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Vale vai investir R$ 7,5 bilhões para desativar 9 barragens de rejeitos

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Vale vai investir R$ 7,5 bilhões para desativar 9 barragens de rejeitos
O caso da Vale é bastante emblemático. Por dez réis de mel coado fabulosos ativos da antiga e eficiente Vale do Rio Doce, maior empresa na área de extração de minério de ferro no mundo, foram transferidos para empresários privados - Crédito: Agência Vale

A Vale vai investir cerca de R$ 7,5 bilhões para acelerar o processo de descomissionamento de nove barragens de rejeitos de minério de ferro a montante localizadas em Minas Gerais. Desde o rompimento da barragem em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ocorrido em janeiro último, a mineradora anunciou a eliminação dos reservatórios dos subprodutos do beneficiamento do minério de ferro que usem o mesmo método de construção que as estruturas que se romperam.

Segundo a companhia, serão desativadas as estruturas localizadas nas unidades de Abóboras, Vargem Grande, Capitão do Mato e Tamanduá, no complexo Vargem Grande, e de Jangada, Fábrica, Segredo, João Pereira e Alto Bandeira, no complexo Paraopebas, todas em Minas Gerais.

Em comunicado, a empresa detalhou que duas barragens serão eliminadas em três anos; cinco serão transformadas no modelo a jusante, considerado mais seguro, antes do descomissionamento; e outras duas terão seu fator de segurança elevado dentro de três anos antes do encerramento e descaracterização definitiva do uso da estrutura.

Somente para este exercício, a Vale estima despesas de até R$ 800 milhões no processo de gerenciamento das barragens. Já para o ano seguinte estão previstos outros R$ 2 bilhões. Por fim, mais cerca de R$ 800 milhões serão aplicados nos próximos anos até o fim do descomissionamento.

No comunicado, o diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, admitiu que a empresa está passando por um momento crítico, mas que criou oportunidades para identificar e reafirmar as prioridades da companhia.

“A Vale também está comprometida em fortalecer seu pacto com a sociedade, no qual buscaremos entregar uma nova proposta de valor, atuando como um vetor para a criação de crescimento econômico nas comunidades onde operamos, indo além do simples pagamento de impostos e das ações de reparação. Planejamos buscar oportunidades para estabelecer parcerias e alianças para promover o desenvolvimento sustentável no território local”, garantiu.

Plano – Ainda conforme a empresa, o plano de descaracterização das barragens de minério de ferro a montante da Vale foi preparado em 2014, antes mesmo do rompimento da barragem de Fundão, em Bento Rodrigues. A mineradora e a BHP Billiton são acionistas da Samarco Mineração, dona do reservatório que encontrou em colapso no fim de 2015. O ocorrido afetou centenas de cidades mineiras e de outros estados, deixando 19 mortos e contaminando o rio Doce.

Em 2018, foram descaracterizadas 20 barragens, como exemplo: Barragem Athayde na mina de Capanema, Dique dos Ingleses na mina de Gongo Soco, Dique Pera na mina Del Rey, Barramento 10 – mina de S11D, Lavra Azul na mina de Fazendão.

No começo deste ano, porém, o rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, deixou 246 mortos e 24 desaparecidos.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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