Política

Empresas de pesquisa criticam proposta do TSE de criar ‘selo de qualidade’ para levantamentos

Proposta do ministro Kassio Nunes Marques para premiar institutos é recebida com indignação e vista como equivocada
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Empresas de pesquisa criticam proposta do TSE de criar ‘selo de qualidade’ para levantamentos
Foto: Gustavo Moreno / STF

A proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de criar um selo para premiar institutos de pesquisa cujos levantamentos mais se aproximarem do resultado das urnas foi recebida com indignação por grandes empresas do setor. Para elas, a iniciativa parte de uma premissa equivocada ao considerar que pesquisas eleitorais fazem previsões.

A minuta à qual o Estadão teve acesso diz que o “Selo Acurácia Eleitoral”, como é chamado o prêmio, tem como finalidade “contribuir para a precisão entre os dados levantados pelas pesquisas e os resultados oficiais das eleições”, “incentivar o aprimoramento contínuo da qualidade metodológica das pesquisas eleitorais” e “conferir visibilidade às empresas com melhor desempenho”.

O Selo será concedido em anos de eleições gerais, com entrega para depois do segundo turno, e contemplará pesquisas para presidente e governador. A proposta é que a avaliação considere apenas levantamentos de boca de urna e pesquisas realizadas nos sete dias que antecedem o pleito. Elas devem obrigatoriamente constar no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) e ter sido divulgadas ao público.

A proposta foi apresentada pelo ministro Nunes Marques em reunião com representantes de diferentes institutos de pesquisa nesta terça-feira, 14. O encontro foi convocado após o ministro suspender a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel que apontou uma queda de seis pontos porcentuais na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi classificada por empresas do setor como um ato de “censura”.

Pessoas que estavam presentes na reunião afirmaram crer que a proposta foi apresentada como uma tentativa de o ministro se reaproximar dos institutos de pesquisa após o desgaste provocado pelo caso Atlas. No entanto, o gesto acabou sendo considerado um “tiro no pé”, já que Nunes Marques teria demonstrado um conhecimento limitado sobre pesquisas eleitorais.

Conteúdo distribuído por Agência Estadão

 Bianca Gomes
Sobre o autor

Bianca Gomes

Agência Estadão

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas