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Opinião

Impactos de Brumadinho na economia brasileira

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Maurice Kattan*

Houve um tempo em que se brincava bastante com a inexatidão dos serviços de meteorologia. Falava-se que “se o ‘homem do tempo’ disse que vai chover, prepare-se para um dia de muito sol”. Os anos se passaram, os instrumentos meteorológicos tornaram-se cada vez mais sofisticados e, hoje, as previsões costumam ser bem certeiras.

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Com a economia também é assim. Anos e anos de observações do comportamento dos mercados, da interface entre atividade econômica e política e dos players, sejam eles públicos ou privados, que influenciam os rumos de uma determinada região, nos deram elementos suficientes para prever com razoável grau de confiabilidade quais são as perspectivas de crescimento, de meta inflacionária, de variação cambial e outros fatores.

Mas sempre existe o imponderável. A tragédia de Brumadinho – que não nos cabe discutir, neste artigo, se foi causada por ineficiência da empresa, inoperância do poder público ou mera fatalidade – é uma dessas ocorrências inesperadas que tendem a impactar não apenas as metas traçadas pela empresa envolvida, mas também, a repercutir na Bolsa de Valores e nos resultados gerais da economia nacional. Cumpre lembrar que a Vale é uma gigante – maior produtora de manganês e ferroligas do Brasil, ela opera em 14 estados e dispõe dois mil quilômetros de malha ferroviária e nove terminais portuários próprios –, sendo inevitável que os problemas que se abatem sobre ela afetem a economia nacional como um todo.

É por isso que, imediatamente após as notícias sobre a tragédia de Brumadinho tomarem conta da imprensa, o mercado reagiu. A Empresa Brasileira de Comunicação noticiou, na segunda-feira, 28 de janeiro, que a projeção para o crescimento da economia, neste ano e em 2020, foi reduzida pelas instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC). Se antes a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) era de 2,53% para 2919, e de 2,6% para o ano que vem, ela agora foi revisada para 2,50% nos dois anos analisados. Já a inflação, que é calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve ficar em 4% este ano.

Estas, porém, não são as análises mais importantes no momento. Mesmo porque elas ainda não refletem todo o impacto que a tragédia deverá ter sobre o cenário econômico nacional. Muito menos, são definitivas sobre o que nos aguarda. As ações da Vale perderam mais de 20% de seu valor depois que o pregão abriu, no primeiro dia útil após o incidente. Na prática, a empresa começou a semana valendo R$ 70 bilhões a menos, e ainda foi colocada em CrediWatch com viés negativo (ou seja, com alta probabilidade de sofrer uma redução em seu rating em um prazo de até 90 dias) pela agência de classificação de riscos Standard & Poor’s. Isso porque, dentre outros fatores, é de se esperar que a empresa sofra multas ambientais, bem como ações criminais e civis por parte das famílias das vítimas e do próprio Estado.

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Seria otimismo demais supor que nada disso impactará a saúde da economia brasileira pelos próximos meses. A melhor resposta que se pode dar ao mercado, neste momento, é a sinalização de que a empresa e o poder público estarão unidos em torno do esclarecimento dos fatos, do saneamento dos problemas e do compromisso firme de não deixar que novas tragédias aconteçam. Mesmo porque, muito acima de quaisquer consequências financeiras e/ou macroeconômicas, prevalece a importância de se preservar as vidas – estas, sim, as únicas perdas verdadeiramente irreparáveis.

*Economista e sócio-diretor da Union National

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