Caso Master ainda vai dar muito pano pra manga
“Bolsonaro é Pix; Lula é Master” (Refrão publicitário retirado às pressas de circulação)
A oposição bolsonarista não se deu bem na solerte tentativa de despejar no colo lulista a responsabilidade por inteiro do impactante escândalo do Banco Master. Como demonstra o noticiário, a guerra de narrativas transformou o caso em um verdadeiro “cabo de guerra” ideológico. Os argumentos do grupo governista, devolvendo aos adversários a pecha da culpabilidade nos fraudulentos e bilionários negócios do clã Vorcaro, vêm encontrando estridente respaldo nas bem conduzidas investigações da Polícia Federal.
As revelações já trazidas a público tornam plausível a tese de que a engrenagem da estrondosa maracutaia foi caprichosamente montada e lubrificada bem antes de 2023. As recentes apurações flagraram “com a mão na botija” uma fileira de próceres políticos engajados na militância oposicionista. Fica bem evidenciado que a operação batizada de “Compliance Zero” trouxe à claridade solar conexões profundas entre o topo do ecossistema político bolsonarista e os escusos interesses do banco. O entrelaçamento gerou em Brasília, na maledicência das ruas, a chistosa historieta de que o chamado Centrão merece ser agora apelidado de “banco do Centrão”.
O primeiro personagem de grande realce das hostes oposicionistas enredado com a trama foi justamente o líder do Centrão, senador Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil. Contra ele pesam várias acusações; a mais grave é a de que recebia, como “ajuda de custo” para gastos domésticos, a bagatela de R$ 300 mil a R$ 500 mil mensais.
Outro senador, pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), desfrutou de estreita camaradagem com Daniel Vorcaro, dele obtendo grana polpuda supostamente destinada a um longa-metragem sobre o pai, Jair Bolsonaro. Especialistas em cinematografia garantem que o valor estipulado supera de longe o orçamento de qualquer superprodução.
A teia de favores e espúrias conveniências alcançam ainda mais um oposicionista: o governador fluminense, Cláudio Castro. O recesso de seu lar foi devassado por mandados judiciais sob a acusação de ter aposto sua chancela no direcionamento de everestiana quantia do fundo Rioprevidência para as arcas do combalido Master.
Outro governador da oposição que viu seu “filme queimado” por conta de ligações escabrosas com o banqueiro — hoje recolhido à Papuda — foi Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, principal responsável pela débâcle financeira do banco regional de Brasília (BRB).
Além do provável indiciamento de mais um punhado de políticos do grupo já identificado, novos nomes, talvez de outras legendas, poderão ser apontados no correr das diligências policiais, tendo em vista as negociações em torno das delações premiadas.
Dúvida alguma persiste quanto à certeza de que o caso Master renderá ainda muito pano pra manga…
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