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‘O Estado vive de gastar o dinheiro dos soterrados da Vale’, afirma Kalil

Pré-candidato ao governo de Minas pelo PDT, o ex-prefeito de BH disse que o Estado não pode continuar sendo 'sustentado pela tragédia de Brumadinho'
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‘O Estado vive de gastar o dinheiro dos soterrados da Vale’, afirma Kalil
Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Nathália Gonçalves

O Diário do Comércio Eleições Minas 2026 recebeu o pré-candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil (PDT). Empresário, foi presidente do Clube Atlético Mineiro entre 2008 e 2014, período em que o time ganhou a Libertadores. Estreou na política em 2016 como um candidato outsider, elegendo-se prefeito de Belo Horizonte. Devido à alta popularidade da primeira gestão e à condução firme durante o período da pandemia da Covid-19, foi reeleito no primeiro turno em 2020 com mais de 60% dos votos. A trajetória política de Kalil é marcada por passagens por diferentes legendas, tendo integrado o PHS (pelo qual foi eleito), o PSD e, mais recentemente, filiou-se ao PDT. Após deixar a prefeitura em 2022, concorreu ao governo de Minas Gerais, mas foi derrotado no primeiro turno por Romeu Zema (Novo).

Durante entrevista ao Diário do Comércio, Kalil fez duras críticas aos quase oito anos de gestão de Romeu Zema e disse que sua primeira medida, se eleito governador, será a criação de um gabinete de gestão de crise para colocar as contas do Estado em dia. Na opinião dele, o governo só tem condições de pagar a folha e não tem recurso para investir no Estado. Para Kalil, não é possível o governo ser sustentado pela tragédia de Brumadinho e, por isso, é preciso ter gestão responsável.

Ele chamou de “escândalo” o esquema de “corrupção desenfreada” envolvendo fraudes em licenças ambientais, mineração ilegal e lavagem de dinheiro em Minas Gerais revelado pela Operação Rejeito. A investigação vem sendo conduzida pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) desde setembro de 2025. O caso ganhou forte repercussão em junho de 2026 com a deflagração de sua segunda fase, que revelou uma rede clandestina de espionagem contra as próprias autoridades que investigavam o grupo.

O ex-prefeito prometeu que, se eleito, fará a renegociação da dívida do Estado com a União. Em relação à privatização, ele afirma que não pretende desestatizar a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) por considerar a energia um bem estratégico para o Estado e pelo fato de a empresa dar lucro para Minas e avaliao caso da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) como diferente. Segundo Kalil, falta gestão na Copasa.

Qual medida com impacto direto no ambiente de negócios de Minas Gerais seria tomada nos seus primeiros 100 dias de governo?

A minha primeira medida vai ser a criação de um gabinete de gestão de crise. Nós pedimos à professora Renata Vilhena para nos ajudar nessa questão. Ela não vai participar do nosso governo porque ela é uma professora e está ocupada, mas ela vai compor um gabinete de crise porque o Propag, como está colocado, não funciona. Minas Gerais passou a ser um Estado RH, que só vai pagar folha e mais nada. E nós não vamos ser sustentados pela tragédia de Brumadinho para sempre. Nós vamos propor um plano e sentar à mesa com o governo federal, seja ele qual for, seja o Flávio Bolsonaro, seja o Luiz Inácio Lula da Silva, para falar que Minas Gerais não suporta dez anos de Propag.

Nós estamos elaborando uma proposta emergencial e definitiva para que Minas Gerais retorne a investir em infraestrutura, na recuperação de estradas, na melhoria de escolas e hospitais, na saúde. Então esse é o primeiro passo que nós vamos dar antes do plano de governo, que está sendo elaborado por uma equipe muito competente.

Nós já estamos formando uma equipe para que se resolva o problema da dívida de Minas, não como ela está hoje, que ela seja melhorada para que Minas respire nos próximos anos.

Qual o seu posicionamento sobre a privatização da Copasa e da Cemig? Caso seja favorável, quais salvaguardas defenderia para garantir a universalização dos serviços e proteger o consumidor?

