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Opinião
Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Aristoteles Atheniense *

Forte viés ideológico comprometeu a nossa política externa em 2019. Para isto contribuiu a escolha do chanceler Ernesto Araújo e do assessor para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, ambos filiados a Olavo de Carvalho, que foi o responsável pelas suas indicações.

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Já nos primeiros dias de sua gestão, Bolsonaro questionou a possibilidade de um relacionamento satisfatório com a China, nosso principal parceiro, difundindo o refrão de que aquele país estaria propenso a “comprar o Brasil”.

Esta suspeita deixou de existir com a visita do vice-presidente Hamilton Mourão ao Oriente e, sobretudo, com a reunião dos Brics, que contou com a presença do mandatário chinês, Xi Jinping.

Em face do que antes havia sustentado, não faltou quem dissesse que essa aproximação decorreu da pressão exercida por empresários brasileiros interessados na realização de negócios bilionários.

O alinhamento com os Estados Unidos contribuiu para que o Brasil deixasse a sua postura tradicional na ONU, contrária ao embargo econômico de Cuba.  A nova posição, tendo como parceiros somente Israel e a nação interessada, serviu para demonstrar a força exercida por Donald Trump, que se tornou o ícone do presidente brasileiro.

Tomado dessa incontida benquerença, Bolsonaro chegou a anunciar a remoção de nossa embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Se havia interesse em agradar ao eleitorado evangélico, a iniciativa importou, também, em desagrado aos países árabes, importantes compradores da carne nacional.

O entrevero com a França teve início com a queimada na Amazônia, chegando a atingir até a esposa do presidente Emmanuel Macron. Não menos provocante foi a recusa do presidente em receber o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, sob o pretexto de que não dispunha de tempo em sua agenda, embora aparecesse em vídeo cortando o cabelo no horário anteriormente marcado.

Com o visível propósito de desafiar Nicolas Maduro, Bolsonaro recebeu com todas as honras de presidente o líder opositor Juan Guaidó, que se autoproclamou o novo dirigente da Venezuela.

Às vésperas da eleição na Argentina, Bolsonaro assumiu posição favorável ao presidente Mauricio Macri, candidato à reeleição, tecendo considerações desairosas à chapa peronista da oposição.

Essas restrições subsistiram mesmo após ser conhecido o resultado do pleito, tendo Bolsonaro se recusado a cumprimentar o candidato eleito, Alberto Fernández. A animosidade contra a Argentina beira ao absurdo pelo fato deste país ser o nosso terceiro maior parceiro comercial.

O primeiro ano do governo Bolsonaro foi marcado por vários solavancos, em desacordo com a linha tradicional do Itamaraty.

Assim, levado por princípios culturais superados, ao invés de adotar um pragmatismo construtivo, o Brasil corre o risco de perder a liderança do bloco sul-americano caso em 2020 persista nessa linha de submissão permanente ao governo norte-americano, além de incompatibilizar com vizinhos tradicionais.

Pelo que de errado e contraproducente ocorreu em seu primeiro ano de governo, Bolsonaro deve adotar uma política menos ideológica e mais produtiva. O nosso País não pode ficar à mercê de simpatias pessoais do atual presidente e de costas para outras nações com que sempre mantivemos relações não só amistosas, como compensadoras.

* Advogado, Conselheiro Nato da OAB e Diretor do IAB

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