Minas da fé: Estado terá seis frentes de inventário para mapear bens e tradições da religiosidade popular
O Governo de Minas anunciou, nessa quinta-feira (2), a criação do programa Minas da Fé, que vai estruturar um cadastro e inventário das referências culturais ligadas à religiosidade popular em todo o Estado. Desenvolvido pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), o projeto foi idealizado em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – Regional Leste 2 para consolidar as iniciativas e rotas religiosas de Minas Gerais.
O programa foi apresentado durante evento realizado na Casa de Retiros São José, em Belo Horizonte. A proposta é identificar e documentar bens materiais e imateriais, paisagens culturais, celebrações, lugares de devoção, formas de expressão, saberes tradicionais e modos comunitários de organização da fé presentes em Minas Gerais.
Segundo o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, a iniciativa amplia o conhecimento sobre o patrimônio cultural ligado à religiosidade popular. “Nós avançamos na proteção de bens materiais, mas no âmbito da imaterialidade é premente a necessidade de conhecer a riqueza da diversidade desse patrimônio da fé em Minas Gerais”, avalia.
O secretário também destaca que o programa contempla diferentes manifestações culturais existentes no Estado. “Então, esse é um dia e um momento histórico e de muita alegria para todos nós que amamos nossa história, que amamos o patrimônio histórico, de forma ampla, sem curadoria daquele que vale ou não vale, mas pensando em todos os povos, para fortalecermos o que nós chamamos de mineiridade”, diz.
Seis frentes de inventário
O Minas da Fé será estruturado em seis frentes de inventário. Veja abaixo:
- Cruzeiros, cruzes de caminho e marcos devocionais da paisagem mineira;
- Jubileus, romarias e celebrações devocionais;
- Presépios, lapinhas e tradições do ciclo natalino popular;
- Festas e devoções marianas;
- Irmandades, confrarias e associações devocionais;
- Ex-votos, votos e cultura da promessa.
O objetivo é reunir informações sobre referências culturais ligadas à religiosidade popular presentes em diferentes regiões de Minas Gerais. Para o arcebispo metropolitano de Montes Claros e presidente da CNBB Regional Leste 2, Dom José Carlos de Souza Campos, a parceria reúne diferentes instituições em torno da preservação desse patrimônio.
“Essa parceria é muito importante porque se somam forças para cuidar daquilo que é de todos. Minas Gerais é um Estado de alma religiosa, e essa alma vai ser cuidada agora a partir desse programa Minas da Fé, em que vários atores sociais se unem para cuidar desse patrimônio”, comenta.
O coordenador de Patrimônio Cultural do Ministério Público de Minas Gerais, promotor de Justiça Marcelo Mafra, ressalta que o inventário também representa um instrumento de proteção.
“O inventário é, primeiramente, um instrumento de pesquisa, de produção de conhecimento, mas ele é também um instrumento jurídico de proteção do patrimônio cultural. Então, conhecer esse patrimônio e reconhecer o valor desses objetos é um passo importantíssimo e imprescindível para nós avançarmos para as outras etapas que permitem transmitir esses bens culturais até as futuras gerações”, explica.
Edital para conservação de acervos
Durante o evento, a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop) também anunciou o edital Imaginárias de Minas, destinado à formação de um cadastro reserva de bens culturais móveis e acervos documentais de caráter histórico e religioso localizados no Estado.
Podem participar prefeituras, museus, arquivos públicos, bibliotecas, centros de memória, além de paróquias, igrejas, dioceses, irmandades e confrarias formalmente responsáveis pelos bens culturais. O edital contempla esculturas sacras em madeira policromada, pinturas sobre cavalete, livros raros, manuscritos, mapas, gravuras e acervos documentais históricos.
As inscrições são gratuitas e estarão abertas até dia 16 de agosto de 2026, por meio do site da Faop. Os bens cadastrados poderão ser selecionados, conforme critérios técnico-pedagógicos, para utilização como material didático nas atividades práticas do Curso Técnico em Conservação e Restauro. Todo o processo de conservação e restauro será realizado gratuitamente.
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