Minas terá mais de R$ 450 mi para financiar energia limpa

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Minas terá mais de R$ 450 mi para financiar energia limpa
Crédito: Charles Silva Durate/Arquivo DC

O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) vai destinar mais de R$ 450 milhões para financiamento de projetos de geração de energia limpa e eficiência energética no Estado. Os recursos são provenientes de uma parceria inédita com o Banco Europeu de Investimento (BEI) e representa a maior linha de crédito internacional da história do banco para financiar a economia sustentável em Minas Gerais.

As informações são do presidente da instituição financeira, Sérgio Gusmão, que celebrou a parceria na sede do BEI, de 100 milhões de euros, em Luxemburgo, com a vice-presidente daquela instituição financeira, Emma Navarro, ontem.

“Trata-se do maior contrato da história do BDMG e uma parceria inédita com o Banco Europeu de Investimento. São cláusulas interessantes, com prazos alongados para operações e uma oportunidade ímpar para quem quer investir em energia renovável e eficiência energética em Minas Gerais”, comentou.

O objetivo, segundo ele, será financiar projetos de geração de energia limpa, incluindo energia solar fotovoltaica, PCHs, usinas de bioenergia, e eficiência energética. Poderão ser atendidos projetos em Minas Gerais de empresas de qualquer porte, com custo máximo 50 milhões de euros por projeto, incluindo iniciativas do poder público.

O prazo para pagamento pode chegar a 13 anos, dependendo da natureza da operação e do tipo de negócio, com até dois anos de carência. Os recursos do BEI serão liberados em fases e poderão ser até 20 repasses.

“Já possuímos uma carteira de projetos muito avançados neste segmento. Mas a nova linha de crédito vai permitir incrementar esse trabalho e diversificar ainda mais a matriz econômica mineira. Além disso, muitas iniciativas estão localizadas na parte Norte do Estado, como o Vale do Jequitinhonha, o que vai contribuir também para o desenvolvimento de regiões menos favorecidas do Estado”, destacou.

Conforme o presidente, já há cinco projetos em fase avançada aderentes ao perfil da linha, sendo dois em avaliação pelo próprio banco europeu. Assim, a expectativa é que o novo produto já ajude a incrementar, inclusive, os desembolsos neste exercício. Para se ter uma ideia, nos primeiros nove meses deste ano, o BDMG já desembolsou R$ 31 milhões para projetos de energia solar fotovoltaica. O valor é 142% maior do que o liberado no mesmo período do ano passado.

Gusmão lembrou que os recursos chegam no momento em que o mercado de energia limpa e renovável está em ascensão e reúne grande potencial em Minas. “Neste contexto, é compromisso do BDMG proporcionar recursos para apoiar o relançamento da economia mineira em bases sustentáveis e em sintonia com o perfil de crédito disponibilizado no mundo”, garantiu.

BEI – Criado em 1958 e sediado em Luxemburgo, o Banco Europeu de Investimento (European Investment Bank, EIB, em inglês) é uma das maiores instituições multilaterais no mundo. Nos últimos cinco anos, concedeu mais de 65 bilhões de euros em novos financiamentos para investimentos globais em energia renovável, eficiência energética e distribuição de energia.

Grupos estrangeiros avançam no mercado brasileiro

São Paulo – Empresas como a chinesa CGNEI, a norueguesa Statkraft, a francesa EDF e a Golar Power, associação entre a norueguesa Golar LNG e um fundo, avançaram em sua estratégia no Brasil ao conquistar na sexta-feira (18) contratos para venda de energia no leilão A-6, promovido pelo governo para atender à demanda futura de distribuidoras de eletricidade locais.

Além dessas, destacaram-se na licitação outros grupos, como a Rio Energy, do fundo norte-americano Denham Capital, a paranaense Copel, a Eneva e as desenvolvedoras de projetos Casa dos Ventos e SER, segundo comunicados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), das empresas e análise da consultoria ePowerBay.

O leilão na sexta-feira fechou a compra de energia junto a empreendimentos que somarão capacidade total de 2,9 gigawatts e deverão demandar investimentos de cerca de R$ 11 bilhões. Pelos contratos fechados na licitação, de 20 a 30 anos de duração, as usinas precisarão iniciar operação a partir de 2025.

