Mais de 70% das rodovias em MG têm trechos danificados

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Mais de 70% das rodovias em MG têm trechos danificados
rodovias que cruzam o Estado tiveram classifi cação ótima ou boa | Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil Usada em 29-04-19

São necessários cerca de R$ 6,67 bilhões de investimentos para a reconstrução, restauração e manutenção dos trechos danificados nas rodovias que cortam Minas Gerais, segundo estimativas da 23ª pesquisa CNT de Rodovias, divulgada nessa terça-feira (22) pela Confederação Nacional do Transporte.

Ao todo, foram percorridos 15.363 quilômetros (km) pelo Estado e no Brasil a extensão chegou a 108.863 km. Do total em Minas, 70,6% tem alguma deficiência, enquanto no País, o índice é de 59%.

De acordo com o levantamento, o estado geral das rodovias mineiras, que inclui a avaliação conjunta do pavimento, da sinalização e da geometria, foi classificado como regular, ruim ou péssimo. Somente 29,4% tiveram classificação ótima ou boa.

O coordenador de estatística e pesquisa da CNT, Jefferson Cristiano, afirmou que a situação das rodovias brasileiras, de forma geral, piorou nos últimos anos e que o estado das estradas mineiras é pior do que a média nacional, justamente pela maior extensão da malha, e pelo índice de investimentos desproporcional.

Para se ter uma ideia, segundo ele, em 2018, o governo federal investiu R$ 7,48 bilhões em infraestrutura de transporte rodoviário. Deste total, apenas R$ 717,5 milhões foram aplicados em Minas. Isso equivale a 9,5% do orçamento. Já a malha ferroviária mineira (15.363 km) representa mais de 14% dos 108.863 km totais do Brasil.

Já do total dos recursos autorizados pelo governo federal para infraestrutura rodoviária mineira em 2019, de R$ 635,7 milhões, foram investidos R$ 465,97 – 73,3% – até setembro.

“Percebemos, ano após ano, que o governo não tem conseguido realizar investimentos básicos nas rodovias. Os recursos disponibilizados têm caído e nem mesmo a conservação e manutenção das estradas está sendo feita, diminuindo cada vez mais a qualidade das estruturas”, revelou.

Diante do contexto, as condições do pavimento geram um aumento de custo operacional do transporte em Minas de 33%. Segundo Jefferson Cristiano, esse impacto é maior no Estado do que a média nacional (28,5%), justamente pelas piores condições e falta de investimentos. “Em ambos os casos, isso reflete na competitividade nacional e no preço dos produtos”, alertou.

Conforme o especialista, a alternativa que a CNT percebe como parte da solução são as concessões à iniciativa privada. Conforme ele, isso pode ser comprovado quanto a situação das estradas concedidas é comparada com as públicas. Enquanto 75% das primeiras apresentaram estado considerado satisfatório, nas demais o nível foi observado em apenas a 32%. Em Minas, estes números são de 57% e 22%, respectivamente.

Pontos – Em toda a extensão das rodovias avaliadas no Estado a pesquisa identificou 21 pontos críticos, sendo 17 erosões na pista, uma queda de barreira e três trechos com buracos grandes.

Quando considerada a pavimentação, o levantamento indicou problemas em 61% da extensão avaliada, 39% tem condição satisfatória e em 0,4% o pavimento está totalmente destruído.

Na sinalização, 58,9% da extensão foi considerada regular, ruim ou péssima, 41,1% ótima ou boa. A faixa central é inexistente em 2,7% da extensão e as faixas laterais são inexistentes em 7,3%.

Quanto à geometria da via, 81,1% da extensão é deficitária e 18,2% ótima ou boa. As pistas simples predominam em 88,7%. Falta acostamento em 58% dos trechos avaliados e nos trechos com curvas perigosas, em 31,1% não há acostamento nem defensa.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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