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O vírus, as redes, o motim

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Montadoras monitoram fluxo de peças da China por conta do coronavírus
Crédito: Divulgação

Cesar Vanucci*

“Dialogar com talibã em rede social é como jogar xadrez com pombo.”
(Observação de uma cidadã inconformada com o tom de intolerância reinante nos WhatsApp da vida)

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● O vírus. “Tipo da história mal contada. Aposto que tem coisa por detrás…” Este seria, com certeza, o comentário de Tonão, meu saudoso pai, diante da intensa repercussão ocasionada pela propagação mundial do coronavírus. Revejo-o, no videocassete da memória, em sua proverbial postura indagativa naqueles momentos em que se via provocado por situações surpreendentes ou desconcertantes. História mal contada.

O coronavírus, batizado cientificamente de Covid-19, pode não ser bem o que aparenta ser. A insuficiência de informações, além de causar compreensível e generalizada perturbação, gera especulações incontáveis. Recapitulando os fatos. Essa nova ameaça de flagelo que sobrepaira sobre a maltratada espécie humana teria se originado numa região específica da China. A área foi colocada sob “quarentena”. Ninguém entra, ninguém sai.

Medidas emergenciais de controle foram adotadas em todas as partes do mundo. Criou-se o que, a grosso modo, poderia ser denominado “cordão sanitário de isolamento”. Turistas que circularam pela China foram submetidos a exames rigorosos, dentro de um sistema preventivo recomendado pelos órgãos de saúde pública. Mas eis que, de repente, inquietantes sinais da presença do temido vírus passaram a ser detectados noutras paragens. Em locais consideravelmente distanciados daquele que tinha sido, até então, oficialmente reconhecido como foco central da enfermidade.

E isso aconteceu sem que quaisquer liames fossem anotados entre os novos elementos infectados e o local e pessoas contaminados na fase inaugural do processo. E agora, José? Será que o coronavírus é mesmo uma doença, com propensão epidêmica, provocada pela ingestão de carnes exóticas ao agrado do cardápio tradicional chinês? Ou será coisa completamente diferente, por exemplo, uma mutação de microrganismo nocivo espalhado pela atmosfera? Ou, ainda, como sugeriu, em tétrica observação, indoutrodia, o escritor estadunidense Dean Koontz, um engenho de uma invisível guerra bacteriológica?

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Algo apavorante que teria escapado à vigilância dos doutores nirvanas, de nacionalidades diversas, que se consagram em laboratórios secretos a experiências voltadas para dizimar e não para celebrar a vida?

● As redes. “Abdiquei, definitivamente, da prerrogativa de frequentar as redes sociais para diálogos sobre quaisquer temas, sobretudo políticos e religiosos.” É o que afiança, em tom resoluto, uma amiga querida, intelectual festejada. Adepta do xadrez, ela já conquistou inúmeros troféus em torneios concorrendo com bam-bam-bans dessa modalidade recreativa, que proporciona ao praticante, segundo esclarece, higiene mental equivalente ao de uma caprichada meditação.

Acrescenta: – “Não está dando mais, jeito maneira, pra trocar “figurinhas”, intercambiar opiniões, com a horda de hunos fanáticos que se apoderou, com irremovível jactância, de fatias consideráveis do espaço franqueado a bate-papos. Os “talibãs terraplanistas” soltos na praça – rotulemo-los assim – se socorrem dos mais chiliquentos recursos para expor estapafúrdias teorias.” Minha amiga complementa seu ponto de vista com outra curiosa observação. Participar de algum debate com esse pessoal dá uma canseira dos diabos, só debelada com cuidados terapêuticos esmerados.

É como se alguém – exemplifica – se dispusesse a disputar uma partida de xadrez, imaginemos, com um pombo. O oponente – ou seja, o pombo – fita você com ar superior. Esparrama com as patas, desordenadamente, as peças arrumadas no tabuleiro. Libera fétidos excrementos.

E, inopinadamente, sem lhe dar a chance de mover sequer um peão, cabeça bem ereta, peito estufado, arrotando banca de enxadrista imbatível, abandona, todo majestoso, o cenário da competição. E vai arrulhar noutra freguesia.

● O motim. Esse episódio, pérfido e desassossegante, do motim dos policiais cearenses faz mal, bastante mal à democracia. A Carta Magna proíbe a participação de agentes de segurança pública em atos grevistas.

A rebelião, encontrando irresponsável apoio em segmentos políticos minoritários (conquanto influentes), propagandistas de carteirinha do “quanto pior, melhor”, faz jus a frontal repúdio por parte da comunidade. A ação de alguns amotinados foi pontuada por façanhudas exibições públicas.

Os grevistas deixaram indefesos cidadãos à mercê da bandidagem. Foram flagrados nas ruas carregando, de forma intimidatória, armas adquiridas com o dinheiro público para defesa única e exclusiva dos soberanos interesses da população. Alvejaram, num lance inconcebível, um senador da República. Simplesmente estarrecedor. Alarmante.

Mas, a bem da verdade inteira, é preciso que se reprove também, com veemência, o gesto infeliz do ex-governador de Estado. Pilotando uma retroescavadeira, ele tentou, no auge da insensatez, invadir recinto em que os policiais indisciplinados se entrincheiravam.

Claro está que uma situação desse gênero colide em cheio com as normas institucionais e com o bom-senso.

*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

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