Mercado de trabalho aquecido ajuda indústria de Minas Gerais a crescer no 1º quadrimestre, diz IBGE
A produção industrial de Minas Gerais cresceu 2,1% em abril em relação ao mês anterior, após as quedas registradas em fevereiro (- 0,2%) e março (-1,3%), segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado positivo do Estado ajudou a influenciar de forma positiva o indicador geral do País.
O aumento acumulado no ano em Minas Gerais foi de 1,8%, ao passo que o resultado nacional ficou em 1,7%. Houve alta em dez dos 18 locais pesquisados, com destaque para Espírito Santo (25,3%) e Pernambuco (19,7%), que registraram as maiores expansões no período. Em contrapartida, o Rio Grande do Norte apresentou a redução mais expressiva em termos percentuais, com queda de 17,9%.
A produção nacional teve crescimento de 0,7% em abril. Dez dos 15 locais pesquisados registraram aumento da produção no mês, com Bahia (3,0%) e Ceará (2,3%) assinalando os avanços mais expressivos, enquanto Mato Grosso (-5,2%), Pará (-5,0%) e Pernambuco (-3,6%) apresentaram os maiores recuos em termos percentuais.
Trabalho e cenário econômico
Em relação ao mesmo mês do ano anterior, Minas Gerais alcançou crescimento da produção de 3,7%, enquanto o Brasil registrou alta de 2,7%. Nesse comparativo, 12 dos 18 locais pesquisados apresentaram aumento da produção, sendo Espírito Santo (32,9%) e Rio de Janeiro (10,1%) responsáveis pelas maiores expansões do indicador. Por outro lado, o Rio Grande do Norte apresentou a redução percentual mais acentuada no período, com queda de 13,6%.
Para a chefe da Seção de Pesquisas Econômicas do IBGE em Minas Gerais, Alessandra Coelho de Oliveira, o resultado positivo pode ser creditado a um mercado de trabalho forte, com boa geração de empregos, e à resiliência do setor, que conseguiu lidar com um cenário econômico adverso e repleto de incertezas.
“Há uma oscilação na produção industrial nesse período porque existem influências de contexto econômico variadas. Por um lado, temos uma política monetária mais restritiva, com uma taxa de juros ainda muito elevada, o que reduz investimentos e afeta a produção industrial. Por outro lado, temos um mercado de trabalho mais aquecido, com uma taxa de desocupação menor e aumento de massa salarial, o que traz reflexo positivo para a produção industrial pelo lado da demanda”, explica Alessandra.
“O encerramento do ano passado foi positivo nos dois níveis e, nesse ano, os resultados acumulados também continuam positivos. Diante desse contexto oscilante, o saldo tem sido favorável. Pode-se dizer que a indústria tem conseguido, de alguma forma, conciliar todas essas dificuldades e sustentar um resultado positivo”, completa.
Destaques
Entre as 14 atividades divulgadas para Minas Gerais, sete apresentaram elevação na produção industrial em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os maiores avanços ocorreram nos segmentos de coque, derivados do petróleo e de biocombustíveis (13,7%), metalurgia (12,1%) e produtos do fumo (6,0%).
As maiores reduções foram registradas em produtos químicos (-14,0%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-9,2%) e celulose, papel e produtos de papel (-8,8%). As atividades com maior influência positiva neste indicador foram metalurgia, refino e biocombustíveis e indústrias extrativas.
Considerando o resultado acumulado no ano, oito atividades apresentaram expansão da produção, sendo as maiores variações registradas em bebidas (10,3%), metalurgia (8,6%) e máquinas e equipamentos (7,6%). As principais retrações, em termos percentuais, ocorreram em máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-14,8%), produtos químicos (-11,5%) e celulose, papel e produtos de papel (-11,3%).
“Especificamente neste mês de abril e no resultado acumulado, há uma influência positiva de destaque para o setor das indústrias extrativas, tanto em âmbito regional quanto nacional. Se a política monetária geral tem um efeito contracionista, a indústria extrativa, com suas especificidades, tem ajudado a mudar esse ritmo de produção. Como Minas Gerais tem uma estrutura industrial muito focada na indústria extrativa, o saldo positivo se deve em grande parte a esse setor”, comenta Alessandra Coelho de Oliveira, do IBGE.
Equilibrando
A chefe da Seção de Pesquisas Econômicas do IBGE em Minas, afirma que, tanto no ano passado quanto neste ano, há um conjunto de influências positivas e negativas para a indústria. Mesmo com momentos oscilantes, o saldo geral dos acumulados tem sido positivo nos âmbitos nacional e regional.
“A indústria tem conseguido, diante de toda essa oscilação e de um contexto não muito claro do cenário econômico, sustentar uma produção ainda positiva”, conclui.
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