Vila do Biribiri celebra 150 anos preservando a memória da tecelagem mineira
A charmosa Vila do Biribiri, a 15 km de Diamantina, é uma localidade que guarda muitas memórias e belezas naturais e está inserida no Parque Estadual do Biribiri. A vila está em festa, comemorando 150 anos de história e uma série de atividades promete movimentá-la desta quinta-feira a domingo (17 a 19).
A programação é promovida pela Estamparia S.A., atual proprietária das antigas instalações da fábrica de tecidos que funcionou no local entre 1876 e 1973. Fundada pelo bispo Dom João Antônio dos Santos e familiares, a fábrica produzia, em sua maioria, tecidos de algodão grosso, comercializados na região e também no Rio de Janeiro.
Hoje, a vila abriga pequenos restaurantes nas casas restauradas, um charmoso café, a igreja e um gramado imenso que serve para turistas e moradores da região aproveitarem o dia. Mais do que um marco arquitetônico e turístico, Biribiri é reconhecida como um importante lugar de memória do trabalho. A antiga vila operária foi construída para abrigar os trabalhadores da fábrica e chegou a contar com moradias, armazém, escola, clube e a Capela do Sagrado Coração de Jesus. O conjunto arquitetônico e paisagístico foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) em 1994.
Segundo o diretor da Estamparia S.A. e presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais (SIFTMG), Rogério Mascarenhas, a preservação da Vila de Biribiri é também a preservação de uma parte essencial da história econômica e social de Minas. “A Vila do Biribiri é uma das poucas vilas fabris originais ainda conservadas no mundo e representa o início da industrialização em Minas Gerais. Antes da energia elétrica, a força motriz vinha da água, por meio de rodas hidráulicas, correias e polias que movimentavam as máquinas da fábrica. Em torno desse modelo produtivo, nasceram as vilas fabris, com casas e serviços para os trabalhadores. Preservar Biribiri é manter viva uma preciosidade histórica e lembrar como a indústria foi fundamental para gerar desenvolvimento, riqueza e oportunidades para a sociedade”, afirma Mascarenhas.

A história da vila também revela a complexidade do início da industrialização no Estado. O maquinário utilizado na fábrica foi importado dos Estados Unidos e transportado até o sertão mineiro em uma longa operação logística, que envolveu mar, rios, trens, carros de boi e tropas. Pela localização distante do centro urbano, a construção da vila operária foi necessária para garantir moradia e estrutura aos trabalhadores.
A fábrica teve papel relevante na economia regional e, no auge da produção, contou com centenas de trabalhadores. Ao longo de sua trajetória, a presença feminina foi marcante nas atividades têxteis, especialmente nas funções de fiação e tecelagem. Após o encerramento das atividades industriais, em 1973, a Estamparia S.A. manteve a conservação do espaço, permitindo que Biribiri se consolidasse como referência histórica, cultural e turística.
Atualmente, a Vila do Biribiri é um dos principais atrativos de Diamantina e recebe visitantes interessados em conhecer sua arquitetura preservada, a antiga fábrica, a capela, as casas históricas e as belezas naturais da região, como as cachoeiras da Sentinela e dos Cristais.
Programação
As comemorações pelos 150 anos começam nesta sexta-feira (17), às 16h, no Centro de Convenções da Prefeitura Municipal de Diamantina, com recepção, abertura cultural, premiação de concurso de redação, assinatura de protocolo de intenções, homenagem a ex-funcionários da Fábrica do Rio Grande e descerramento de placa comemorativa. A programação vai reunir autoridades, convidados, ex-funcionários, moradores e representantes do setor industrial.
No sábado, as atividades serão realizadas na Vila de Biribiri. A programação inclui visita à vila, visitação ao Centro de Memórias, solenidade comemorativa no Clube da Vila, Vesperata Especial dos 150 anos em frente à Igreja de Biribiri e jantar de confraternização no antigo refeitório. Já no domingo (19), uma missa será realizada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. (Com informações da Fiemg e Prefeitura de Diamantina)
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