Política

Lula deve visitar Instituto de Terras Raras em Minas Gerais nesta sexta-feira (24)

Presidente retorna ao Estado para agenda oficial, com expectativa de visita a centro de inovação em Lagoa Santa e possível passagem por Governador Valadares
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Lula deve visitar Instituto de Terras Raras em Minas Gerais nesta sexta-feira (24)
Foto: REUTERS/Fabian Bimmer

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve retornar a Minas Gerais nesta sexta-feira (24) para cumprir agenda oficial no Estado. Embora o roteiro ainda não tenha sido confirmado pelo Palácio do Planalto, a expectativa é de que o presidente visite o Centro de Inovação e Tecnologia – Instituto de Terras Raras (CIT SENAI ITR), em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Também há a possibilidade de uma agenda em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, mas ela ainda não foi confirmada.

A visita ao instituto foi antecipada pelo presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, durante a cerimônia de posse da nova diretoria da entidade. A Fiemg é mantenedora e principal parceira do CIT SENAI ITR, adquirido pela instituição em dezembro de 2024. Desde então, o complexo foi transformado no primeiro laboratório-fábrica de ligas e ímãs permanentes de terras raras do Hemisfério Sul, inaugurado em maio de 2025.

Roscoe destacou que o projeto representa uma aposta estratégica da indústria mineira muito antes de o tema ganhar relevância internacional. “Agora mesmo nós vamos ter uma visita do presidente da República aqui no Instituto de Terras Raras, que foi uma visão dessa entidade muito antes de todo mundo discutir que terras raras são estratégicas. Nós chegamos primeiro, adquirimos o instituto, colocamos para funcionar algo que estava parado, trouxemos especialistas e estruturamos o projeto MagBras, aprovado na Rota 2030, com a participação de 32 empresas brasileiras, um recorde em projetos de pesquisa no País”, afirmou.

Centro de Inovação e Tecnologia - Instituto de Terras Raras
Centro de Inovação e Tecnologia – Instituto de Terras Raras | Foto: Divulgação/ Fiemg

Segundo ele, a planta de ímãs permanentes instalada em Minas é atualmente a única das Américas e coloca o Estado no centro de uma das principais discussões da geopolítica e da economia mundial.

Minerais estratégicos

As chamadas terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a fabricação de tecnologias de alto valor agregado, como veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, smartphones, semicondutores e sistemas de defesa. Apesar do nome, esses minerais não são necessariamente escassos, mas sua extração e, principalmente, seu processamento industrial exigem tecnologia sofisticada.

O interesse por esses minerais cresceu significativamente nos últimos anos em razão da disputa entre Estados Unidos e China pelo domínio das cadeias globais de suprimentos. A China concentra hoje a maior parte da capacidade mundial de refino e produção de ímãs permanentes, considerados insumos essenciais para diversos setores estratégicos.

Como o Brasil detém importantes reservas ainda pouco exploradas, o governo dos Estados Unidos tem ampliado o interesse em fortalecer parcerias para garantir o fornecimento desses minerais e reduzir sua dependência da cadeia produtiva chinesa. Empresas e fundos norte-americanos também passaram a investir em ativos minerais brasileiros, como ocorreu com a aquisição da mineradora Serra Verde, em Goiás.

Por outro lado, o governo brasileiro defende que a exploração das terras raras esteja associada ao desenvolvimento industrial no próprio País. A estratégia é evitar a simples exportação da matéria-prima, priorizando o processamento nacional, a produção de tecnologias de maior valor agregado e o atendimento às necessidades da indústria e da defesa brasileiras antes da exportação do excedente.

Contexto político regional

A passagem de Lula por Minas ocorre na mesma semana em que o Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou o deputado federal Patrus Ananias como pré-candidato ao governo de Minas nas eleições de 2026. Embora a agenda presidencial tenha caráter institucional, a visita também tende a reforçar a presença política do governo federal no Estado, um dos principais colégios eleitorais do País.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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