A Cemig entrega – e a população tem que saber disso – um cheque de R$ 4 bilhões para o Estado de Minas Gerais todo ano. Isso tirando a parte dos acionistas, estou falando só da parte que cabe ao Estado, que são R$ 4 bilhões por ano. Eu sou absolutamente contra privatizar a Cemig. Você tem que vender os Correios que estão dando esse prejuízo monstruoso para nós, brasileiros. Empresa saudável e que dá lucro não tem motivo para privatizar.

Já a Copasa, é um problema de gestão. Em Ipatinga, onde estive recentemente, por exemplo, eles estão num contrato emergencial e vão privatizar. E se não fiscalizar e não tiver gestão, a água vai ficar escura, vai faltar água, vai acontecer a mesma coisa que acontece com a Copasa. Então, não é um problema da Copasa, desse símbolo que é a Copasa não. O governo está falando que vai investir os R$ 8 bilhões da privatização da Copasa em Minas, mas não vai. Os R$ 8 bilhões da Copasa vão ser usados para pagar a dívida do Estado. Uma dívida que não foi discutida e renegociada. Se você vai negociar uma dívida pessoal, você negocia o máximo que pode. Só de sentar na cadeira para pagar, você já tem um desconto de pelo menos 40% dessa dívida. É isso que acontece com qualquer cidadão brasileiro e que não aconteceu com Minas Gerais.

Eu sou a favor de entregar para a iniciativa privada, desde que se fortaleça as agências reguladoras. Você não pode entregar uma empresa que presta atendimento para a população de uma cidade sem fiscalização e deixar que ela faça o que quiser. E a Copasa hoje, como qualquer outra empresa mal gerida, não entrega o que tem que entregar para a população de Minas Gerais.

Qual a sua proposta concreta para a mineração e a transição energética em Minas Gerais, um Estado que concentra reservas estratégicas para a transição energética global, como lítio, nióbio, grafite, terras-raras?

Primeiro é preciso acabar com esse escândalo, essa corrupção instalada no Estado de Minas Gerais. Estamos na segunda fase da Operação Rejeito, com mais prisões, inclusive no alto escalão do funcionalismo do Estado, sendo feitas pela Polícia Federal. Isso é uma novidade na história de Minas. Além desse governo não deixar nenhuma marca, nós estamos com o Estado infestado pela corrupção.

O minério é essencial. Eu tenho dito que o único Estado que tem a atividade econômica no nome é Minas Gerais. Nós temos essa atividade no nosso nome. Essa questão do lítio está bem complicada, principalmente em Araxá. Tem muita empresa criada para vender aquela terra amarela de onde se retira de 2 a 3% de lítio. Lá está tudo muito estranho. Por isso eu volto na questão da fiscalização que é fundamental.

E também volto na questão da Copasa, porque a água tem que ser entregue, o minério tem que ser entregue, mas tem que ser fiscalizado, não pode ser saqueado. O minério de Minas é retirado e exportado sem a cobrança de ICMS por causa da famosa Lei Kandir. O povo mineiro precisa saber que essa benesse que o governo federal nos obrigou a dar não é para nós, é para a siderurgia chinesa. A China está importando o aço derivado desse minério e destruindo as fundições de Minas Gerais. Nós produzimos 10 milhões de toneladas de aço bruto por ano. Os chineses implantaram uma fábrica de carro BYD na Bahia onde é proibido entrar uma gota de aço mineiro. Estão fazendo uma ponte entre Itaparica e Salvador onde, pelo contrato, é proibido entrar uma grama de aço mineiro. O governo de Minas está assistindo o sucateamento de uma indústria importantíssima para o nosso Estado de braços cruzados.

Então, primeiro, temos que melhorar e muito a fiscalização, acabar com essa corrupção desenfreada. O nosso governador não tem que fazer campanha com o avião do governo não, ele tem que vir para cá e tomar conta das agências reguladoras do minério que não estão fiscalizando o que está sendo feito na Serra de Botafogo, em Ouro Preto, e na Serra do Curral, aqui em Belo Horizonte. Nós estamos precisando de gestão, gestão séria, gestão pública e coragem para fazer. Caso contrário, dá impressão que o governo está metido nisso tudo. Já era para o governo ter tomado providência e, se tivesse tomado, não ia ter a segunda fase da Operação Rejeito que está prendendo gente do alto escalão do governo estadual. O governo devia estar colaborando com esse tipo de coisa.

