Em nota distribuída no final de semana, a Federação Brasileira de Geólogos manifesta seu pesar e indignação com o rompimento da barragem de contenção na Mina do Feijão, em Brumadinho, pouco mais de três anos após o desastre da Samarco, em Mariana. E chama atenção para a urgente necessidade de uma ação conjunta das autoridades, órgãos públicos e empresas privadas no rumo de uma mudança completa na gestão e fiscalização das barragens no País, não somente as de rejeitos, mas igualmente as de reservatórios de água, em hidrelétricas ou não.

Para a entidade, é preciso entender o que realmente está acontecendo, tendo em conta, sobretudo, pareceres de auditores e agências oficiais de controle dando conta de que tudo estava dentro das normas e parâmetros de segurança, avaliações que agora se comprovam absolutamente equivocadas. É urgente determinar, dizem os geólogos, o que realmente acontece nos modelões de auditoria e monitoramento dessas barragens, principalmente apurar se questões econômicas estariam prevalecendo sobre a segurança e a técnica. E lembra que em Minas Gerais existem 685 estruturas desse tipo cadastradas, das quais apenas 22 não têm sua estabilidade atestada. Os números apontados bastariam para produzir tranquilidade, não fosse o fato de que as duas barragens que romperam, em Mariana e Brumadinho, eram dadas como estáveis e seguras.

A comoção, diante de perdas de dimensão humana cuja extensão não é ainda conhecida, reforça a necessidade do mais exato conhecimento dos fatos e, como consequência direta, a impositiva adoção de padrões de segurança compatíveis com os valores a preservar. Todos nós, mineiros em especial, temos plena consciência da importância da indústria mineradora e de seu potencial de produzir resultados econômicos que são essenciais ao Estado. Tal consciência também deve ser uma medida de prudência, de cuidados que, tudo faz crer, são de alguma forma e em algum momento desdenhados e, tanto pior, em unidades ligadas à maior mineradora de minério de ferro do planeta, que, mais que abandonar seu antigo nome – Companhia Vale do Rio Doce –, parece abandonar também valores que na realidade não se pode sequer negligenciar.

A comoção, como temos visto agora em torno de Brumadinho, produz mobilização, antecipa a realização de investigações rigorosas e anuncia também punições em escala proporcional, além de multas que aparentemente nunca são de fato cobradas. Que a inédita movimentação de autoridades em Brumadinho nestes dias, a começar do presidente da República, seja de fato sinal de compreensão e comprometimento. E de mudanças que preservem também a sanidade da indústria minerária, cuja importância nos é particularmente relevante.