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Opinião

Aguinaldo Diniz Filho*

Foi preciso uma tragédia do porte da que aconteceu em Brumadinho e causou a morte, até agora, de 110 pessoas e o desaparecimento de outras 275, para que a direção da Vale anunciasse, apressadamente, uma série de providências, inclusive a de investir R$ 5 bilhões para desativar suas barragens, plano só agora anunciado aos governos federal e estadual.

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Percebe-se, porém, que há um grave equívoco em se atribuir à Vale, à companhia, como vem se fazendo, a responsabilidade pelo desastre de Brumadinho. E por um motivo simples: a Vale (aliás, como qualquer empresa) é simplesmente um empreendimento, um ente jurídico que não toma decisões nem atitudes e muito menos manifesta vontades ou intenções. Quem o faz são aqueles que a dirigem. Responsabilidades existem, é claro, e é justo que a sociedade as cobre.

O que não é justo é que a companhia seja sacrificada e tenha sua imagem desgastada junto à opinião pública quando os responsáveis pela tragédia são aqueles que a dirigem e que tomam as decisões. E que, simplesmente, deveriam ser afastados da empresa (o que, aliás, é uma possibilidade que já se cogita) e processados criminalmente após o devido processo legal e com a urgência que se faz absolutamente necessária.

O fato é que não se pode mais tolerar que tragédias como a de agora, uma calamidade que traz consigo uma crise humanitária, assim como a de Mariana, há apenas três anos, continuem a acontecer. E mesmo que a direção da Vale – a atual ou, mais provavelmente aquela que a suceda – realmente transforme a intenção em gesto, não há como isto acontecer da noite para o dia. Há, no Brasil, nada menos que 756 barragens, sendo 56 delas classificadas como de alto potencial de risco, 51 das quais em Minas Gerais.

A direção da Vale, provavelmente acuada pelo desastre, informou que vai desativar 10 de suas barragens, o que implicará em redução de 40 milhões de toneladas em sua produção e em investimentos de R$ 5 bilhões para a desativação das barragens. Anunciou também que preservará suas atividades em Minas Gerais, uma clara exigência da sociedade.  É importante que isto se faça. Em um momento de alarmante desemprego, com mais de 13 milhões de pessoas sem ocupação formal, a preservação de uma companhia como a Vale assume uma importância social e econômica de que o Brasil necessita muito. Pelo ocorrido, a Vale não poderá tirar o pé de Minas pois tem um compromisso moral e social com o Estado onde ela surgiu.

É diante deste contexto que a Associação Comercial e Empresarial de Minas, uma das mais antigas entidades associativas do País, que se orgulha de ter sido o berço de empresas como a Fiat e a Usiminas, reconhece a importância da Vale e defende a preservação da companhia. Mas defende, também, a punição rigorosa dos responsáveis pela calamidade. É digna de registro a manifestação de solidariedade do presidente Jair Bolsonaro, que apenas 20 horas após a tragédia e às vésperas de uma cirurgia, esteve no local para solidarizar-se com as vítimas, quando prometeu ajuda do governo federal.

Da mesma forma, a ACMinas destaca a pronta ação do governador Romeu Zema, que, além de sua presença quase imediata no local do acidente, envolveu praticamente todos os órgãos de sua administração no socorro aos atingidos, especialmente o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e a Defesa Civil que, com importante colaboração do governo de Israel e dos próprios moradores, vêm realizando um trabalho heroico. Também participam deste esforço Bombeiros das corporações de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Alagoas e Rio Grande do Norte.

A marca Vale, felizmente, nos vem à lembrança não por erros que, como este, são típicos do descaso de sua atual gestão, e também à ação de fiscalização dos Poderes Públicos, mas pelos resultados. Em Minas Gerais, a companhia é responsável pela criação de 26 mil empregos, entre diretos e indiretos, por investimentos de R$ 14,7 bilhões e pela geração de R$ 1,1 bilhão em impostos. Sua produção anual de minério de ferro é de 141 milhões de toneladas, além de 93 milhões de toneladas de manganês e de 8 milhões de toneladas de pelotas.

É esta a Vale que queremos, a Vale que precisa ser preservada.

  • Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas
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