Empresários mineiros apontam sistematicamente a burocracia estadual e a insegurança jurídica como freios ao investimento nos negócios. Qual o seu diagnóstico sobre essa questão e quais medidas o senhor pretende adotar nos primeiros 12 meses de governo?

Esse é um assunto municipal, estadual e federal. Eu combati muito essa burocracia na Prefeitura de Belo Horizonte. Eu agilizei muita coisa. Um exemplo que eu posso dar é quando você ia abrir um supermercado na cidade, você tinha que ter uma autorização da Copasa. Aí a prefeitura andava com tudo, liberava tudo e o supermercado continuava fechado porque a Copasa ficava fazendo hora. Eu fui lá e acabei com isso. Estou falando aqui do que eu fiz, porque é muito importante as pessoas saberem e entenderem o que eu fiz para dizerem “ele fez, ele sabe fazer”. Humildemente, eu fiz porque eu soube fazer.

Então, a luta do gestor público contra a burocracia é diária, pelo menos a minha era diária. Eu via absurdos e fiz o possível para acabar com eles. Outro exemplo que eu posso dar era que o táxi não podia andar na faixa exclusiva do Move em Belo Horizonte. Qual era a desculpa? Diziam que aquele ônibus articulado era muito grande e poderia bater e machucar alguém. Aí eu falei: das duas, uma, então vai ter que tirar esse ônibus articulado das ruas de Belo Horizonte porque é perigoso. Aí liberaram os táxis na pista do Move. Isso é desburocratizar. Além disso, falei que, a partir de sábado, duas horas da tarde até domingo meia-noite, todo mundo pode usar a faixa exclusiva de ônibus. E isso não custa nada. É só pensar, querer desburocratizar e ter vontade política.

Agora eu volto a dizer: eu fiz e eu tentei fazer. Não, não fiz tudo. Humildemente, eu sei que eu não fiz tudo, mas eu fiz tudo que foi possível para melhorar a vida do cidadão.

Quais são as prioridades concretas do seu projeto de governo para rodovias, ferrovias a fim de ampliar a competitividade logística do Estado?

A gente tem um Estado muito grande em termos de extensão e ainda tem o excesso de burocracia como obstáculo para tudo, além das grandes distâncias, que acabam dificultando. A maioria das ferrovias de Minas está privatizada. Então, esse é um problema que já está bem encaminhado.

Primeiro, temos que resolver o que é superemergencial. As estradas do Estado estão esculhambadas, estraçalhadas. Então, nós vamos renegociar a dívida do Estado com a União e, com esse dinheiro que vai reaparecer, vamos fazer um tapa-buraco imediato nas rodovias de Minas. São três etapas. A segunda etapa é recapear as outras estradas que estão muito ruins. E a terceira etapa é fazer a duplicação de algumas rodovias.

O que não pode acontecer é você pegar a BR-381 a partir de Itabira e ir até João Monlevade, até Ipatinga, até quase a Bahia e pagar pedágio numa BR porque pintou faixa no chão. Minas não pode assistir a isso de braços cruzados. Isso é um assalto. Diferente de quando você está numa bela Fernão Dias pedagiada ou numa Via Lagos no Rio de Janeiro pedagiada, você reconhece o pedágio. O que acontece em Minas é um crime novo, isso não existia, mas agora está existindo. Além disso, o DER está sucateado. Tem que resolver isso também.

Outra prioridade é tirar o projeto do Rodoanel do papel. O governo não fez, não soube fazer. Eu sou de oposição e posso falar porque tenho esse direito como oposição de falar que esse governo não tem uma marca. O que esse governo de oito anos deixou marcado? Agora tem uma novidade que é a corrupção e a propaganda.

Os hospitais foram feitos com dinheiro da Vale e agora o governo federal vai tomar conta dos hospitais. O metrô foi feito com o dinheiro da Vale. E o dinheiro da Vale é o dinheiro da morte, é o dinheiro dos mortos. Então, tudo que foi feito aqui foi com o dinheiro dos mortos. Só que agora esse dinheiro acabou e nós não vamos matar 300 pessoas por ano para fazer o mandato, né? Então, agora nós vamos ter que fazer gestão nesse Estado.

