Grupo Mulheres do Brasil reúne candidatas ao Senado por Minas Gerais para conversa em BH
O Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo BH recebeu, nesta quinta-feira (1º), as candidatas ao Senado por Minas Gerais Áurea Carolina (Psol) e Marília Campos (PT) para uma conversa sobre as propostas de cada uma. O encontro aconteceu no estúdio da TV Sim Brasil, em Belo Horizonte, com transmissão ao vivo, e mediação da empresária Betânia Tanure, sócia-fundadora da BTA e vice-presidente do Grupo Mulheres do Brasil.
A iniciativa do debate integra a campanha “Pula pra 50%”, do Grupo Mulheres do Brasil, que defende mais mulheres nos espaços de decisão, e contou com o apoio do Diário do Comércio e da TV Sim Brasil. As duas candidatas têm usado a disputa histórica por duas vagas ao Senado, que tem 202 anos de história e teve apenas uma única mineira eleita em 1990, Júnia Marise – para defender paridade e políticas públicas para mulheres.
A presidente do Diário do Comércio, Adriana Muls, fez a abertura do evento e destacou a importância de aumentar a paridade das mulheres nos espaços de poder. “As mulheres são 52,48% do eleitorado e essa representatividade não se reflete no Senado, pois Minas só teve uma senadora, a Júnia Marise, eleita em 1990”, pontuou.

Marília Campos quer levar experiência municipalista ao Senado
Marília Campos (PT), 63 anos, ex-prefeita de Contagem por quatro mandatos e ex-deputada estadual por três vezes, deixou a prefeitura em março deste ano para concorrer ao Senado. A petista disse que quer ser a segunda mulher eleita por Minas e levar a experiência municipalista para Brasília, com proposta de revisão do Fundo de Partipação dos Municípios (FPM) e aproximação do Senado com as prefeituras. “Em mais de 200 anos de Senado, Minas elegeu apenas uma mulher. Quero ser eleita não apenas para representar a luta das mulheres, mas porque quando ocupamos posições de poder, nós transformamos”, afirmou a petista.
Na pauta feminina, Marília defendeu ações de combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres, ampliação da representação feminina e políticas que já implementou como presidente do consórcio Mulheres das Gerais, com rede de proteção e empreendedorismo feminino.
Áurea Carolina terá defesa das mulheres como eixo de mandato
Áurea Carolina (Psol), 37 anos, cientista política, educadora popular, ex-vereadora de BH e ex-deputada federal, é a outra candidata que disputa para quebrar o jejum de 26 anos sem mulheres eleitas por Minas na Câmara Alta. Ela destacou que a criação e ampliação de políticas públicas em defesa das mulheres será o eixo central de seu mandato. Áurea propõe erradicar a “epidemia de feminicídios” em Minas, fortalecer as redes de proteção, colocar os serviços da Lei Maria da Penha perto das mulheres e implementar a lei nas escolas.
Segundo a psolista, é preciso “influenciar o sistema político para que tenhamos melhores condições para participação das mulheres nos partidos e nas disputas eleitorais, com ênfase também na justiça racial”. Além disso, Áurea defende a discussão de ações afirmativas não só de reserva de vagas, mas de paridade no resultado eleitoral.
Candidatas ao Senado por Minas recebem apoio do presidente
As duas foram citadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em comício em Montes Claros, no Norte de Minas, em 18 de setembro, como sua aposta para defender a diversidade, autonomia, distribuição de renda e forma de ampliar a bancada progressista.
As candidatas também falaram de suas propostas para fazer com que Minas retome seu protagonismo na economia. Enquanto Áurea defendeu a diversificação da matriz econômica do Estado, sem depender apenas do agronegócio e da mineração, Marília destacou a necessidade de renegociação da dívida de Minas com a União, pois sem recursos disponíveis para investir em melhorias na malha rodoviária e infraestrutura, não tem como alavancar a economia mineira.
Violência de gênero na política
A violência política de gênero também foi um dos temas abordados no debate. Dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam que os processos relacionados a esse tipo de crime aumentaram 11 vezes entre 2022 e 2024. Relatório entregue ao TSE no dia 24 de setembro por movimentos sociais mostra casos graves em vários estados, incluindo Minas, onde uma candidata recebeu ameaças de estupro e teve dados da família expostos na internet.
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