Kait é o utilitário esportivo de entrada da Nissan
Lançado em 2016, reestilizado na linha 2022, o Nissan Kicks foi o utilitário esportivo compacto da marca até a chegada da sua segunda geração, em junho do ano passado.
Por seis meses, a nova geração conviveu com a primeira. Neste período, o modelo antigo foi renomeado Kicks Play.
Em dezembro, a Nissan lançou o Kait, substituto e reestilização profunda do Kicks Play, tornando-o o novo SUV de entrada da marca, adversário dos modelos derivados de hatches.
Veículos recebeu o Nissan Kait Advance Plus para avaliação, segunda versão mais equipada da linha. No site da montadora, seu preço é R$ 149,89 mil. A cor azul custa R$ 2 mil a mais.
Os principais equipamentos de série desta versão são: multimídia Pioneer com tela de 9 polegadas e espelhamento sem cabo; painel digital de 7 polegadas; carregador por indução; chave presencial; rack de teto funcional; antena estilo shark e rodas diamantadas com pneu 215/60 R17.
No que diz respeito à segurança, os destaques são: alerta de colisão frontal; frenagem de emergência; alerta de saída de faixa; seis airbags; sistema de partida em rampa; monitoramento de pressão dos pneus; iluminação dianteira e traseira 100% em LED e retrovisor eletrocrômico.
Motor e câmbio
O motor do Kait é o mesmo do Kicks Play. Ele tem quatro cilindros, 1.6 litros e 16V com variação de abertura, na admissão e no escape, acionadas por duplo comando tracionado por corrente.
Aspirado e bicombustível, conta com injeção indireta multiponto e desenvolve potência de 113/110 cv às 5.600 rpm e torque de 15,2/14,9 kgfm às 4.000 rpm com etanol e gasolina, respectivamente.
O câmbio é automático do tipo CVT com conversor de torque e seis relações programadas para simularem marchas. Ele não permite trocas manuais, mas conta com modo esporte e reduzido.
Com 1.157 kg, 10,23 kg/cv e 76,11 kg/kgfm, o Kait acelera de 0 a 100 km/h em 11,8 segundos e atinge velocidade máxima de 175 km/h, segundo a Nissan.
Transformação
Na transformação do Nissan Kicks para o Kait, dianteira e traseira ficaram irreconhecíveis.
O capô foi alongado e elevado acima da base do para-brisa, “empurrando” faróis, grades e para-choque dianteiros o mais para a frente possível, deixando a dianteira perpendicular em relação ao piso.
A tradicional grade em “V” da Nissan deu lugar à nova assinatura da marca: faróis em faixa superior estreita e DRL abaixo, em três linhas horizontais de cada lado.
No caso do Kait, a grade foi deslocada mais para baixo, conferindo um ar de carro elétrico à sua dianteira.
O conjunto ótico traseiro também foi agrupado em faixa contínua e estreita. A tampa do porta-malas ganhou linhas e abertura retangulares.
Ela ficou ressaltada, mais volumosa. Com mais “lata” e menos “luzes”, o Kait ficou muito robusto e aparenta ser maior do que o Kicks Play.

Lateralmente, os dois modelos são quase idênticos. As exceções são os elementos ressaltados nas caixas de ar e as alterações nos para-lamas que, apesar de acompanharem os vincos das laterais já existentes, têm outros desenhos para o encaixe das novas partes dianteiras e traseiras.
Interior
A arquitetura da cabine do Kicks Play foi mantida no Kait, mas algumas peças foram redesenhadas para rejuvenescer o interior. O painel principal foi a peça mais alterada.
Sua parte superior perdeu os dois níveis, ficou plana e mais alta. Na parte central, o painel ganhou cortes mais diagonais e novas texturas nos materiais de revestimento.
Nesta mesma parte, o multimídia foi elevado e afastado do painel, ficando mais na vertical. As saídas de ar das extremidades deixaram de ser redondas e ficaram retangulares, parecidas com as centrais, assim como o quadro de instrumentos perdeu as curvas para ficar quase retilíneo.
Acompanhando essas linhas quadradas e retangulares, os painéis das portas foram redesenhados, ficaram mais robustos para combinarem com o design dos outros painéis.
No mais, a parte inferior do painel principal, o console central e demais peças e equipamentos são os mesmos do Kicks Play. Exceções, multimídia e quadro de instrumentos 100% digital são novidades.
Espaço
O espaço interno do Kait continua o mesmo do Kicks Play, um dos mais amplos entre os SUVs compactos.
Quatro adultos ficam confortáveis, com boa área para cabeça, ombros e pernas. O quinto vai um pouco apertado, mas consegue se acomodar bem em percursos menores.
Os bancos, as partes revestidas do painel e os quatro apoios dos braços são as únicas áreas macias ao toque. O restante é plástico duro.