Minas Gerais convive há anos com o peso da dívida com a União, o que limita a capacidade de investimento do Estado. Como o senhor pretende equacionar esse passivo e ampliar a margem fiscal para projetos prioritários?

Você não precisa de ampliar a margem fiscal. O jornal Diário do Comércio trouxe a notícia de que o PIB de Minas recuou 0,5% no primeiro trimestre de 2026. Isso é simples de entender. O dinheiro da Vale está acabando. O Estado não tem PIB.

A nossa proposta, basicamente, é repetir o que o Fernando Henrique fez com a iniciativa privada anos atrás, o Refis (Programa de Recuperação Fiscal). Ou seja, Minas Gerais pega o que recebe e tira um percentual para pagar a dívida. Em contrapartida, o governo federal exige o enxugamento da máquina mineira. Isso vai dar o respiro para equacionar essa dívida monstruosa, tratar essa dívida, negociar.

O que foi feito? O governo montou numa liminar do Supremo Tribunal Federal e decidiu que não ia pagar nada. Virou o rosto para a dívida e acabou dobrando a dívida. E agora vive de gastar o dinheiro dos soterrados da Vale.

O nosso gabinete de gestão de crise vai tratar desse assunto 24 horas por dia com o governo federal para que sobre dinheiro para gente investir no Estado.

Quando eu saí da Prefeitura de Belo Horizonte, eu deixei em caixa mais de R$ 550 milhões em caixa. Sobrava dinheiro porque havia gestão.

O governo do Fernando Henrique Cardoso arrecadou, em dinheiro de hoje, R$ 380 bilhões com o Refis, o que deu para recuperar várias empresas. Se o governo do Brasil já fez isso para as empresas privadas, porque que o governo do Brasil não pode fazer isso para o Estado que é o segundo maior Estado da federação que ele saqueou com a Lei Kandir? Está na hora de o governo federal, seja o presidente que for eleito, olhar para Minas Gerais, e tentar recompensar o Estado que foi tão prejudicado por péssimos governos e pela maldade do governo federal.

Isso tudo passa pela influência do Estado no governo federal, seja ele qual for. Eu não vou deixar uma planta de indústria de carro ir para Bahia, como a BYD foi, como a Leapmotor em parceria com a Stellantis foi para Pernambuco. Quando se consegue uma planta de fábrica de cerveja para Minas, se faz um carnaval espetacular, como se uma planta de cerveja fosse um negócio de outro mundo.

Quem resolve onde vai ser colocada a planta é o governo federal, mas é claro que o governador entra na briga. Pernambuco ganhou uma planta robusta, a Bahia ganhou outra. Isso se chama prestígio junto ao governo federal.

Um governador que só agride um presidente da República não vai receber nada. Não vem nada para cá. Então, eu quero respeitar o presidente da República que ganhar a eleição.

Quais políticas agrícolas o senhor defende e como pretende integrar tecnologia, crédito e assistência técnica para o produtor rural?

Olha, acesso a crédito, tecnologia e assistência técnica o produtor rural já tem.

O que o agronegócio de Minas precisa é de melhorias na infraestrutura e deixar ele trabalhar em paz. Porque eles cuidam da tecnologia, eles cuidam do avanço. As pessoas pensam que o governo tem que fazer tudo. Não, os produtores rurais são os mais liberais e com razão. Olha a pujança do agronegócio mineiro.

Então, o que o agronegócio como o setor industrial e o setor do comércio precisam é de segurança jurídica, cidade limpa, segurança pública para trabalhar em paz. O governo não gera emprego, governo não mexe com tecnologia de agronegócio, o governo não mexe com nada disso. Governo que fala que gera emprego fala mentira. Governo não gera emprego. Quem gera emprego é o empresário. Quem gera imposto para cuidar do pobre é o empresário.

O governo tem que meter menos a cara, ainda mais nesse setor do agronegócio. É até perigoso. O setor está indo tão bem que o melhor é deixar como está. O agronegócio tem acesso a uma linha de crédito robusta. Saiu agora uma nova linha de crédito para o agronegócio, me parece que de R$ 200 bilhões, por causa do problema de insumo e de aumento de preço que essas guerras aí estão causando. Isso aí é obra do governo federal que tem caixa para fazer isso.

