Café sem Filtro

Café Especial vs. Café Tradicional: Entenda as Diferenças

É preciso saber que não existe um “melhor” café, mas sim aquele que mais combina com o seu paladar e ocasião
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00

O café é uma paixão nacional e faz parte do nosso dia a dia, seja para começar a manhã com energia ou para acompanhar uma boa conversa. Mas você já se perguntou qual é a real diferença entre o café tradicional e o café especial?

O café tradicional, aquele facilmente encontrado nos supermercados, é produzido em larga escala e geralmente resulta de uma mistura de grãos de diferentes qualidades, incluindo algumas imperfeições naturais. Para uniformizar o sabor, ele passa por uma torra mais intensa, o que acentua seu amargor e corpo, muitas vezes mascarando as nuances naturais dos grãos.

Já o café especial não recebe esse nome apenas por ser algo único ou exclusivo, como sugere o dicionário. O termo faz parte de uma classificação técnica dentro da régua de qualidade dos cafés. Ou seja, “especial” não é apenas um adjetivo, mas um conceito que segue critérios rigorosos.

Para ser considerado especial, o café deve ser produzido majoritariamente com grãos 100% Arábica e passar por uma avaliação criteriosa de especialistas. Seguindo a metodologia da Specialty Coffee Association (SCA), ele deve atingir nota superior a 80 pontos. Por aqui, gostamos de dizer que o café especial é o “novo vinho”, pois oferece uma experiência sensorial mais rica, com notas que podem lembrar frutas, chocolate, castanhas e uma acidez equilibrada.

A seleção do café especial envolve um controle de qualidade rigoroso, analisando visualmente e sensorialmente os grãos. Para obter essa classificação, o café deve apresentar um índice mínimo de defeitos e um perfil sensorial bem definido. Essa análise leva em conta fatores como doçura, acidez, corpo, uniformidade e finalização, sendo a pontuação final determinante para seu valor e demanda no mercado.

O Brasil desempenha um papel de destaque na produção de café especial, consolidando-se como um dos maiores produtores e exportadores do mundo. Grãos brasileiros já foram premiados internacionalmente e atingiram recordes de pontuação, reforçando a qualidade do nosso terroir. Regiões como Cerrado Mineiro, Mogiana Paulista e Sul de Minas são reconhecidas por lotes excepcionais que encantam consumidores e especialistas ao redor do globo.

Logo, não existe um “melhor” café, mas sim aquele que mais combina com o seu paladar e momento. O café tradicional continua sendo a escolha de muitos brasileiros por praticidade e memória afetiva. Já o café especial convida a uma experiência sensorial mais aprofundada, valorizando cada detalhe da bebida.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Sobre o autor

Juliane Maciel

Diretora executiva na Loop Vídeo, diretora de negócios na Oitenta Café, sócia na Oliva Comunicação, embaixadora do Capitalismo Consciente, conselheira consultiva, articulista no OCI, colunista no Diário do Comércio e entusiasta do mundo dos cafés.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas