Política

Pacheco admite possível saída do PSD e cita nomes para disputa ao governo de Minas

Senador não confirma candidatura em 2026, menciona possíveis alternativas e defende 'reconstrução' do Estado com nova agenda política
Pacheco admite possível saída do PSD e cita nomes para disputa ao governo de Minas
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e senador Rodrigo Pacheco (PSD) | Crédito: Ricardo Stuckert/ PR

Ao falar sobre uma possível candidatura ao governo de Minas Gerais, já ventilada pelo próprio presidente da República, o senador Rodrigo Pacheco (PSD) jogou luz sobre outros nomes que poderiam disputar o pleito em seu lugar. Sem descartar nem confirmar a intenção de concorrer à cadeira máxima do Executivo estadual, o ex-presidente do Senado acredita que seu nome não é indispensável.

“Houve vários pedidos de ponderação em relação a isso, não só do presidente Lula, mas de diversos aliados políticos. Estamos nessa fase de diálogo e temos alternativas em Minas que também precisam ser consideradas. Há um excelente quadro com a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), por exemplo. Há também o ex-prefeito Alexandre Kalil, o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, e o presidente da Assembleia Legislativa estadual, Tadeu Leite, recém-eleito conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais. Então, são nomes que surgem para uma composição majoritária e que precisam estar na mesa para que se possa dialogar e chegar a um consenso”, disse.

A declaração foi dada em conversa com a imprensa após o anúncio de investimentos da Petrobras na Refinaria Gabriel Passos, em Betim, nesta sexta-feira (20), quando Pacheco acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O senador já havia declarado que encerraria sua vida pública após deixar a presidência do Senado, momento em que chegou a ser cogitado para uma vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), mas teria sido preterido por Lula, que preferiu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias. Hoje, o senador menciona o STF como uma “página virada”.

“Se em algum momento isso foi cogitado, quero dizer que essa é uma página virada. Tenho respeito pela decisão do presidente Lula. É óbvio que seria muito honroso para mim. Uma indicação ao STF é algo pelo qual não se trabalha nem se faz campanha, mas também não se recusa. Como a decisão do presidente foi outra, uma decisão que eu reputo acertada, isso, para mim, ficou muito bem resolvido”.

Pacheco acredita que, no momento, o diálogo está concentrado no campo da política partidária. “Na verdade, no meu caso, a decisão é sobre a permanência na vida pública ou uma candidatura”.

“Eu vivi momentos muito tormentosos na presidência do Senado e na vida pública. Tinha um compromisso comigo mesmo de encerramento. Quando comecei a minha carreira política como deputado federal, eu tinha uma data de entrada e uma data de saída. Acho que a política não pode se eternizar. Há um momento em que você tem que sair para dar lugar a outros”, completou.

‘Forte tendência’ de deixar o PSD

O senador Rodrigo Pacheco deve deixar o Partido Social Democrático (PSD), ao qual é filiado desde 2021, em breve. “Há uma forte tendência de eu não permanecer no PSD em razão da posição tomada pelo partido em Minas, algo com o qual eu não me alio nem me filio. Acho que Minas precisa passar por uma mudança muito significativa para retomar os trilhos do desenvolvimento, do progresso e do crescimento. Por mais respeito institucional que eu tenha pelos adversários políticos e pelos personagens da política mineira, acredito que esse seja o caminho correto a ser tomado”, disse.

No fim do ano passado, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, deixou o Partido Novo e se filiou ao PSD para preparar sua pré-candidatura ao governo do Estado.

Pacheco ainda condicionou uma possível candidatura à definição de questões partidárias. “Olhamos de forma muito sensível para os problemas de Minas Gerais no Congresso Nacional e temos o reconhecimento do trabalho que fizemos e que estamos fazendo no parlamento em defesa de Minas. A consequência de isso se tornar uma candidatura ainda depende de definições de cunho partidário”, ressaltou.

Apesar de ter citado Marília Campos como possível nome para uma candidatura ao governo do Estado, Pacheco apoiou sua pré-candidatura ao Senado.

“Como senador eleito em 2018 e o mais votado do Estado, eu ficaria muito contente de ter uma mulher da qualidade da Marília ocupando a cadeira que ocupei ao longo desse tempo. Ficaria muito contente de ser substituído por ela, e é bom que ela saiba disso publicamente”, afirmou.

Propag e reconstrução de Minas

Por fim, Pacheco citou sua atuação no desenvolvimento do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) como solução para a dívida de Minas Gerais com a União, feito que foi, inclusive, elogiado por Lula durante o evento na Regap nesta sexta-feira.

“A finalidade principal de eu ter feito o Propag para solucionar a dívida do Estado era garantir dignidade aos servidores públicos de Minas Gerais. Eles estavam sendo tratados com indignidade por meio de um projeto de recuperação fiscal do Estado, que atrapalharia muito a vida de todos eles. Então, tenho consciência do que fiz e da defesa que realizei aos servidores públicos e aos setores produtivos”, disse.

Ele também citou alguns problemas de gestão que percebe no Estado e disse acreditar em uma reconstrução de Minas Gerais.

“Essa reconstrução passa por uma ação coletiva, sobretudo da classe política, que é quem tem a responsabilidade por essa reconstrução e por representar o povo. Não podemos nos render ao populismo e à demagogia. Temos que saber que o Estado está carente em diversos setores de infraestrutura, nas áreas de saúde, educação e segurança. Principalmente, ainda que tenhamos instituições muito sólidas e polícias eficientes e eficazes, tornou-se um Estado que tem gerado um clima de insegurança e de muita violência”, concluiu.

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