Um mundo mais pacífico começa com oportunidades
A paz sem esperança no futuro não é sustentável. Guerras nunca nascem de uma única causa, mas sociedades marcadas pela desigualdade, falta de perspectiva e ausência de oportunidades se tornam mais frágeis e vulneráveis a conflitos. Por isso, garantir trabalho, renda e dignidade é um caminho seguro para promover a cultura da paz.
Hoje, quase 130 conflitos armados acontecem no mundo, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha — número que praticamente dobrou nos últimos quinze anos. Muitas dessas disputas têm relação com a distribuição desigual de recursos econômicos, sociais, geográficos ou naturais. Nesse sentido, falar de paz é também falar sobre como as pessoas se organizam social e economicamente.
O cooperativismo parte da percepção de que pessoas com necessidades comuns podem construir respostas coletivas e gerar prosperidade econômica e social. Atualmente, cerca de 3 milhões de cooperativas movimentam a economia em mais de cem países. Elas organizam produtores, oferecem serviços financeiros, geram trabalho e renda, e reinvestem parte de seus resultados nas comunidades onde atuam. Com isso, ajudam a reduzir necessidades coletivas e a promover mais confiança, cooperação e estabilidade social.
Aqui, no Brasil, os municípios onde há cooperativas têm, em média, em torno de 28 empregos formais a mais para cada 10 mil habitantes, além de mais estabelecimentos comerciais e maior dinamismo econômico, com aumento de R$ 5,1 mil no PIB per capita. Os dados são de um estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o Sistema OCB — entidade de representação maior do cooperativismo brasileiro.
Em Minas Gerais, o impacto é significativo. Aqui, 788 cooperativas geram mais de 64 mil empregos, movimentam 15,9% do PIB estadual e impactam positivamente a vida de 60% da população, contribuindo para reduzir desigualdades, melhorar a qualidade de vida e promover um futuro mais justo, sustentável e pacífico. E quando falo em reduzir inseguranças e criar condições para que mais pessoas sigam em frente onde vivem, falo do pequeno produtor que permanece no campo porque se organiza coletivamente para produzir e negociar melhor; do microempresário que vê a economia da cidade voltar a circular com uma cooperativa de crédito; das famílias que contam com assistência em saúde; e de iniciativas que ampliam oportunidades pela educação.
Neste sábado (4), cooperativas de 107 países celebram o papel desse modelo de negócios na promoção da cultura da paz. Elas integram um movimento global organizado pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) para divulgar o cooperativismo, o CoopsDay (Dia Internacional do Cooperativismo), comemorado no primeiro sábado de julho desde 1923. Neste ano, a mobilização tem a paz como eixo, a partir da ideia de que a ausência de guerra não basta; é preciso construir justiça, inclusão e confiança.
É por essa dimensão humana que o cooperativismo se conecta à promoção da paz, não como uma ideia distante, mas como uma prática cotidiana ligada às condições de vida que as organizações do setor ajudam a construir para milhões de pessoas.
Ouça a rádio de Minas