernização, a fabricante mineira projeta faturamento de R$ 500 milhões até 2032, ante aproximadamente R$ 145 milhões registrados em 2025.

A nova planta substituirá a estrutura atual, instalada em um imóvel alugado de 5 mil metros quadrados (m²) em Santana do Paraíso, também no Vale do Rio Doce. Conforme o CEO da Solução Móveis, Vinicius Rodrigues Pereira, que tem como sócio o irmão, Fabrício Pereira, o empreendimento ocupará uma área própria de 60 mil metros quadrados e deverá abrigar uma das operações mais tecnológicas do setor no País. A expectativa é iniciar a mudança, os testes de produção e os treinamentos em fevereiro e inaugurar a unidade em julho de 2027.

Do investimento total de R$ 60 milhões, cerca de R$ 30 milhões correspondem a financiamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), destinado principalmente à aquisição de máquinas e tecnologias, além de adequações estruturais. Os outros R$ 30 milhões são recursos próprios da companhia.

A operação foi viabilizada pelas linhas de inovação do banco, que, desde 2023, já contratou R$ 1 bilhão em créditos para iniciativas desse perfil em Minas Gerais. A disponibilidade de financiamento em condições favoráveis foi determinante para viabilizar o projeto. “Se não houvesse esse dinheiro disponível no mercado, seria impossível investir”, explicou Vinícius Pereira.

O investimento contempla máquinas da indústria 4.0 importadas e que permitirão ampliar a capacidade produtiva de 3 mil peças para cerca de 9 mil peças por dia. O planejamento da nova indústria começou em 2019, quando os sócios passaram a visitar vários países para conhecer tecnologias e avaliar equipamentos capazes de elevar a eficiência industrial.

“Em 2019, quando achamos que era o momento de construir uma nova planta, viajamos para algumas partes do mundo onde essa tecnologia era mais abundante. Nós fomos para os Estados Unidos, Itália, China, Alemanha, para conhecer as máquinas e equipamentos. Estamos colocando na unidade o que há de mais moderno no mercado”, disse.

Atualmente, a produção da Solução Móveis é dedicada ao mobiliário escolar para o setor público, com atendimento em todo o Brasil. A indústria produz mesas, cadeiras, móveis para refeitórios e bibliotecas. A nova unidade manterá essas linhas e permitirá atender escolas e universidades particulares, ampliando a presença no mercado.

A estratégia, segundo Pereira, inclui ainda a produção de móveis corporativos de madeira, armários e estantes de aço, soluções para data centers e produtos destinados à construção civil e ao mercado de móveis planejados. A diversificação busca ampliar as fontes de receita e reduzir a exposição às oscilações de um único segmento.

“Nós entendemos que a nova fábrica não é para simplesmente aumentar a capacidade no mercado, onde você continua exposto às sazonalidades e, se tiver algum problema, não consegue resolver. Então, a diversificação dos produtos e dos mercados atendidos tem a intenção de estar posicionado em mercados diferentes”.

As linhas terão produtos de aço, madeira, plástico e outros materiais. Com tecnologia avançada, na linha de madeira, a empresa prevê uma operação autônoma que permitirá fabricar o móvel desde o início do processo até a embalagem, reduzindo a necessidade de mão de obra.

Para o empresário, a tecnologia será essencial para competir em mercados cada vez mais exigentes. “Hoje, a China, o mercado europeu e o americano contam com empresas muito tecnológicas e eficientes. E, se a gente não tiver um parque fabril próximo aos deles, não vamos conseguir competir, já que as indústrias internacionais operam com elevados níveis de automação e eficiência”, disse.

Pereira destaca que o custo do dinheiro e da mão de obra qualificada no Brasil pressiona a competitividade industrial. Nesse cenário, o crédito direcionado à inovação permite financiar equipamentos que seriam difíceis de viabilizar com as taxas convencionais de mercado.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.