Construtora Sudoeste adota aço que reduz em até 68% emissões de carbono em BH

Construtora Sudoeste utiliza aço XCarb em empreendimento residencial de Belo Horizonte e avalia adotar o material em todos os projetos
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Construtora Sudoeste adota aço que reduz em até 68% emissões de carbono em BH
Primeiro projeto a incorporar integralmente a tecnologia é o Aldea Pernambuco, localizado na Centro-Sul de Belo Horizonte | Foto: Divulgação Sudoeste Construtora

Em busca de uma produção cada vez mais sustentável, a Construtora Sudoeste, com sede em Belo Horizonte, iniciou a utilização de aço de baixa emissão de carbono em um empreendimento residencial e pretende ampliar a iniciativa para todos os projetos. A estratégia, desenvolvida em parceria com a ArcelorMittal, busca incorporar práticas sustentáveis à construção civil sem elevar os custos, em um mercado em que preço e a localização continuam sendo fatores decisivos para a compra de imóveis.

O material utilizado é o XCarb, da ArcelorMittal, produzido a partir de sucata de aço e com energia renovável. O primeiro projeto a incorporar integralmente a tecnologia é o Aldea Pernambuco, em construção na região Centro-Sul de Belo Horizonte e com previsão de entrega em 2029. Conforme a Arcelor, o processo de fabricação do XCarb reduz significativamente as emissões de carbono. No caso do Vergalhão CA50 XCarb, a redução é de até 68% nas emissões de gases de efeito estufa (CO₂e) durante a fabricação, quando comparado ao CA50 convencional.

De acordo com o diretor de engenharia da Construtora Sudoeste, Diogo Dias, a adoção do XCarb ganhou relevância quando a empresa identificou a possibilidade de adotar uma medida com impacto ambiental mais expressivo. A construtora já desenvolve iniciativas relacionadas à sustentabilidade e busca avançar em práticas alinhadas aos critérios ambientais, sociais e de governança (ESG), porém o impacto ainda era pequeno.

Para a adoção do aço verde, a viabilidade financeira também foi determinante. Segundo Dias, a parceria com a Arcelor permitiu negociar o fornecimento do XCarb pelo mesmo custo do aço convencional, sem necessidade de repassar uma despesa adicional ao comprador.

“Quando a Arcelor apresentou o aço XCarb, chamou minha atenção porque entendi que realmente poderíamos fazer algo mais relevante. A produção do aço verde reduz em até 70% a pegada de carbono em comparação com a fabricação de um aço normal. Como o mercado está muito competitivo, tivemos que negociar para que o custo fosse mantido. Hoje, o cliente olha, principalmente, o preço e a localização para adquirir um imóvel. Ele acha a sustentabilidade interessante, mas ainda não paga mais por isso. Então, precisamos encontrar uma solução que permita continuar competitivos”, explicou.

A meta da construtora é utilizar o aço sustentável em 100% dos projetos, incluindo os imóveis da Zip, marca voltada ao segmento econômico, e onde o controle dos custos tem peso ainda maior.

A utilização do produto exige planejamento antecipado, já que o fornecimento depende de remessas programadas e de uma organização específica da produção, incluindo as etapas de corte e dobra do aço. A construtora e a siderúrgica precisam alinhar cronogramas para garantir o abastecimento da obra. Segundo Dias, a experiência inicial tem ocorrido dentro das condições previstas de custo e prazo.

A iniciativa também pretende ampliar a discussão sobre o uso de materiais de menor impacto ambiental na construção civil mineira. Para Dias, a adoção do aço XCarb pode mostrar a outras empresas do setor que é possível incorporar esse tipo de solução sem comprometer a viabilidade econômica dos projetos.

“Vejo a Sudoeste como uma empresa que está atenta às questões de sustentabilidade, mas não é só isso. Queremos que outras construtoras enxerguem que é possível fazer, que dá para utilizar esse aço sem aumentar o custo. Esse é também o propósito de dar o primeiro passo”, explicou.

Conforme a Arcelor, a produção do Vergalhão CA50 XCarb é baseada nos princípios da economia circular e no uso de energia renovável. O aço é produzido pela rota de forno elétrico a arco (EAF), tecnologia que utiliza sucata metálica como principal matéria-prima, em vez do minério de ferro utilizado na rota tradicional de alto-forno. A matéria-prima metálica utilizada é reciclada e o processo produtivo utiliza 100% de energia elétrica renovável e certificada, de origem eólica.

“Na ArcelorMittal, inovação, sustentabilidade e circularidade caminham juntas. O aço XCarb representa esse compromisso ao combinar alto desempenho, conteúdo reciclado, energia renovável e dados ambientais certificados, oferecendo uma solução concreta para a descarbonização da construção civil”, explicou o vice-presidente comercial da ArcelorMittal Brasil no segmento de Aços Longos, Gustavo Canaan.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.


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