Peças em preto brilhante e outras, imitando metais cromados e foscos, conferem mais sofisticação ao interior do que é usual neste segmento.
A bordo, a percepção da qualidade construtiva também está acima da média para a categoria de entrada. As peças são robustas, bem injetadas, e a montagem das mesmas transmite solidez.
Números
As dimensões do Nissan Kait são: 4,30 metros de comprimento; 2,62 metros de distância entre-eixos; 1,76 metro de largura e 1,61 metro de altura. O porta-malas comporta bons 432 litros e, o tanque de combustíveis, somente 41 litros.
Analógico, o ar-condicionado é eficiente em tempo de resfriamento, manutenção da temperatura e volume da ventilação. Faltam saídas para o banco traseiro.
O multimídia perdeu os botões físicos, mas a tela cresceu, tem um ótimo aproveitamento da sua área e ele espelha perfeitamente o celular. Seu brilho e a sensibilidade ao toque são muito bons.
O quadro de instrumentos é dividido em duas telas. A maior é do tipo TFT colorida e, a menor, é de cristal líquido monocromático.
Na maior, é possível escolher entre sete páginas com informações diversas. A menor é fixa. O computador de bordo tem informações múltiplas.
A direção do Kait é direta, apesar do volante não ser pequeno. Mas, ela é pouco assistida em manobras, não fica tão leve como era no Kicks. Nas outras velocidades, seu peso fica correto.
Acerto para melhorar o desempenho do motor e câmbio cobra no consumo
Do sistema Adas, essa versão do Kait tem apenas os alertas de colisão frontal, de saída de faixas e a frenagem automática de emergência. Escolha acertada, pois são os mais importantes.
Contando com uma boa bitola e pneus largos, o Kait tem muito “chão” para um SUV compacto.
O acerto das suspensões garante uma ótima estabilidade, ele contorna as curvas com muito controle direcional e é preciso forçar na conversão para fazer os pneus cantarem.
Mesmo assim, circulando sobre pisos irregulares, o conjunto trabalha em silêncio e isola bem a cabine das imperfeições dos pisos. Ótimo equilíbrio entre estabilidade e conforto.
Porém, ele é um SUV voltado para o asfalto, não é tão confortável na terra. Sua altura é suficiente para vencer lombadas e entradas de garagens sem raspar para-choques e o assoalho.
Rodando
Aos 110 km/h, e aos 90 km/h, o motor gira às 1.800 rpm, indicando que na menor velocidade o sistema ainda não permite ao câmbio trabalhar na relação mais longa do CVT.
Mas, é difícil circular com essa rotação tão baixa. Por ser um motor com potência e torque modestos, o sistema fica muito sensível ao curso do acelerador e ao sensor de inclinação.
Na mínima alteração do pedal da direita, a rotação do motor se eleva rápido para buscar um regime de trabalho mais próximo ao torque máximo.
Quando o esforço de deslocamento aumenta em um aclive, as relações são encurtadas e o giro sobe com o mesmo objetivo.
Já com curso total, e em modo Sport, essas relações pré-programadas são trocadas às 6.000 rpm, 500 rpm abaixo da faixa vermelha. Mas falta um recurso neste sistema.
Ele deveria permitir o controle destas relações para fazer reduções e deixar o carro em freio motor, como aletas no volante ou trocas no câmbio.
O modo Sport segura pouco e o Low trava muito. Poder escolher as relações programadas do CVT seria o ideal para este sistema.
Consumo
Este acerto para deixar o motor “vivo”, compensando os seus números reduzidos, entrega um desempenho melhor do que o esperado.
Porém, a melhora do desempenho somada à limitada possibilidade de segurar o SUV em freio motor, condição mais econômica de deslocamento, cobra no consumo.
Em nosso circuito rodoviário, realizamos duas voltas no percurso de 38,4 km, uma mantendo 90 km/h e outra os 110 km/h, sempre conduzindo economicamente.
Na volta mais lenta atingimos 16,8 km/l. Na mais rápida, 14,3 km/l, com apenas gasolina no tanque.
Em nosso circuito urbano de 6,3 km realizamos quatro voltas, totalizando 25,2 km. Simulamos 20 paradas em semáforos e vencemos 152 metros em aclives.
O Kait finalizou o exigente teste com 8,6 km/l de gasolina, marca que poderia ser melhor se ele oferecesse o sistema stop/start.
Precificado entre R$ 117,99 mil e R$ 152,99 mil, o Kait é disponibilizado em seis versões que conseguem concorrer com a maioria das variantes dos SUVs de entrada.
Se ele não tem a motorização turbo, compensa com uma mecânica robusta que evoluiu por anos, no Kicks e em outros modelos.
Amplo e muito bem equipado, o Kait tem, a mais, o frescor do design atual, influenciado pelo estilo dos modelos eletrificados, um trunfo que o Kicks Paly já não podia oferecer.
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