Renault Boreal disputa o concorrido mercado de utilitários médios
A partir de 2007, a Renault começou produzir com a sua marca os carros da Dacia, seu braço na Europa Oriental.
Em 2023, quando completou 25 anos produzindo no Brasil, a Renault iniciou o plano Renaulution. Ele marcou a retomada da qualidade europeia ocidental aos modelos vendidos em nosso mercado.
O primeiro modelo dessa nova “era” foi utilitário esportivo compacto Kardian, lançado em 2024. Ano passado foi a vez do Boreal, um SUV médio. Este ano, a picape Niagara chegará para disputar o segmento intermediário.
Veículos recebeu o Boreal Iconic para avaliação, versão de topo da gama. No site da montadora, seu preço sugerido é R$ 214,99 mil. As cores metálicas acrescem R$ 2 mil ao seu valor final.
Os equipamentos diferenciados do modelo são: teto solar panorâmico e retrátil; banco elétrico com memória e massagem; carregador de celular com refrigeração; retrovisor com rebatimento; multimídia e painel digital de 10 polegadas; som da marca Harman Kardon; porta-malas elétrico e rodas 19 polegadas diamantadas.
No que tange à segurança, essa versão é muito completa, com destaque para: controle de velocidade adaptativo (ACC); alerta de ponto cego ativo (BSW); alerta de distância segura (DW); alerta de colisão frontal (FCW); frenagem automática de emergência (AEBS) e saída segura dos ocupantes (SEA).

Além destes, outros sistemas tornam o Boreal um dos SUVs médios mais seguros. Também estão presentes: câmera 360º; estacionamento automático assistido; alerta de tráfico cruzado; farol alto automático; iluminação em full LED; sensor crepuscular e de fadiga do motorista e reconhecimento de placas.
Motor e câmbio
O motor turbo do Boreal é o 1.3 TCe de 4 cilindros. Ele tem cabeçote em formato delta, duplo comando tracionado por corrente e 16 válvulas com variação de abertura na admissão e no escape.
Contando com injeção direta de combustível que trabalha sob 250 bar e turbocompressor que atinge 1.4 bar de pressão, ele desenvolve potência de 163/156 cv às 5.250 rpm, com etanol e gasolina, respectivamente. O torque máximo é de 27,5 kgmf às 1.750 rpm, com ambos os combustíveis.
Seu câmbio é automatizado de dupla embreagem úmida EDC (Efficient Dual Clutch). Nele, as marchas podem ser trocadas manualmente usando os paddle-shifters localizados atrás do volante.
Pesando 1.438 kg, com relações de 8,82 kg/cv e 52,29 kg/kgfm, o Boreal acelera de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos e tem velocidade máxima limitada a 180 km/h, de acordo com a Renault.
Interior
O interior não é tão ousado, mas é imponente e tem muita qualidade perceptível. O design continua orientado por linhas horizontais paralelas e recortes diagonais na maioria das partes e das peças.
A arquitetura do painel é formada por três partes interligadas. Atrás do volante ele é recuado, ao centro é virado para o motorista e, em frente ao passageiro, ele é mais avançado.
Como o console central é largo e alto, e os apoios de braços são longos, motorista e passageiro ficam envolvidos.
Muitas áreas são revestidas e macias ao toque. A parte superior do painel principal e das portas tem revestimento emborrachado.
A parte inferior destas mesmas peças é coberta por material sintético que imita couro na cor azul, em uma tonalidade muito elegante. Este revestimento predomina na cabine.