Nós temos que governar o nosso Estado, com os problemas que realmente são do nosso Estado. Nós não podemos nem entrar em assuntos municipais e nem entrar em assuntos federais. Nós temos que recuperar o governo estadual que está liquidado em Minas Gerais.

Como o senhor articula a agenda de segurança pública com a agenda econômica e quais são as prioridades do seu governo nessa área?

Articulo com a agenda econômica. O déficit da Polícia Civil é de 50%, só de efetivo. E é preciso explicar um pouco o que que representa a Polícia Civil. É aquela polícia investigativa, é aquela polícia que vai falar para a Polícia Militar aonde estão entrando os integrantes do Comando Vermelho, do PCC e de outras organizações criminosas. É uma polícia investigativa importantíssima, principalmente nesse início de invasão das organizações criminosas que está acontecendo em Minas Gerais.

A Polícia Militar passou o ano de 2025 sem fazer um curso de treinamento. Você sabe que isso é uma constante da polícia. Não repuseram o salário da PM. O governo mentiu sobre isso. Eram duas reposições, e o governo só deu uma. E escondeu a outra. Isso com aquela que é tida, há séculos, como a maior polícia do Brasil. Então, o salário dela está defasado. E nós estamos falando em recomposição salarial, não estamos falando em aumento não.

E a Polícia Civil de Minas está liquidada, né? Eu ouvi relato do delegado titular da delegacia de Caeté que o supermercado Avenida está doando papel higiênico para a delegacia. Eu ouvi relato da delegada titular da delegacia das Mulheres em Ribeirão das Neves que está numa casa improvisada e está sendo despejada por falta de pagamento do governo do Estado. Isso são relatos que eu ouvi.

O governo abandonou as polícias. Se abandonou, acabou. A bandidagem vai ocupar. Como é ano eleitoral, o governo está dando drone e tal para falar que fez alguma coisa.

A Polícia Civil está liquidada. Foi liquidada em oito anos e nós vamos recuperar essa polícia porque é ela que vai achar onde é que esses caras das organizações criminosas estão entrando, para que a Polícia Militar aja. A Polícia Militar e a Polícia Civil, gostando uma da outra ou não, têm que trabalhar juntas. Como a Polícia Militar não tem informação de onde os criminosos estão escondidos, os policiais militares estão colocando arma na cabeça de trabalhador de vila, favela, aglomerado, que eu estou sabendo. Porque eles não sabem como procurar. A PM é de patrulhamento, ela é preventiva.

Então, com esse setor de polícia nós vamos ter que ter uma atenção especial. Nós estamos com um especialista cuidando desse assunto, nós estamos dando a devida importância a esse assunto.

O desenvolvimento regional passa pela relação entre governo do Estado e, no caso de Minas, os 853 municípios com realidades muito distintas. Como o senhor pretende estruturar a relação do Estado com os municípios para reduzir desigualdades regionais e potencializar vocações econômicas locais?

Minas tem nove macrorregiões. Tem a dimensão de um país e a população da França. Então, nós temos que estruturar o Estado. Vamos fazer a capital em cada lugar.

A escola do Vale do Mucuri tem que ter a mesma estrutura da escola de Pouso Alegre. Porque são escolas do mesmo governo.

Em relação à saúde, nós temos que falar com o governo federal que uma região do Estado é mais carente e que ali nós precisamos fazer um hospital. Não é construir hospital com dinheiro de soterramento não. É fazer igual nós fizemos em Belo Horizonte. Nós abrimos um hospital de 544 leitos que estava fechado há cinco anos em seis meses de gestão.

Quanto ao desenvolvimento econômico, é investir em estrutura de escoamento. Agora, saúde, educação e segurança têm que ser sempre iguais.

Mas, como hoje quem sustenta as polícias não é o governo do Estado, são os prefeitos, se cria essa desigualdade. Então a prefeitura mais rica dá mais estrutura para a polícia porque o Estado não cumpre o seu dever constitucional de cuidar da polícia.

Agora, quanto ao desenvolvimento industrial, comercial, sem infraestrutura, sem escoamento, as regiões que vão continuar recebendo os investimentos serão sempre as mesmas, é o que se perpetua aí por anos e anos no Estado de Minas Gerais.

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