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Participação de elétricos em aplicativos cresce e já atinge 7,75% em Minas

Participação de veículos elétricos e híbridos nos aplicativos de transporte Mineiros salta de 4,7% para 7,75% em um ano, aponta estudo
Participação de elétricos em aplicativos cresce e já atinge 7,75% em Minas
Um dos veículos da frota da 100% Eletric. | Foto: Divulgação/ 100% Eletric

A eletromobilidade vem ganhando espaço no mercado de aplicativos de mobilidade urbana em Minas Gerais e no restante do Brasil. Um levantamento realizado pela plataforma Machine demonstra que a participação dos veículos elétricos e híbridos na frota dos aplicativos mineiros saltou de 4,7% em 2024 para 7,75% neste ano, um avanço de 3,05 pontos percentuais (p.p.).

A pesquisa, feita com base nos dados apresentados pelas empresas que adotam o software da Machine, produto da Gaudium, mostra que híbridos e elétricos saltaram de 2,1% para 6,1% da frota ativa em todo o Brasil nesse período. Já a participação desses modelos entre os novos veículos passou de 7% em 2024 para 21% neste ano.

De acordo com o estudo, esse crescimento indica que a transição energética já começou e tende a se intensificar na próxima década. A estatística responsável da Machine, Júlia Camossa, explica que o principal fator para o crescimento na participação dos veículos eletrificados na frota dos aplicativos é econômico.

“Para quem trabalha com aplicativo, o gasto com combustível tem um peso muito relevante na operação, então a economia gerada por veículos elétricos e híbridos acaba sendo um grande diferencial na decisão de adoção”, diz.

Além disso, ela destaca que os incentivos fiscais também têm contribuído para esse movimento. A especialista relata que diversos estados brasileiros já oferecem algum tipo de isenção ou redução de Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para veículos eletrificados.

No caso de Minas, Júlia Camossa menciona a isenção para veículos elétricos e híbridos produzidos no Estado. Segundo ela, isso reduz ainda mais o custo total e torna esses modelos mais atrativos para os motoristas de aplicativo.

Outro ponto relevante, segundo a estatística, é o surgimento de iniciativas locais que reforçam esse ecossistema. Isso porque em Minas Gerais já existem alguns exemplos de aplicativos que têm ingressado neste movimento, como é o caso da plataforma de transporte 100% Eletric, que opera apenas com modelos elétricos.

O aplicativo foi lançado em Janaúba, na região Norte de Minas, e já realiza cerca de três mil corridas por mês no município mineiro de 76 mil habitantes. O negócio sustentável tem gerado um faturamento anual de R$ 500 mil. Para a especialista responsável pela pesquisa, projetos como este contribuem para acelerar a adoção e dar mais visibilidade à eletromobilidade no Estado.

Aumento da participação dos eletrificados

Aplicativo de transporte.
Foto: Reprodução Adobe Stock

Apesar do aumento nas aquisições, a renovação completa da frota ocorre de forma gradual, com a participação de carros novos na frota recuando de 23,3% no ano passado para 13,2% em março deste ano. Os veículos permanecem em operação por vários anos.

Esse cenário cria um intervalo entre o momento em que os eletrificados passam a dominar as novas compras, previsto para 2031, e o ponto em que se tornam maioria no total da frota, estimado para 2038. A dinâmica evidencia que a transformação é tanto tecnológica quanto comportamental, refletindo padrões reais de uso e de substituição.

O estudo considerou mais de mil combinações de modelos e anos de veículos ativos em diferentes regiões do País, permitindo identificar padrões concretos de entrada de novos carros e de renovação da frota.

A análise ainda mostra que a adoção de veículos eletrificados não é uniforme. De acordo com o levantamento, as regiões do País com incentivos econômicos e infraestrutura de recarga mais desenvolvida apresentam maior penetração, enquanto outras avançam de forma mais lenta, impactando a velocidade da transição em escala nacional.

Júlia Camossa avalia que Minas Gerais está à frente da média nacional nesse quesito. Ela cita a diferença da participação de veículos elétricos e híbridos na frota de aplicativos que utilizam a Machine no Brasil (6,1%) e no Estado (7,75%). A estatística lembra que esse avanço já vinha se desenhando anos antes

“Em 2025, o País tinha cerca de 3,4% de participação, enquanto Minas já registrava 6,6%. Ou seja, o Estado não só acompanha a tendência de crescimento, como cresce em um ritmo mais acelerado”, pontua.

Portanto, a especialista ressalta que tudo isso indica que o mercado mineiro vem se consolidando como um dos mais avançados na adoção de veículos eletrificados dentro dos aplicativos de mobilidade.

Para o setor, essa evolução representa um desafio estratégico. De acordo com a estatística responsável da Machine, Júlia Camossa, a aceleração da eletrificação exige que aplicativos e motoristas se adaptem não apenas à tecnologia, mas também a novos modelos de operação e custos, que envolvem manutenção, recarga e gestão de frota.

“A transformação, portanto, envolve tanto a oferta de veículos quanto a adaptação da operação e do mercado de trabalho associado”, afirma.

Perspectivas para o futuro

Motorista de aplicativo de transporte.
Foto: Reprodução Adobe Stock

A perspectiva, segundo a especialista, é de crescimento contínuo da participação dos veículos elétricos e híbridos nos aplicativos de mobilidade. Ela explica que esse movimento será impulsionado principalmente pelos ganhos econômicos para os motoristas e pela ampliação dos incentivos.

“A tendência é que essa participação aumente de forma consistente nos próximos anos, até que esses veículos se tornem maioria nas frotas. Pelas projeções atuais, esse ponto de virada deve acontecer por volta de 2038, consolidando a eletromobilidade como padrão no segmento”, diz.

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No longo prazo, o avanço de híbridos e elétricos nas frotas de aplicativos reflete uma mudança estrutural na mobilidade urbana brasileira. De acordo com projeções da Machine, esse grupo de veículos deve responder por 95% das novas compras e 60,6% da frota total em 2040.

O estudo demonstra que a eletrificação não apenas acompanha tendências globais de sustentabilidade, mas também redefine padrões de operação, custos e competitividade, consolidando-se como fator determinante para a composição das frotas e para a atração de usuários e motoristas nos próximos anos.

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