O mesmo material, porém, na cor cinza, também é aplicado aos bancos, apoios de braços e console central.
Destaques
As telas do quadro de instrumentos e do multimídia têm o mesmo tamanho e estão interligadas por peça em preto brilhante, aparentando uma tela contínua.
O grafismo dos instrumentos é elegante, influenciado pelos elétricos da Renault, e confere tecnologia ao interior.
Mas, este design quase minimalista tem suas limitações. Só o dígito da velocidade está sempre visível. O conta-giros em traços tem leitura difícil, assim como alguns números pequenos.
Porém, é possível exibir o mapa do GPS no quadro de instrumentos, recurso raro em modelos nacionais.
Espaço
O Boreal tem um dos maiores entre-eixos do segmento (2,70 metros), o que garante ótimo espaço interno.
Nele, quatro adultos têm espaço de sobra para cabeças, ombros e pernas. Atrás de um motorista com 1,70 metro de altura, uma pessoa de mesma estatura fica com folga de mais de 20 cm.
Ao centro do banco traseiro, o quinto adulto tem menos apoio, pois encosto e assento são mais estreitos. Suas pernas ficam abertas, pois o túnel central é alto, mas há conforto em trajetos curtos.
A ergonomia é acertada. Banco, volante e pedais estão centralizados a contento. Apoios de braços das portas e do console central estão na mesma altura. Os equipamentos estão ao alcance das mãos.
O Renault Boreal tem 4,56 metros de comprimento, 1,84 metro de largura e 1,65 metro de altura. Seus ângulos de ataque e saída são de 22,2° e 26,6°, respectivamente, e ele tem 21,3 cm de vão-livre.
No porta-malas cabem 522 litros de bagagem, um ótimo volume. O tanque de combustíveis comporta 50 litros, sendo pequeno para um SUV médio. A Renault não divulgou a capacidade de carga total do modelo.
ADAS
O Boreal é o Renault mais tecnológico já feito no Brasil. Seu sistema ADAS é o mais completo.
O ACC é preciso. Em estradas, impressiona a suavidade das trocas de marchas na adaptação à velocidade do veículo à frente. Em cidades, para parar, a aproximação poderia ser menos intensa.
Mas, seu stop and go funciona muito bem nas paradas em engarrafamentos, imobilizando e retomando automaticamente em intervalos maiores que a maioria dos sistemas que já testamos.
Os reconhecimentos de tráfico cruzado e nos pontos cegos são rápidos, como suas ações de frenagem e notificação.
A “leitura” de faixas e correção de saída são eficientes, pois, por contar com centralização nas faixas, o modelo retorna ao centro das mesmas e não vai até a faixa oposta.
O sistema de câmera 360° ajuda muito em um SUV médio. A animação virtual do Boreal na tela tem ótima definição, mas as câmeras, não.
A rotação 3D é ágil, ajuda visualizar ao redor do modelo, porém, a baixa qualidade das imagens dificulta precisar a aproximação dos obstáculos.
O estacionamento assistido manobra em vagas paralelas e perpendiculares. Todos estes recursos, juntamente com os sensores de aproximação, formam um conjunto robusto de auxílios à condução.
Mesmo com acerto mais rígido e esportivo, conjunto da suspensão também entrega conforto
O multimídia usa arquitetura Google. Por comando de voz é possível controlar equipamentos como o navegador nativo e o ar-condicionado.
Este último tem duas zonas, botões físicos e é eficiente em tempo de resfriamento e manutenção da temperatura. Saídas traseiras ajudam muito na ventilação.
O teto panorâmico é retrátil e cobre toda a cabine. A chave é realmente presencial, destrava as portas ao aproximarmos e tranca ao afastarmos. O banco do motorista tem memória e ainda faz massagem.
Estes e de outros equipamentos têm os recursos mais atualizados, tornando o Boreal um modelo nacional muito próximo aos chineses, os mais tecnológicos atualmente.
Rodando
A direção elétrica é leve em manobras e perde assistência progressivamente, o ideal. Ela é direta, faz o carro apontar rapidamente e contornar as curvas como se fosse um modelo menor do que é.
O conjunto de molas e amortecedores tem acerto mais rígido. Ele não deixa a carroceria adernar nessas conversões, mantém o controle direcional, mas faz os pneus cantarem.

Mesmo atuando de forma esportiva em curvas, a suspensões conseguem isolar as irregularidades do piso e entregam o conforto esperado para um SUV médio.
O isolamento acústico é muito bom. O funcionamento do motor, o atrito dos pneus e a retenção aerodinâmica quase não são ouvidos na cabine. O conforto acústico é superior ao de marcha.
Diferencial
O motor utilizado é igual ao do Renault Duster, mas o câmbio automatizado deu outra vida ao Boreal.
Mesmo perdendo potência ao ser enquadrado ao Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve L8), a tração direta por duas embreagens, sem o conversor de torque, deixa a tocada esportiva.
Usado em modelos superesportivos, praticamente não existem intervalos entre as marchas neste sistema.
Elas passam umas sobre as outras, aproveitando todo torque e potência gerada pelo motor. O uso do paddle-shifters é permissivo e modos de condução priorizam economia ou desempenho.
Isso não transforma o Boreal em um esportivo, mas dá muito prazer em uma condução mais agressiva.
Rodando suavemente, a precisão se mantém, o sistema busca deixar a marcha mais longa possível e, consequentemente, a rotação mais baixa. Assim, o Boreal anda bem e consome pouco.
Consumo
Em nossa avaliação, o Boreal foi econômico para um SUV médio usando gasolina. Na estrada, no percurso de 38,7 km, realizamos uma volta aos 90 km/h e outra aos 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Na volta mais lenta, ele registrou 16,2 km/l e, na mais rápida, 14,7 km/l.
No teste de consumo urbano rodamos por 25,2 km em velocidades entre 40 e 60 km/h, fazemos 20 paradas simuladas em semáforos e vencemos 152 metros de desnível.
Neste severo teste, o SUV atingiu a média de 8,8 km/l. O sistema stop & start contribuiu com essa boa marca.
O Renault Boreal é muito bem equipado, gostoso de “pilotar” e econômico para o segmento no qual está inserido. Em breve, ele deverá figurar entre os SUVs médios mais vendidos do Brasil.
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