Caos e Poesia: Um senhor espetáculo musical!
“Arte é pura catarse”. (Carol Saletti – Dirigente da Escola e Espaço de Dança Casulo)
Já contei aqui.Volto a fazê-lo. Sou fissurado em espetáculo musical. No Teatro, no cinema e em palcos improvisados. Imagino que todo esse fascínio advenha da remota infância. Da participação ativa que tive, ao lado do saudoso mano Augusto Cesar Vanucci, em programações litero-musicais nas estações de rádio, escolas e outros recintos abertos a manifestações artísticas, nos bons tempos da meninice. Faço presente às recordações, a propósito, que Augusto Cesar, como diretor da Linha de Shows da Globo, tornou-se o primeiro brasileiro a ser agraciado com o “EMI Internacional” e o “Ondas Europeu”, em razão do “Arca de Noé”, estrondoso sucesso dos anos 90.
Ao longo dos anos, acostumei-me a assistir todas às grandes encenações musicais levadas efeito em teatros do Rio e outras capitais. Aplaudi com entusiasmo as performances da prodigiosa Bibi Ferreira em “Alô Dolly”, “My fair Lady”, “Bibi canta Piaf” e outras magnificas peças musicais. Permito-me anotar outra vez que meu irmão contracenou com Bibi em “Dolly” e foi protagonista central das comédias musicais ”Como vencer na vida sem fazer força”, “Vamos brincar de amor em Cabo Frio”, “Feitiço na Vila”, com Elizete Cardoso. Atuou também em “Louras e morenas”, com Agildo Ribeiro, Renata Fronzi e Mara Rúbia. Levou para a televisão, onde produziu extensa serie de musicais memoráveis, experiência adquirida no teatro e no cinema. Pertence-lhe o mérito de haver dirigido alguns dos melhores cartazes musicais já projetados na telinha. Criou e dirigiu o “Fantástico”.
Tenho assim por certo que na condição de espectador de centenas de espetáculos (sem contar filmes como“Sinfonia em Paris” e “Retratos da Vida” vistos repetidas vezes), não careço de credenciais para distinguir o que seja um bom espetáculo, um esplêndido espetáculo, um arrebatante espetáculo.
Anotem aí: estas exclamações ajustam-se como luva ao espetáculo “Caos e Poesia”, que presenciei, dias atrás, no Teatro do Sesi Minas. Elenco composto de 190 mulheres, de 35 a 90 anos de idade, alunas da Escola e Espaço de Dança Casulo, brindou plateias em sessões corridas superlotadas, num fim de semana, com representação de grandiloquente estilo. Os aplausos e os “bravos” vibrantes ouvidos ao final de cada um dos 4 atos e 19 arranjos coreográficos trazidos à cena, deixaram à mostra emocionante interação, raramente observadas noutros momentos, entre artistas e público. O magistral enredo, texto lírico contemplando incongruências da aventura humana, as sugestivas figurações coreográficas, o bailado de luzes, as marcações de palco, as eletrizantes partituras musicais – tudo isso remetendo ao talento e fecunda criatividade da idealizadora e produtora do espetáculo Carol Saletti – deixou gravado na memória dos que assistiram “Caos e Poesia” lembranças inesquecíveis, junto com um desejo de “quero mais”.
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