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Vale fará reparação de danos em Brumadinho

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Vale fará reparação de danos em Brumadinho
Boa parte dos investimentos da mineradora será feita para recuperar a bacia do rio Paraopeba - Crédito: REUTERS/Washington Alves

A Vale vai destinar R$ 1,8 bilhão para recuperação das áreas atingidas pelo rompimento da barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ocorrido em janeiro. As intervenções visam recuperar o meio ambiente, especialmente do trecho atingido do rio Paraopeba, reconstruir equipamentos públicos e garantir a segurança das estruturas remanescentes.

Somente para este ano estão previstos entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões.

“O plano global vai até 2023, quando estimamos que 80% da bacia do rio Paraopeba esteja recuperada”, afirmou o diretor de reparação da Vale, Marcelo Klein, durante coletiva de imprensa em Brumadinho.

No entanto, estas intervenções não garantem o abastecimento de água da Grande Belo Horizonte no longo prazo. É que o rompimento da barragem comprometeu a captação de água pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) no rio Paraopeba, impactando o volume de recursos hídricos direcionados aos domicílios da Capital.

“São frentes de atuação diferentes. Já iniciamos as tratativas para a resolução do abastecimento e, inclusive, o Ministério Público está intermediando. A ideia é construirmos um novo sistema de captação. Para isso, estimamos gastos extras entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões também neste exercício”, justificou.

A Copasa solicitou a realização das intervenções o quanto antes, para que possa retomar a captação completa no Sistema Paraopeba e evitar o risco de desabastecimento de parte da RMBH a partir do ano que vem.
Da mesma maneira, conforme Klein, as obras da mineradora na reparação dos danos ambientais já causados pela ruptura da barragem também correm contra o tempo. Neste caso, em função do período de chuvas.

Contenção – Iniciado em fevereiro, um mês após o colapso, o plano de contenção de rejeitos prevê a realização de 23 ações até setembro. Entre elas, a construção de barreiras de contenção, estações de tratamento de água e diques, para reduzir o carreamento de material para o rio Paraopeba.

De acordo com o gerente de engenharia de projeto da mineradora, Anselmo Marinho, destas, três já foram concluídas e, desde maio, o rejeito já não chega mais ao rio. São elas: uma barreira de contenção a 2 quilômetros da barragem colapsada, uma barreira de estaca prancha no encontro entre o ribeirão Ferro-Carvão e o rio Paraopeba e a estação de tratamento de água no mesmo local.

Segundo Marinho, a estação de tratamento já está tratando 2 milhões de metros cúbicos de água por hora e devolvendo em condições naturais ao ribeirão Ferro-Carvão, que deságua no Paraopeba. “Além disso, 66 pontos dos rios Paraopeba e São Francisco, onde o Paraopeba deságua, estão sendo monitorados”, ressaltou.

Por fim, Klein concluiu que o rio Paraopeba não está sendo mais contaminado. “Não temos mais rejeitos sendo carreados para o rio, uma vez que cessamos o dano continuado a partir do rompimento da barragem. Agora, o desafio diz respeito à complementação das obras de engenharia visando à robustez das estruturas para o período de chuvas”, resumiu.

Para isso, além das obras que já foram realizadas, estão previstas outras frentes de trabalho ate 2023. Neste período, haverá a contratação de 28 empresas e a previsão é de gerar 2,5 mil empregos. Atualmente, 1,3 mil trabalhadores já atuam nas intervenções.

Assim, dos mais de 11 milhões de metros cúbicos de rejeitos que foram espalhados pela região a partir da ruptura da barragem, cerca de 550 mil metros cúbicos já foram retirados, após vistoria do Corpo de Bombeiros e transportados para uma área dentro da mina, previamente definida e autorizada pelos órgãos competentes. Estes, por sua vez, contabilizam 246 mortos e 24 pessoas desaparecidas em decorrência do desastre.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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