Inovação e tecnologia. Duas palavras que podem contribuir significativamente para o setor da mineração no Brasil. E, se depender da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), elas têm de tudo para chegar em breve ao mercado. A instituição divulgou os projetos de inovação aprovados para a segunda rodada do Programa Finep Startup e, entre os 75, três são voltados para o setor.

Com premiação de cerca de R$ 1 milhão, os escolhidos têm a chance de potencializar projetos que vão contribuir para tornar a prática mais segura e sustentável. Um dos mais relevantes deles vem da startup mineira MiningMath.

De acordo com o idealizador da MiningMath, Alexandre Marinho, mestre em engenharia de minas pela McGill, no Canadá, é disso que o setor precisa para recuperar a confiança da população.

“A mineração responde a mais de 4% do PIB e é responsável por 36% do saldo da balança comercial brasileira, sendo, portanto, imperativo investir no setor e buscar uma produção mais sustentável. A nossa tecnologia é capaz de melhorar a performance e reduzir riscos socioambientais, tornando a atividade mais segura e sustentável”, afirma Marinho. E a boa notícia é que essa tecnologia não só existe, como já vem sendo aplicada. Seu nome é SimSched.

A ferramenta, 100% brasileira, possibilita a análise de projetos de mineração de maneira estratégica, a partir do cruzamento de fatores geológicos, ambientais, sociais, econômicos e legais. Para isso, disponibiliza um ambiente de trabalho colaborativo, em que cada área pode inserir informações de sua competência.

Após essa etapa, o SimSched realiza a simulação de cenários, que contribuem para a tomada de decisão com mais segurança e qualidade. A tecnologia já foi aplicada e aprovada. “Em uma consultoria recente para uma grande mineradora chilena, um dos resultados foi o aumento do Valor Presente Líquido (VPL) de um projeto em 68%”, revela Marinho.

Finep Startup – A MiningMath é uma das 75 startups que competem pelos 30 primeiros lugares na classificação final do Programa Finep Startup. Para conseguir avançar na disputa, as startups precisam obter apoio do setor privado, conquistando investidores-anjos, que representam 25% da pontuação total nos critérios do programa. Ao todo, cada startup pode apresentar até cinco investidores, cada um participando com o valor mínimo de R$ 50 mil, até o dia 28 de maio.

Essa não é a primeira vez que a MiningMath participa de iniciativas dessa natureza. Em 2016, foi classificada no Programa Inova Mineral (também da Finep), com investimento aprovado de R$ 2 milhões. No entanto, três anos se passaram e o montante ainda não foi liberado para a startup. Em 2017, a startup também participou do Programa Finep Startup e foi aprovada na primeira rodada, mas não conseguiu evoluir na disputa pela falta do apoio de investidores privados.

“Após seis anos de desenvolvimento do SimSched, a MiningMath está sendo reconhecida no mercado internacional. Nosso desejo é contribuir para que o Brasil também adote soluções como essa, com alto grau de complexidade, resultados de longo prazo e que contribuem efetivamente para tornar a mineração sustentável. Surpreendentemente, tem sido mais difícil conseguir suporte no Brasil do que no Chile, por exemplo. Contamos com o apoio das mineradoras e do governo brasileiro para reverter este quadro”, explica Marinho.