Aliança entre PT e PSB em Minas depende de acordo nacional e trava definição do vice
O período pré-eleitoral em Minas Gerais entrou em ritmo de negociações intensas nos bastidores, com foco na definição de alianças para as eleições de outubro. Um dos principais cenários é a possível composição entre PT e PSB no Estado, tratativa que, no entanto, não avança sem amarrações em âmbito nacional. Além disso, em Pernambuco, as duas legendas disputam espaços e isso trava o avanço do acordo em Minas, onde o PT já oficializou o deputado federal Patrus Ananias como candidato ao Palácio Tiradentes. A estratégia petista é garantir um vice do PSB, repetindo a fórmula da chapa Lula-José Alencar que ajudou a eleger o presidente pela primeira vez.
Dentro do PSB mineiro, dois nomes concentram as conversas para a vice. De acordo com fontes do PT, o nome preferido entre os petistas é o do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior, indicação do senador Rodrigo Pacheco. A sugestão ganhou força depois que Pacheco recusou o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o governo e oferecer palanque para a campanha presidencial petista em Minas. Já fontes do PSB dão conta que até mesmo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e outros correligionários defendem o nome do empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva. A disputa interna reflete a necessidade de equilibrar peso político, capacidade de articulação nacional e penetração no setor produtivo.
A oficialização de Patrus provocou reacomodações também dentro do próprio PSB. O ex-vice-governador e ex-senador Clésio Andrade, que até então era um dos cotados do PSB para disputar o governo, anunciou que não será candidato e que atuará na campanha. “Já fui vice-governador e senador, não tenho interesse em integrar uma chapa como vice ou suplente de senador, mas vou dar todo o apoio e ajudar na campanha do ministro Patrus, a quem admiro muito, ajudar na eleição das chapas proporcionais. Considero que o PSB tem nomes de peso para somar com o Patrus”, afirmou o empresário, que também assinalou que Jarbas seria um bom nome para vice de Patrus. A declaração esvazia uma candidatura interna e sinaliza apoio para viabilizar a aliança com o PT.
Questionado sobre seu posicionamento diante da formalização do nome de Patrus pelo presidente Lula, Jarbas Soares desconversou citando a célebre frase do ex-governador de Minas, Magalhães Pinto: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou”. No entanto, ele fez questão de externar a admiração que tem pelo deputado Patrus, lembrando que foi aluno do petista na graduação de Direito. “Temos que conversar com todos. No domingo, conversei com o vice-presidente Alckmin e acertamos que sempre é preciso buscar a conjunção de forças e encontrar a melhor solução para Minas com uma candidatura que possa aglutinar mais partidos de outro espectro político diferente do nosso”, afirma. O ex-procurador-geral disse que terá uma reunião com o presidente nacional da legenda, João Campos, nos próximos dias.
Pré-candidato ao governo de Pernambuco e presidente nacional do PSB, o ex-prefeito de Recife João Campos se reuniu em Brasília com integrantes do partido a fim de contornar movimentos de resistências que têm dificultado a aliança do PSB com o PT. Em Pernambuco, parte do PT tem criticado publicamente Campos e se posicionado contra o apoio do partido à sua candidatura, mesmo após a confirmação do senador Humberto Costa (PT) para tentar mais um mandato em uma das duas vagas na chapa para o Senado. Campos tem defendido que para além de construir candidaturas, é preciso fortalecer alianças que contribuam para o projeto de reeleição de Lula e Alckmin, a prioridade nacional da legenda.
Com o cenário ainda em aberto, as próximas semanas serão decisivas para fechar a chapa majoritária e também as composições para a Assembleia Legislativa e para o Congresso. A indefinição sobre o vice mostra como as decisões em Minas estão conectadas a disputas estaduais e nacionais, especialmente em Pernambuco, onde PT e PSB ainda negociam espaço. Para o PT, ter o PSB na chapa é visto como fundamental para ampliar a capilaridade e dialogar com setores do centro. Para o PSB, a escolha do nome para vice é também uma forma de garantir protagonismo no governo e no projeto de reconstrução da legenda em Minas.
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