Cufa transforma vidas e amplia conexões empresariais

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Cufa transforma vidas e amplia conexões empresariais
FOTO: DIÁRIO DO COMÉRCIO / ALESSANDRO CARVALHO

Se o empreendedorismo por si só é vocação, em comunidades periféricas e permeado por situações adversas ele se torna também uma necessidade. Nas vilas e favelas empreender é sinônimo de comida na mesa, contas pagas e dignidade. Quem vive em meio a este cenário entende bem essas peculiaridades, se compadece dos desafios e colabora para o florescer dos negócios.

Mas e quem não vê de perto essa jornada, não enxerga os obstáculos e tampouco faz algo para ajudar? Esses têm a possibilidade de conhecer a realidade do outro lado do muro, por meio do trabalho realizado pela Central Única das Favelas (Cufa).

Presente em todos os estados do Brasil mais o Distrito Federal, além de diversos países, a instituição foi criada há 27 anos no Rio de Janeiro e promove atividades culturais relacionadas a esporte, educação, cidadania e arte, através da cultura Hip-hop, promovendo a integração e inclusão social da favela. Frisa-se aqui que a Central tem a Favela Holding como mantenedora, um grupo com mais de 20 empresas voltadas para a favela e que se tornou seu braço econômico.

“A Cufa atua para que o empreendedor da favela consiga ter um mínimo de planejamento, de forma acabar com a necessidade de trabalhar hoje para comer amanhã. Fazendo com que as pessoas entendam que a maioria ali empreende não por escolha, mas por necessidade. E que é essa necessidade que impacta a economia do País em mais de R$ 2 bilhões por ano”, resume a presidente da Cufa MG, Marciele Procópio Delduque.

Para isso, a instituição conta com tecnologias sociais como instrumentos, como o Sebrae, entregando capacitação e conexão com grandes marcas. E é também neste contexto que nasce a Expo Favela Innovation, uma feira de negócios cujos expositores são empreendedores das favelas, e o objetivo é dar visibilidade a essas iniciativas, proporcionando palco para o encontro com investidores que possam acelerar esses empreendimentos e gerar negócios.

O evento percorre todo o Brasil com as etapas regionais, realizando a curadoria dos 10 finalistas de cada estado, que definem os concorrentes para a grande final nacional. Mais do que uma feira, a Expo Favela Innovation conta com uma ampla programação, incluindo palestras, workshops, exposições, rodadas de negócios, pitches, mentorias, debates, cursos, shows, filmes, desfiles e muitas outras iniciativas criadas por moradores de favelas de todo o País.

“Esse conjunto de iniciativas visa o fortalecimento econômico local das vilas e favelas, de maneira que toda a sociedade entenda que quanto mais o indivíduo tiver conhecimento e independência financeira, mais rápido conseguiremos fazer a transformação socioeconômica que tanto almejamos. O papel da Cufa neste contexto, é pavimentar a educação empreendedora e as conexões com quem pode amplificar essas vozes”, diz.

Por isso também tanto a Cufa quanto a Expo Favela acabam se ser agraciadas na nona edição do Prêmio José Costa, realizada no último dia 10, em Belo Horizonte, na categoria Geração e Distribuição de Riquezas. E para a representante da instituição em Minas Gerais, essa também é uma maneira de dar ainda mais visibilidade não apenas às iniciativas, mas também aos negócios e empreendedores periféricos.

“O olhar das empresas já mudou muito desde que elas entenderam que vale a pena integrar essa jornada. Já não olham mais para as favelas como exploração, mas como colaboração. Um pouco dessa nova percepção foi trazida pelo ESG e o mais importante desse movimento é que as grandes empresas entenderem que essas conexões promovem ascensão para ambos os lados”, avalia.

E sobre a premiação, Marciele Delduque se diz “sem palavras”. “Essa premiação fala muito para quem é oriundo da favela. Um jornal referência no Estado, que pauta a economia de Minas Gerais, que fala sobre potencialidade e lugares que a favela sequer imaginou um dia estar, reconhecendo a favela. Isso me deixa realmente muito feliz e me faz entender que nosso trabalho tem valido a pena e vem, verdadeiramente, alcançando vidas, e também impactando negócios”, conclui.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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