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Dívida de R$ 165 bilhões desafia o futuro de Minas Gerais

Dívida histórica obriga Estado a rever prioridades e firmar compromissos que resistam às trocas de governo
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Dívida de R$ 165 bilhões desafia o futuro de Minas Gerais
Foto: Reprodução Adobe Stock

Com uma dívida histórica com a União de R$ 165 bilhões, Minas Gerais vem, há algum tempo, tentando equilibrar receitas e despesas, para garantir saúde financeira aos cofres públicos do Estado e entregar infraestrutura e serviços básicos de qualidade à população. Um dos limitadores do desenvolvimento duradouro e sustentável do Estado está no rombo fiscal ainda enfrentado pelos gestores atuais, fruto da falta de compromisso de quem já esteve no poder e não executou projetos de longo prazo.

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Cada vez mais, economistas falam da necessidade de governos estabelecerem e adotarem ações que transcendam as mudanças de gestão política, para torná-las duradouras e promissoras, mesmo diante de alterações na gestão. O economista, ex-ministro e ex-secretário de Estado Paulo Paiva, por exemplo, defende que o presente depende das escolhas feitas no passado e o futuro, das escolhas que estão sendo feitas agora.

“Perdemos o vínculo entre o planejamento e a gestão da economia, que passou a uma gestão de curto prazo. […] Não temos sustentabilidade fiscal e as discussões não garantem a segurança necessária para o futuro. Não há arcabouço fiscal no Brasil possível de ser mantido e Minas Gerais tem um problema ainda maior, devido à sua dívida com a União. E esse problema não vai se resolver simplesmente jogando para debaixo do tapete ou esperando uma dádiva do governo federal”, opina.

Ele também enfatiza a importância da construção de alianças entre governo, setor privado e a sociedade civil na busca por soluções, inclusive fiscais. “Há sempre um choque entre Estado e mercado, como se só a economia resolvesse essas questões. Mas há hoje um terceiro pilar, que é a sociedade civil, que não representa nem Estado, nem mercado. É mais difícil envolvê-la, mas muito mais perene”, completa.

Desde que assumiu o Executivo mineiro, em 2019, o governador Romeu Zema (Novo) aborda a questão da dívida do Estado com a União. Em 2019, sua equipe apresentou o Projeto de Lei 1.202/2019 à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que autorizava o Estado a aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O projeto enfrentou resistência e não avançou na tramitação legislativa, sendo arquivado ao final da legislatura em 2022.

Depois, em 2023, diante do iminente vencimento da liminar que suspendia o pagamento da dívida com a União, a discussão foi retomada e o projeto passou a tramitar novamente, sendo aprovado em primeiro turno em julho de 2024. Em agosto daquele mesmo ano, acabou homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), selando um acordo entre o governo de Minas Gerais e o governo federal, diante da demora do Legislativo mineiro no tratamento do tema.

O acordo representou um marco na tentativa de Minas Gerais de equilibrar suas finanças, permitindo a adesão ao RRF mesmo sem a aprovação legislativa estadual. Com isso, o Estado assumiu compromissos de austeridade fiscal e retomou o pagamento de sua dívida com a União, enquanto aguarda a evolução de alternativas como o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Em outubro, Minas Gerais voltou a pagar a dívida.

No início deste ano, Zema fez uma postagem no Instagram comentando o pagamento da quarta parcela, afirmando que o valor pago à União é alto, porém, atualmente, cabe no orçamento de Minas, reforçando que a gestão está comprometida com o pagamento da dívida dentro do prazo.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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