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Governança ganha centralidade em cenário de múltiplas crises

Conexão Governança em Belo Horizonte abordou a perenidade e liderança em cenários de incerteza
Governança ganha centralidade em cenário de múltiplas crises
Segundo defendeu Wilson Brumer no evento do IBGC, a liderança precisa transmitir confiança | Foto: Diário do Comércio / Daniela Maciel

A edição 2026 do Conexão Governança, realizada na quinta-feira (21) no Espaço Unimed, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – Capítulo Minas (IBGC-MG), trouxe o tema “Governança para a perenidade”.

O primeiro painel, “Resiliência na prática: como organizações sustentam desempenho em cenários de alta incerteza”, reuniu a head de Legal, Institutional Relations and Sustainability da ArcelorMittal Brasil, Marina Soares; o presidente do Instituto Cultural Filarmônica e membro do Conselho de Administração da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), Wilson Brumer; a sócia-fundadora da BTA – Consultoria em Desenvolvimento Empresarial, Betânia Tanure; e a sócia e consultora da BTA, Luísa Tanure.

A tônica da mesa foi o papel da liderança diante de um cenário de policrise, em que múltiplas crises globais ocorrem simultaneamente, combinando e multiplicando seus efeitos e criando impacto sistêmico, mantendo a confiança dos diferentes públicos e a autoridade para a tomada de decisão.

“As organizações foram extremamente desafiadas nos últimos 12 meses e, para a ArcelorMittal, não foi diferente. Viemos de um processo de alta resiliência. Somos uma empresa global com participação muito relevante no mercado brasileiro, com 42% da produção de aço, e seguimos defendendo a indústria nacional, que foi e continua sendo muito desafiada pelas importações predatórias, especialmente as asiáticas. Nesse contexto, a governança corporativa se faz essencial porque é o ‘como’ alcançamos esses resultados. Ela é fundamental para antecipar riscos, garantir velocidade de decisão e manter nossos valores firmes naquilo que é inegociável. Continuamos investindo em inovação, mantivemos as pessoas no centro do negócio e concluímos nosso pacote de investimentos de R$ 25 bilhões desde 2022. Seguimos transformando desafios em oportunidades”, avaliou Marina Soares.

Dono de uma das trajetórias corporativas mais consistentes do Brasil, com passagens pelo poder público, onde foi secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais e ocupou cargos em instituições como Cemig e Codemig, além de atuar na iniciativa privada como CEO da Usiminas, Vale e antiga Acesita, atual Aperam, Wilson Brumer destacou a veracidade de um velho clichê: “onde há crise, existem oportunidades”, mas não sem coragem e competência.

“No Brasil faltam lideranças políticas e empresariais. Sem liderança, não vencemos os momentos mais complicados em qualquer organização. Normalmente, as empresas entram em pânico durante as crises e esquecem que, onde há crise, há oportunidade. Durante a pandemia foi assim. Era um cavalo selado para o Brasil porque as cadeias de suprimentos precisariam ser repensadas, mas o País não soube aproveitar. Não existe empresa competitiva em um país não competitivo. A liderança precisa transmitir confiança. Muitas vezes, a melhor decisão é não seguir um determinado plano e é preciso ousadia, porque a resiliência exige visitar o novo”, analisou Brumer.

O segundo painel contou com o presidente da Unimed-BH, Frederico Peret; a diretora-executiva jurídica e de relações institucionais da Localiza, Suzana Fagundes; e a coordenadora do Capítulo Minas Gerais do IBGC, Francine Póvoa.

Para o presidente da Unimed-BH, as empresas precisam fortalecer a governança, valorizar as pessoas e administrar de forma eficiente a diversidade cognitiva e geracional existente nas organizações.

“Estamos vivendo em um ambiente muito complexo e, independentemente do setor, os desafios são semelhantes. Há mudanças importantes no comportamento das pessoas e questões geopolíticas que afetam direta ou indiretamente todos os negócios. Se as empresas não tiverem boa governança corporativa e capacidade de adaptação diante de cenários cada vez mais diversos, dificilmente conseguirão entregar à sociedade aquilo que é o seu propósito”, explicou Peret.

Já o coordenador-geral do IBGC-MG, Luís Gustavo Miranda, avaliou o evento como um espaço de troca de experiências voltadas à construção de um futuro mais resiliente diante das constantes mudanças.

“O Conexão Governança discutiu temas que afligem as altas lideranças, especialmente os membros de conselhos, como perenidade, complexidade das decisões, volume de incertezas e a necessidade de sobreviver no curto, médio e longo prazo sem deixar de se reinventar. O desafio da alta liderança é definir qual caminho seguir diante desse cenário, especialmente em relação à inovação e à perenidade. É preciso olhar para a frente para construir esse caminho”, pontuou Miranda.

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