Fósseis de 2,1 bilhões de anos são identificados em revestimento da Faculdade de Medicina da UFMG
Quem passa diariamente pelo hall de entrada da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pode estar diante de um dos registros mais antigos da história da Terra sem perceber. É que o revestimento de mármore do prédio abriga fósseis de estromatólitos com idade estimada em 2,1 bilhões de anos. As estruturas foram identificadas após anos de investigação conduzida por um professor da própria instituição.
A descoberta foi feita pelo docente do Departamento de Anatomia e Imagem da Faculdade de Medicina, Kennedy Martinez. Embora suspeitasse da presença das estruturas havia cerca de oito anos, a confirmação ocorreu somente após registros fotográficos, análises comparativas e consultas a especialistas em paleontologia.
Os estromatólitos são estruturas produzidas por colônias de cianobactérias, microrganismos que tiveram papel decisivo na oxigenação da atmosfera terrestre. Ao longo de milhares e milhões de anos, essas colônias cresceram em camadas sucessivas, incorporando sedimentos e minerais até se transformarem em rochas fossilizadas.
No revestimento da Faculdade de Medicina, os fósseis aparecem em cortes transversais da rocha, formando desenhos elípticos e circulares, como se fossem manchas de onças. Segundo Martinez, cada uma dessas marcas corresponde a uma antiga colônia de cianobactérias que cresceu verticalmente, em um processo semelhante ao empilhamento de moedas.
As rochas utilizadas no acabamento do edifício têm origem na região de Ouro Preto, na antiga Pedreira Cumbi, conhecida pela extração de mármore dolomítico. De acordo com o pesquisador, o revestimento é o original da construção e nunca passou por reformas significativas.
A presença desses fósseis também ajuda a contar parte da história geológica de Minas Gerais. Segundo o professor, há bilhões de anos grande parte do território mineiro era coberta por mares rasos e quentes, ambiente que favorecia o desenvolvimento dos estromatólitos.
A relevância científica do achado foi confirmada por especialistas consultados durante a pesquisa. Conforme a avaliação do professor do Departamento de Ecologia e Conservação da Universidade Federal de Lavras (UFLA) Rodrigo Lopes Ferreira, os exemplares identificados na Faculdade de Medicina estão entre os fósseis de estromatólitos mais antigos já registrados no Brasil e figuram também entre os mais antigos conhecidos no mundo. Além do saguão principal, os fósseis podem ser observados em áreas da biblioteca da unidade.
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