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Alívio fiscal pode trazer consequências para Estado e União

Minas tenta reduzir dívida com União via Propag, mas economistas alertam para injustiça entre estados e risco de colapso
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Alívio fiscal pode trazer consequências para Estado e União
Foto: Reprodução Adobe Stock

O economista, ex-ministro e ex-secretário de Estado, Paulo Paiva, tem uma opinião forte sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Para ele, o projeto está longe de oferecer solução final e segura para a quitação da dívida do Estado. Conforme Paiva, há dois sérios problemas em sua concepção. O primeiro nos incentivos, que são assimétricos; o segundo está no fato de permitir um tratamento desigual aos estados devedores em relação aos que cumpriram suas obrigações.

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“O plano fere o equilíbrio federativo. A autonomia dos entes federados não corresponde responsabilidades iguais, pois não há penalidade para os responsáveis pela inadimplência. Minas Gerais ultrapassa o limite prudencial de gastos com pessoal e o Executivo continua concedendo aumentos salariais. Os demais Poderes, protegidos atrás da barreira da autonomia administrativa, aumentam anualmente seus próprios salários e benefícios. […] O colapso fiscal de Minas Gerais é iminente”, alerta.

Já o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Mauro Sayar Ferreira diz que o Estado está apenas utilizando um instrumento validado pelo Congresso Federal, mas que confere mais perdas do que benefícios à União.

“Para o Estado, o Propag é um presente antecipado do Papai Noel. Para a União, uma péssima solução. O programa foi aprovado por representar uma facilidade motivada por conveniência política, mas representa quase um furo de contrato com os outros estados. Além disso, é custoso para a União, que vai assumir a dívida e pagar os juros”, explica.

Mauro Sayar Ferreira
Minas Gerais ultrapassa o limite prudencial de gastos com pessoal e o Executivo continua concedendo aumentos salariais, afirma Paulo Paiva | Foto: Divulgação Arquivo Pessoal

Para além da essência do Propag, Ferreira diz que o movimento realizado pela equipe do governador Romeu Zema (Novo) na última semana foi assertivo, já que aproveita o instrumento para reduzir sua dívida e ainda poderá se desfazer de ativos onerosos e que não garantem receitas futuras, como Cemig, Copasa, Gasmig, entre outros.

“São empresas que podem gerar ônus para o Estado, pois não geram apenas receitas, mas também despesas. Por isso, do ponto de vista financeiro, o valor que o Estado vai abater de juros é maior do que o que ele receberia de dividendos, principalmente considerando as taxas de juros elevadas. O Estado precisa fazer esse tipo conta para evitar uma situação fiscal pior, que possa levar à paralisação do serviço público. Agora, se vai conseguir, já são outros quinhentos. Vai depender de articulação política e negociação com os parlamentares. E de negociar (não sei se politicamente, mas como empresário, sim), o governador entende”, opina.

Do ponto de vista do governo federal, o professor da UFMG lembra que o atual governo incentiva empresas públicas, por isso a federalização de alguns ativos deve realmente ser considerada uma opção. Já se o movimento poderá acarretar perdas para a população mineira, ele é enfático: o uso político implica em prejuízos, seja no âmbito federal ou estadual.

“O risco de má utilização sempre existe; basta vermos os resultados das estatais ao longo dos anos para sabermos que alguns governos usam de forma pior. Prejuízo para o Estado não vai haver; vai, no mínimo, ficar elas por elas. Mas lembrando que o parlamento mineiro precisa aceitar. Se os deputados fizerem uma conta mínima, aceitarão esse ‘presente’ antecipado de Natal. Quem votar contra, será por pura questão ideológica”, pondera.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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