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Opinião
Crédito: Reprodução

Por falta de recursos, evidências, simultaneamente, de problemas de gestão e de corrupção, o País perdeu a capacidade de investir em obras de infraestrutura, especialmente nas áreas de transporte e energia, o que reduz a competitividade e a atratividade de sua economia. E já não se trata de falar em obras novas, capazes de absorver a expansão da frota de veículos a motor ou atender às necessidades de mobilidade. Chegamos a um ponto crítico em que a questão passa a ser a deterioração das obras existentes, por falta de manutenção.

Ocorrências que apontam nessa direção se multiplicam de maneira alarmante, a última delas o desabamento parcial de uma ponte no Pará, crucial para a circulação na região metropolitana de Belém. O colapso parcial foi atribuído à colisão de uma embarcação com um dos pilares da ponte, mas investigações posteriores revelaram que faltavam defensas para proteger o pilar, e que estacas estavam comprometidas por falta de manutenção.

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Em síntese, as mesmas razões para o colapso de trechos de dois viadutos em São Paulo e outro em Brasília, tudo isso em pouco mais de um ano. Problemas foram detectados também em usinas hidrelétricas, algumas já se aproximando do fim da vida útil. Apenas para as usinas Jupiá e Ilha Solteira, entregues em regime de concessão a uma empresa chinesa, reformas demandarão investimentos de R$ 3 bilhões em dez anos.

Levantamento da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), recentemente divulgado aponta que apenas para cobrir a depreciação da infraestrutura que já existe, nas áreas de transportes, logística, energia, telecomunicações e saneamento, o Brasil terá que investir o equivalente a 1,9% de seu PIB, aportes que no ano passado não foram além de 1,6%.

Para atender às necessidades de manutenção e conservação e, ao mesmo tempo, realizar a expansão necessária, os investimentos subiriam ao equivalente a 4,5% do PIB nacional e precisariam ser mantidos ao longo dos próximos dez anos.

Por óbvio, sem investimentos, o que já existe se perde e, no caso brasileiro, em 1986 a infraestrutura representava 58% do PIB, valor hoje reduzido a 36%. Falando apenas de rodovias, espinha dorsal do sistema de transportes no País, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) assinala a existência de 16 mil quilômetros de estradas em situação precária, cuja recuperação demandaria investimento de R$ 53 bilhões.

Para o corrente ano os investimentos previstos em toda a área de transportes não irão além de R$ 6,6 bilhões, segundo os números apresentados pela administração federal. A disparidade anotada é também da distância entre o problema e sua solução ou razões de sobra para que sejam ainda maiores as preocupações de todos aqueles que verdadeiramente se preocupam com o futuro do Brasil e dos brasileiros.

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