Investimentos do Brasil em inovação são de 0,5% do PIB

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Investimentos do Brasil em inovação são de 0,5% do PIB
Gianna Sagazio destaca que parte importante do crescimento das principais economias do planeta é creditada à inovação | Crédito: Divulgaçõ/CNI

Os países mais desenvolvidos do mundo usam a inovação como um vetor do desenvolvimento. Tanto é que os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) têm investido acima de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em projetos da área. Israel e Coreia do Sul vão além e já investem algo em torno de 5% de suas riquezas.

No Brasil, em 2018, a média girava em torno de 1,2%. Mas hoje, depois de sucessivos cortes e o contingenciamento de 90% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (FNDCT), a estimativa é que os aportes representem apenas 0,5% das riquezas nacionais.

Estes investimentos são necessários até mesmo para atrair projetos e empresas de base tecnológica para o País. “Já acompanhamos de perto investimentos de pesquisa e desenvolvimento no Brasil Casos de empresas que trouxeram seus centros e deram certo e outros não. Para as empresas investirem em inovação e desenvolverem inovação no Brasil é preciso aprimorar todos os fatores que influenciam o País ser mais ou menos inovador – o problema está na base”, afirmou a diretora da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para inovação, Gianna Sagazio.

Na avaliação da diretora da CNI, de fato, o Brasil não acompanha o que acontece nos países desenvolvidos em vistas de enrobustecer a tecnologia e a inovação e fortalecer a economia. A exemplo da China, que prevê investimentos de US$ 380 bilhões em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e dos Estados Unidos, com aportes superiores a US$ 200 bilhões na área. O Brasil, apesar de ter um orçamento previsto de R$ 7,2 bilhões para a área de Ciência e Tecnologia, tem apenas R$ 400 milhões autorizados para o uso.

“O Brasil não acompanha o movimento das principais economias do mundo no sentido de fortalecer suas estratégias de desenvolvimento, por meio das tecnologias de inovação. As tecnologias induzem grandes mudanças e atraem investimentos. Mas o País, apenas com R$ 400 milhões, pouco vai avançar”, alertou.

Para Gianna Sagazio, trata-se de uma questão estratégica. As inovações precisam ser analisadas de forma sinérgica a fim de mudar processos de gestão e transformar modelos de negócios. Mudanças em padrões de consumo, no perfil do emprego e no estilo de vida das pessoas, necessariamente, passam pela indústria. Por isso, o epicentro de todas essas transformações está no setor. Daí a necessidade da inovação.

“Se, no passado, o crescimento da produtividade era determinado pelo investimento em infraestrutura e capacidade instalada, hoje, parte importante do crescimento das principais economias é creditada à inovação”, lembrou.

Ela citou ainda o Índice Global de Inovação (IGI), no qual o Brasil caiu 15 posições nos últimos dez anos. E, apesar de ter recuperado quatro no ano passado, a 62ª colocação ainda é incompatível com o fato de ser a 9ª maior economia do mundo. O ranking abrange 131 países e os dez mais bem colocados do índice são: Suíça, Suécia, Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Singapura, Alemanha e Coreia do Sul.

“Infelizmente, ciência, tecnologia e inovação ainda são considerados gastos por muitos. Mas para os desenvolvidos, é investimento. No Brasil isso precisa ser aprimorado, dada a importância que tem para o desenvolvimento. Caso contrário, o futuro da nação será comprometido”, comentou.

E para auxiliar nesse trabalho, há 13 anos, a CNI, junto das maiores lideranças do País, criou a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) – da qual, Gianna Sagazio é coordenadora executiva. O principal objetivo da MEI é sensibilizar empresários brasileiros para o desafio de construir uma agenda positiva para a inovação no Brasil.

Para isso, quase 400 lideranças se articulam entre si e com governo e academia em vistas de fortalecer o ecossistema de inovação do País. As áreas identificadas como inovadoras e estratégicas e constantemente trabalhadas são: computação quântica, inteligência artificial, internet das coisas, indústria 4.0, nanotecnologias, biotecnologia, redes de comunicação e materiais avançados e armazenamento de energia. “Essas áreas são inovações disruptivas que já impactam nossa indústria”, concluiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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