Governo de Minas quer privatizar a Codemig

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Governo de Minas quer privatizar a Codemig
Com estes recursos pretendemos ter fluxo de caixa para garantir o fim do parcelamento e o pagamento do 13º do funcionalismo estadual, disse Zema - Crédito: Renato Cobucci / Imprensa-MG

Após trabalhar por meses na elaboração do plano de recuperação financeira do Estado, o governo de Minas Gerais, enfim, apresentou as primeiras medidas exigidas pelo governo federal para a adesão do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Sem o apoio necessário para aprovação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a estratégia do governador Romeu Zema (Novo) foi dividir as ações e deixar com que os parlamentares decidam quando votar.

Os detalhes foram divulgados ontem, em coletiva de imprensa com a presença do governador e dos secretários de Fazenda, Gustavo Barbosa, de Planejamento e Gestão, Otto Levy, e de Governo, Bilac Pinto.

Batizado de “Todos por Minas”, o programa envolve uma série de ações voltadas a tirar o Estado da grave situação financeira que acumulou nos últimos anos. Ao apresentar as propostas, Zema afirmou que o Estado está falido. O governador disse ter herdado o Estado com uma dívida de R$ 34 bilhões da gestão passada e mais R$ 108 bilhões acumulados e passivos ao longo dos anos.

“É preciso coragem para mudar o futuro. Temos que prestar melhores serviços e não faremos isso sem a adoção de medidas duras, porém, extremamente necessárias. Nossa autonomia não está e nunca esteve à venda. Hoje, no intuito de devolver aos mineiros a possibilidade de dias melhores, lançamos o ‘Todos por Minas’”, disse em seu discurso.

Os projetos encaminhados ao Legislativo dizem respeito à autorização para que o Estado faça adesão ao Regime de Recuperação Fiscal junto à União; à privatização da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig); e à antecipação dos recebíveis do nióbio, estimados em R$ 5 bilhões, referentes à própria Codemig.

“Com estes recursos pretendemos ter fluxo de caixa para garantir o fim do parcelamento e o pagamento do 13º salário do funcionalismo estadual”, disse o governador, que ressaltou que esse é o primeiro passo para a adesão ao RRF e afirmou que outros projetos serão encaminhados, gradativamente, à Assembleia Legislativa.

“A intenção é privatizar todas as empresas de Minas. Enviamos, agora, a proposta da Codemig e, posteriormente, mandaremos também da Cemig, Copasa e Gasmig. Sei o orgulho que estas empresas nos deram no passado, contribuindo para o desenvolvimento, mas a economia mudou e as perspectivas também”, completou.

As medidas são exigências do governo federal para o Estado aderir ao programa federal e suspender o pagamento da dívida com a União por três anos prorrogáveis por mais três. O governador chegou a comparar a situação de Minas à do Rio de Janeiro, que pediu recentemente para renovar a adesão ao regime, e a do Rio Grande do Sul, que também já encaminhou as propostas.

Codemig – Da lista das estatais que o Estado pretende privatizar, a Codemig puxou a lista por ser considerada a mais valiosa delas, segundo o secretário de Fazenda, Gustavo Barbosa.

“A valorização de empresas tem muita subjetividade. Mas o que sabemos é que a Codemig é um ativo valioso. O Ministério Público já está avaliando a questão do minério e se o Estado tiver algo a receber, isso vai ser tratado judicialmente. Por isso, seria prematuro falar em valor. Mas é certo que trará fluxo de caixa ao governo do Estado, afirmou.

Vale lembrar que a Codemig é detentora do direito de exploração de uma jazida de nióbio em Araxá, no Alto Paranaíba. Para explorar, processar e comercializar o minério, a Codemig constituiu a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que repassa à estatal 25% do lucro líquido da operação e é titular de direitos de exploração de outra mina, uma sociedade que tem arrendada seus direitos de lavras.

O contrato da parceria entre a Codemig e a CMBB tem validade até 2032 e o Estado deseja receber antecipado estes valores com a desestatização. Por isso, o terceiro projeto de lei encaminhado à ALMG dispõe da autorização para a cessão, a pessoas jurídicas de direito privado e a fundos de investimento regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de direitos originados de créditos presentes e futuros do Estado junto à estatal.

Projetos de lei apresentados

Autorização para que o Estado possa solicitar a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal. Com isso, será cumprida a primeira etapa junto ao governo federal;

Desestatização da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Os recursos obtidos com a venda da empresa podem ser utilizados no pagamento do Regime Próprio de Previdência dos Servidores. O projeto pede autorização para alienação de ações e abertura de capital, dentre outras medidas. A forma como será feita a desestatização ainda será definida pelo governo, de modo a garantir o melhor valor do ativo;

Autorização para a cessão, a pessoas jurídicas de direito privado e a fundos de investimento regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de direitos originados de créditos presentes e futuros do Estado junto à Codemig. A operação será uma securitização do fluxo futuro de dividendos como alternativa para a captação de recursos no mercado, sem aumentar o endividamento do Estado.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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