A Golar Power foi a principal vencedora em termos de volume, ao viabilizar a usina Novo Tempo Barcarena, no Pará, com 604,5 megawatts em capacidade. O projeto, em sociedade com a Evolution Power Plants (EPP), utilizará gás natural e deverá demandar R$ 1,5 bilhão, segundo a CCEE.

Já a norueguesa Statkraft disse que vendeu no certame a produção futura de 375,6 megawatts das usinas eólicas Ventos de Santa Eugênia e Serra da Mangabeira, na Bahia. Os projetos deverão demandar aportes de cerca de R$ 1,5 bilhão, de acordo com a consultoria ePowerBay.

Também destacou-se com volume significativo na licitação a Atlantic, empresa de energia renovável recentemente adquirida pelo grupo chinês CGNEI. A Atlantic, já sob controle da CGNEI, fechou contratos para parques eólicos na Bahia e no Piauí com 218,5 megawatts.

Isso permitirá à companhia desenvolver 248 megawatts em projetos, escreveu em seu perfil no Linkedin o chefe de Operações da Atlantic, Gabriel Luaces.

A francesa EDF, que vinha se destacando em leilões no Brasil, também sagrou-se entre as vencedoras, com projeto para parque eólico de 42 megawatts na Bahia orçado em R$ 168 milhões, segundo o levantamento da ePowerBay.

Entre as estrangeiras, destacou-se também a francesa Voltalia, que vendeu a produção futura de uma pequena hidrelétrica em Minas Gerais com 16 megawatts, que deverá exigir R$ 151 milhões, e de parques eólicos com 80 megawatts, orçados em R$ 123 milhões.

A ePowerBay ainda apontou que a Rio Energy, do fundo Denham Capital, viabilizou um parque eólico de 27,5 megawatts na Bahia, estimado em R$ 96 milhões.

Empresas locais – Entre as elétricas brasileiras, um dos destaques foi a estatal paranaense Copel, que viabilizou o parque eólico Jandaíra, no Rio Grande do Norte, com 90 megawatts em capacidade.

A Copel disse em comunicado que o investimento estimado é de R$ 400 milhões e que a energia vendida no leilão representa 30% da garantia física do parque, “sendo que o restante da energia deverá ser comercializada através de contratos no ambiente livre”.

A Eneva venceu o certame com o projeto termelétrico Parnaíba VI, uma expansão da usina Nova Venécia 2 em 92,3 megawatts por meio de fechamento de ciclo da unidade. O investimento estimado é de R$ 470 milhões, disse a empresa em comunicado.

A desenvolvedora de projetos eólicos Casa dos Ventos conquistou contratos para empreendimento no Rio Grande do Norte, o projeto Santa Léia, com 67,2 megawatts em capacidade. O investimento estimado é de R$ 269 milhões.

Já a SER comercializou a produção de 300 megawatts do projeto solar Graviola, no Piauí, orçado em R$ 1,16 bilhão, segundo a ePowerBay.

Analistas do BTG Pactual destacaram o desempenho de Eneva e Copel. Em relatório no domingo, apontaram que o resultado pode resultar na criação de valor entre R$ 0,4 e R$ 0,9 por ação para a Eneva e de R$ 0,1 por ação para a Copel.

Solar – O leilão de energia brasileiro também teve como destaque o desempenho dos projetos de energia solar, que tiveram os menores preços médios da licitação, abaixo das usinas eólicas, segundo análise do centro de estudos Acende Brasil.

A energia dos empreendimentos solares foi comercializada por R$ 84,39 por megawatt-hora, em média, contra R$ 98,89 por MWh das eólicas, apontou o instituto em relatório.

Com isso, as solares registram o segundo certame consecutivo como fonte mais barata entre as negociadas, repetindo desempenho visto no leilão A-4, em junho.

Os preços no leilão A-6 da sexta-feira, no entanto, não chegaram bater recorde visto no certame A-4, quando as solares comercializaram energia a até R$ 64,99 por MWh, um recorde negativo, enquanto as eólicas negociaram a até R$ 79,92 por MWh, também perto de mínimas da fonte. (Reuters)

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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